01 setembro 2017

EMPRESA QUE IMPLANTOU CHIPS NOS FUNCIONÁRIOS VEM PARA O BRASIL

Chip
A empresa de tecnologia que, em julho, anunciou que implantaria chips no corpo dos funcionários, causou polêmica ao utilizar os objetos em substituição de crachás, chaves e senhas em computadores.
Agora, o CEO da Three Square Market, Todd Westby(foto abaixo), afirmou que o próximo mercado de sua empresa será o Brasil. Em sua empresa, mais de 60 pessoas se voluntariaram para usar o chip, que é implantado entre os dedos polegar e indicador.
Funcionário com chip
“A adesão foi totalmente voluntária. Eu mesmo me surpreendi com o interesse. A moral da história é que somos uma empresa de tecnologia e os funcionários naturalmente se interessam pelo que é novo”, afirmou, em entrevista cedida à BBC Brasil.
A empresa tem trabalhado, atualmente, em um chip com tecnologia de GPS cuja alimentação energética seja do corpo humano. “Agora estamos trabalhando para reduzir o tamanho do dispositivo até que seja possível implantá-lo”, afirmou.
Ele acredita que a tecnologia viabilizará a substituição de documentos, tornozeleiras, fichas médicas, chaves de casa e carro e outros objetos que considera obsoletos. “O chip poderá substituir passaportes e você não vai mais correr o risco de ter o seu roubado ou de perdê-lo”.
Chip sendo usado para substituir crachá
“Uma pessoa com Alzheimer ou doenças de memória poderá ter toda a lista de remédios que consome detalhada no chip quando for a uma emergência ou visitar um novo médico”, acrescentou.

O CEO afirma que a tecnologia está começando a ver mercado no Brasil. “Dois hospitais brasileiros já nos procuraram querendo experimentar a tecnologia”, afirmou ele, que também conta que em São Paulo “as negociações ainda estão em andamento”.
“O Brasil será nosso próximo mercado. Sei que vocês também têm uma demanda muito grande no sistema penal. Também estamos conversando com Espanha, Canadá, México e outros lugares”, contou.

Nem todos os funcionários aceitaram o chip, como Katie Langer. “Eu ainda não vi pesquisas sobre os efeitos a longo prazo na saúde. Isso me deixa um pouco preocupada. Ainda é um objeto estranho sendo colocado em seu corpo”, opinou.
Wetsby afirma que, no Brasil, a tecnologia será predominantemente aceita em alguns anos.
“Todo mundo ficou chocado com o GPS do iPhone e hoje gosta quando o telefone recomenda trajetos mais inteligentes. No futuro, com os chips, será a mesma coisa: os que hoje se preocupam vão querer tê-lo para conseguir acesso rápido a produtos customizados e ter mais segurança do que com papéis ou documentos que podem perder”, finalizou.

Futuro

O chip usado pela empresa já permite que funcionários se identifiquem em catracas e roletas, utilizem computadores e máquinas de fotocópias e paguem por produtos consumidos na cantina. O chip funciona a uma distância máxima de 15 centímetros dos leitores.
Segundo o criador, ele pode ser removido em poucos minutos com ajuda de um médico ou enfermeiro - da mesma forma com que foram inseridos.
As principais preocupações dos usuários se referem a privacidade - quem garante que o chip não pode ser hackeado ou os dados que coleta podem ser utilizados por patrões sem o consentimento dos empregados?
"A tecnologia que estamos usando é passiva. Não tem GPS, portanto o hackeamento é impossível", responde o empresário.
A reportagem lembra que ele havia dito há pouco que está desenvolvendo uma versão com GPS. "Sim, mas até que tenhamos a tecnologia 100% segura, ela não será lançada", responde.
Os usos do chip subcutâneo, segundo seu criador, poderiam incluir monitoramento de crianças em regiões com alta incidência de tráfico infantil ou de animais domésticos, cuja fugas poderiam ser evitadas ou controladas.
Em 2015, um boato de que a então presidente Dilma Rousseff implantaria chips nos brasileiros para substituir documentos como RG e CPF foi o assunto mais buscado no país pelo Google durante semanas.
A informação era falsa. Dilma não havia sancionado ou discutido qualquer lei sobre microchips - mas discutia a criação de um novo cartão chamado Registro de Identidade Civil, que possuiria um chip como os presentes em bilhetes de ônibus ou cartões de crédito.
Para Wetsby, a comoção ocorrida à época no Brasil deixará de ocorrer em alguns anos.
"As pessoas se preocupavam com dados pessoais na internet e hoje fazem questão de compartilhá-los para receberem indicações de sites e produtos que têm a ver com seu perfil. Todo mundo ficou chocado com o GPS do iPhone e hoje gosta quando o telefone recomenda trajetos mais inteligentes. No futuro, com os chips, será a mesma coisa: os que hoje se preocupam vão querer tê-lo para conseguir acesso rápido a produtos customizados e ter mais segurança do que com papéis ou documentos que podem perder."
www.bbc.com/portuguese/internacional
 

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