05 maio 2011

Lição 6 - Dons que Manifestam a Sabedoria de Deus


08 de maio de 2011
TEXTO ÁUREO


"Assim, também vós, como desejais dons espirituais, procurai sobejar neles, para a edificação da igreja" (1Co 14.12). – Recebemos a permissão, na verdade uma ordem, de "procurar os melhores dons", e isto "com zelo" (1Co. 12.31). É possível que este desejo sério esteja relacionado com "a medida da fé que Deus repartiu a cada um" (Rm 12.3), e a Bíblia nos incentiva a orarmos por um aumento da nossa fé. Mesmo assim, a partilha dos dons não depende da nossa vontade, mas da vontade do próprio Espírito Santo soberano. Portanto, os charismata provêm da vontade graciosa de Deus, e são concedidos por ele através do Espírito Santo. O apóstolo se detém para explicar as conseqüências deste fato. Seu argumento é que, se o Espírito Santo distribui dons espirituais de acordo com sua vontade graciosa e soberana, então não há nenhuma justificativa para inveja nem arrogância. Como podemos ter coragem de desprezar nosso dom e olhar com inveja para os dons dos outros, se Deus nos deu dons de acordo com sua graça e vontade? Da mesma forma, como podermos menosprezar os dons de outras pessoas e compará-los depreciativamente com os nossos, se Deus lhes deu seus dons de acordo com sua graça e vontade? [1].


VERDADE PRÁTICA


Através dos dons da palavra de sabedoria e da ciência, o Espírito Santo capacita-nos a conhecer fatos e circunstancias que somente Deus conhece.



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Atos 16.16-24




OBJETIVOS


Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:


- Relacionar os dons do Espírito Santo conforme 1Co 12.8-10;
- Explicar o que é don da palavra de sabedoria, palavra de ciência e discernimento de espíritos, e
- Compreender a importância de estarmos atentos e munidos dos dons espirituais.




PALAVRA-CHAVE
SABEDORIA
: - qualidade de sábio; prudência; sensatez.




COMENTÁRIO


(I. INTRODUÇÃO)


Dando seqüência ao estudo sistemático acerca dos dons espirituais, veremos hoje os dons espirituais que manifestam a sabedoria divina: a palavra da sabedoria, a palavra da ciência e o discernimento de espíritos, baseado no texto de 1 Coríntios 12.8-10. É evidente que o objetivo final é que estejamos cônscios da importância desses dons para a igreja hoje, não que os demais dons sejam de menor importância, até mesmo porque, é “por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade" (Hb 2.4) que estes dons são concedidos (cf. 1Co 12.11), “ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo do crente na busca dos dons (1Co 12.31; 14.1)” [2]. Boa aula!



(II. DESENVOLVIMENTO)



I. OS DONS DO ESPIRITO SANTO


1. Os dons espirituais. Já vimos que uma das maneiras do Espírito Santo manifestar-se é através de uma variedade de dons espirituais concedidos aos crentes visando à edificação e à santificação da igreja. Encontramos outras listas de dons em Rm 12.6-8 e Ef 4.11, e é mediante o exercício destes dons que o crente serve na igreja de modo mais permanente. A lista exposta em 1Co 12.8-10 não é completa. Os dons aí tratados podem operar em conjunto, de diferentes maneiras. O Pr Ciro Sanches Zibordi assim discorre acerca da quantidade dos dons: “Os dons são muitos, e não apenas nove, como muitos pensam. Segundo a Bíblia, há diversidade de dons, ministérios e operações (1 Co 12.6-11,28). O fruto do Espírito também não pode ter as suas virtudes quantificadas. Quem afirma que são apenas nove os elementos formadores do fruto toma como base apenas Gálatas 5.22. Mas há várias outras passagens que tratam dessa doutrina paracletológica, como Efésios 5.9; Colossenses 3; 2 Pedro 1.5-9, etc [3]. Satanás pode imitar a manifestação dos dons do Espírito, ou falsos crentes disfarçados como servos de Cristo podem fazer o mesmo (Mt 7.21-23; 24.11, 24; 2Co 11.13-15; 2Ts 2.8-10). A recomendação bíblica é que o crente não deve dar crédito a qualquer manifestação espiritual, sem antes “provar se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1Jo 4.1; 1Ts 5.20,21).


2. Classificação dos dons. O propósito do Evangelho de Cristo é demonstrar o poder e a sabedoria de Deus aos homens, conforme Paulo escreve aos Coríntios: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” (1Co 1.24). A operosidade dos dons promove a expansão da Igreja e a fortalece, a fim de vencer as dificuldades, perseguições e oposições. Os dons são necessários ao triunfo dos crentes sobre as adversidades do cotidiano (At 5.14; 6.7; 9.31; 16.5; 19.20). Em 1Co 12.8-10, o apóstolo Paulo apresenta uma diversidade de dons que o Espírito Santo concede aos crentes. Nesta passagem, ele não descreve as características desses dons, mas noutros trechos das Escrituras temos ensino sobre os mesmos. Esta lição trata de maneira sucinta, da operação desses dons, analisando-os genericamente a fim de fornecer-nos uma visão geral deles. O comentarista realiza uma subdivisão dos dons listados em 1Co 12 em:
a). Dons que manifestam a sabedoria de Deus:- palavra da sabedoria; palavra da ciência; discernir os espíritos;
b). Dons que manifestam o poder de Deus:- ; dons de curar; operação de maravilhas; e
c). Dons que manifestam a mensagem de Deus: profecia; variedade de línguas; e interpretação de línguas.


3. A escassez dos dons. Nos capítulos 12 a 14 de 1Coríntios, Paulo elabora sua tese acerca dos dons do Espírito Santo concedidos ao corpo de Cristo, os quais foram indispensáveis à igreja primitiva e que permanecem disponíveis e indispensáveis à igreja até que Jesus volte. Sem eles, a Igreja estará débil e seus membros deixam de fortalecer e de ajudar uns aos outros no padrão estabelecido por Deus. Os crentes que têm amor genuíno pelos que também pertencem ao corpo de Cristo devem buscar os dons espirituais a fim de poderem ajudar, consolar, encorajar e fortalecer os necessitados (1Co 12.17). A distribuição é soberana, mas isso não implica em que devamos esperar passivamente que Deus distribua os dons do Espírito Santo, antes, devemos ansiar e buscar os melhores dons (1Co 12.7-10). Devemos, com zelo, desejar e buscar com oração esses dons, principalmente os que são próprios para encorajar, consolar e edificar (1Co 14. 3,13,19,26). Tenhamos em conta que estamos vivendo dias em que, "por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos tem esfriado", como nos advertiu nosso Mestre (Mt 24.12). Como poderá a Igreja cumprir o “Ide” de Jesus sem essa capacitação do Espírito? Precisamos ser revestidos de poder do alto. Cristo anteriormente informara aos discípulos que, sem ele, nada podiam fazer. Quando os encarregou da conversão do mundo, acrescentou: "Permanecei, porém, na cidade (Jerusalém), até que do alto sejais revestidos de poder. Sereis batizados com o Espírito Santo não muito depois destes dias. Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai" (At 1.4,5). Esse batismo do Espírito Santo, a promessa do Pai, esse revestimento do poder do alto, Cristo informou-nos expressamente ser a condição indispensável para a realização da obra de que ele nos incumbiu. O texto a seguir é de autoria de Charles G. Finney (1792-1875), onde ele discorre acerca das causas da escassez dos dons espirituais na Igreja já na sua época: 1) De modo geral, não estamos dispostos a ter aquilo que desejamos e pedimos; 2) Deus nos informa expressamente que, se contemplarmos a iniqüidade no coração, ele não nos ouvirá. Muitas vezes, porém, quem pede é complacente consigo mesmo; isso é iniqüidade, e Deus não o ouve; 3) é descaridoso; 4) é severo em seus julgamentos; 5) é autodependente; 6) repele a convicção de pecado; 7) recusa-se a fazer confissão a todas partes envolvidas; 8) recusa-se a fazer restituição às partes prejudicadas; 9) é cheio de preconceitos insinceros; 10) é ressentido; 11) tem espírito de vingança; 12) tem ambição mundana; 13) comprometeu-se em algum ponto e não quer dar o braço a torcer, ignora e rejeita maiores esclarecimentos; 14) defende indevidamente os interesses de sua denominação; 15) defende indevidamente os interesses da sua própria congregação; 16) resiste aos ensinos do Espírito Santo; 17) entristece o Espírito Santo com dissenção; 18) extingue o Espírito pela persistência em justificar o mal; 19) entristece-o pela falta de vigilância; 20) resiste-lhe dando largas ao mau gênio; 21) é incorreto nos negócios; 22) é impaciente para esperar no Senhor; 23) é egoísta de muitas formas; 24) é negligente na vida material, no estudo, na oração; 25) envolve-se demasiadamente com a vida material, e os estudos, faltando-lhe por isso tempo para oração; 26) não se consagra integralmente, e 27) o último e maior motivo, é a incredulidade: pede o revestimento, sem real esperança de recebê-lo. "Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso" (1Jo 5.10). Esse, então, é o maior pecado de todos. Que insulto, que blasfêmia, acusar a Deus de mentir!


SINÓPSE DO TÓPICO (1)


Os dons do Espírito Santo podem ser classificados em três categorias: manifestação da sabedoria de Deus; manifestação do poder de Deus e manifestação da mensagem de Deus.



II. A PALVRA DA SABEDORIA


1. A sabedoria satânica. A serpente de Gn 3.1 é identificada em Ap 12.9 como o próprio Satanás. Strong assim define o termo Satan: “um oponente”, ou “o Oponente”; aquele que odeia; o acusador; adversário, inimigo; alguém que resiste, obstrui e atrapalha tudo o que é bom. Satan provém do verbo que significa ser um oponente, ou opor-se. Ha-Satan é aquele que odeia e, desse modo é o que há de mais oposto a Deus, que é amor [4]. Nele não habita sabedoria alguma, mas apenas engano e astúcia. Paulo escreve aos Coríntios nestes termos: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2Co 11.3). Strong define o termo astúcia como habilidade versátil, fraude astuta, esperteza sofisticada, conduta inescrupulosa, traição maldosa, esquema enganoso, sagacidade arrogante e arrogância matreira. Usada apenas cinco vezes no NT, refere-se a Satanás enganando Eva (2Co 11.3); à tentativa dos fariseus de enganar Jesus (Lc 20.23); ao engano de falsos mestres (Ef 4.14); à cilada dos sábios do mundo (1Co 3.19); e à maneira inadequada de apresentar o evangelho (2Co 4.2) [5]. Satanás pode capacitar seus agentes com uma espécie de sabedoria astuta a fim de cegar e enganar, se possível, os escolhidos. O crente da atualidade precisa estar informado de que pode haver, nas igrejas, obreiros corrompidos e distanciados da verdade, como os mestres da lei de Deus, nos dias de Jesus (Mt 24.11,24). “Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos” (Mc 13.22); Jesus adverte, aqui, que nem toda pessoa que professa a Cristo é um crente verdadeiro e que, hoje, nem todo escritor evangélico, missionário, pastor, evangelista, professor, diácono e outros obreiros são aquilo que dizem ser. Já vimos na lição anterior que, Satanás pode imitar a manifestação dos dons do Espírito, ou falsos crentes disfarçados como servos de Cristo podem fazer o mesmo (Mt 7.21-23; 24.11, 24; 2Co 11.13-15; 2Ts 2.8-10). O crente não deve dar crédito a qualquer manifestação espiritual sem antes “provar se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1Jo 4.1; cf. 1Ts 5.20,21). É por este motivo que urge a necessidade de buscarmos com maior diligência os dons espirituais. T. Austin Sparks escreve: “Quando contemplamos o estado de coisas no mundo hoje, ficamos profundamente impressionados e oprimidos com a prevalecente doença da cegueira espiritual. Ela é a causa da doença do nosso tempo. Não estaríamos muito errados se disséssemos que a maior parte dos problemas, se não todos, que o mundo está sofrendo tem sua origem naquela raiz: a cegueira. As multidões estão cegas; não há dúvida sobre isso. Num dia em que se imagina ser um dia de inigualável iluminação, as multidões estão cegas. Os líderes estão cegos; guias cegos guiando outros cegos. Mas numa grande escala, o mesmo é verdadeiro com respeito ao povo de Deus. Falando de modo geral, os cristãos hoje são muito cegos [6].


2. A sabedoria de Deus. A sabedoria é a capacidade espiritual de ver e avaliar a nossa vida e conduta do ponto de vista de Deus. Inclui fazer escolhas acertadas e praticar as coisas certas de conformidade com a vontade de Deus revelada na sua Palavra e na direção do Espírito Santo (Rm 8.4-17). Podemos receber sabedoria indo a Deus e pedindo-lhe com fé (Pv 2.6; 1 Co 1.30). Somente entesourando a Palavra de Deus em nossa mente é que aprenderemos a viver de modo sábio e justo em nosso relacionamento com Deus. Podemos vencer o pecado, tendo os mandamentos de Deus em nosso coração (Sl 119.11) e a Palavra de Cristo habitando dentro de nós (Jo 15.7; Tg 1.21). O estudo da Palavra de Deus deve ser acompanhado de perseverante oração, em que o crente contritamente clame por sabedoria e discernimento. É possível que só pelo estudo alguém se torne um erudito bíblico, mas a oração aliada ao estudo da Palavra de Deus leva o Espírito Santo a lançar mão da revelação divina e nos fazer pessoas espirituais. O crente deve orar a respeito do trecho bíblico que está lendo, desejando ardentemente a iluminação e a compreensão divinas. Somente à medida que a sabedoria de Deus entrar em nosso coração, isto é, em nossos motivos, desejos e pensamentos interiores é que produzirá vida e poder. Para isso, é necessário que o Espírito da verdade opere em nossa alma (Jo 16.13,14), fazendo com que os mandamentos e caminhos de Deus tornem-se um deleite para nós (Sl 119.47,48). As bênçãos decorrentes da sabedoria incluem:


a). Aprender a temer ao Senhor e daí ser protegido contra o mal ao longo da caminhada da vida (Pv 2.5-8);
b). Poder discernir entre o bem e o mal e assim evitar as tragédias do pecado (Pv 2.11);
c). Disposição para evitar pessoas más e conviver com pessoas boas e justas (Pv 2.12-15,20);
d). Abster-se da imoralidade sexual (Pv 2.16-19) e
e). Receber as bênçãos prometidas por Deus (Pv 2.21).


Deus se agrada quando os crentes buscam em oração sincera a sabedoria divina e um coração entendido. "E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada" (Tg 1.5; cf. Pv 2.2-6; 3.15; Lc 12.31; Ef 5.17; Tg 3.17).


3. O dom da palavra de sabedoria. Este dom ocupa lugar importante entre os demais dons. Como os outros, é concessão do Espírito Santo, não se adquire de maneira natural, através da capacidade cognitiva, do acumulo de conhecimento humano. É uma declaração espiritual, num dado momento, pelo Espírito, sobrenaturalmente revelado a mente, o propósito e o caminho de Deus aplicado a uma situação específica. Tal mensagem aplica a revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou problema específico (At 6.10; 15.13-22). Não se trata aqui da sabedoria comum de Deus, para o viver diário, que se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5,6). Capacita-nos a perceber, falar e agir em circunstancias tais, que os elementos naturais tornam-se inúteis. É algo especial que o pensamento humano, por si só, não descobre, pois é a revelação da mente de Deus aos que pregam, ensinam e administram a Igreja. Torna o crente apto a conhecer fatos passados, presentes e até futuros.


SINÓPSE DO TÓPICO (2)


O dom da palavra de sabedoria é a operação sobrenatural do Espírito Santo na mente humana, objetivando, resolver problemas insolúveis.



III. A PALAVRA DA CIÊNCIA E O DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS



1. O dom da palavra da ciência. É evidente que o exercício ministerial requer um preparo catedrático, mas, neste texto em especial, ao falar deste dom, Paulo não se refere a este tipo de conhecimento humano galgado pelo estudo diligente. Paulo refere-se a um conhecimento sobrenatural, inspirado pelo Espírito Santo, revelando conhecimento a respeito de pessoas, de circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Freqüentemente, este dom tem estreito relacionamento com o de profecia (At 5.1-10; 1Co 14.24,25). Este dom está ligado ao da Palavra da sabedoria, mas, apesar dessa vinculação, os dois relacionam-se com o discernimento e o entendimento espirituais necessários à edificação da Igreja. Sobre isto declara Paulo: “enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus – Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência de Deus” (Cl 2.2,3). Emana de Deus tudo o que Ele deseja que saibamos ou conheçamos. Por sua onisciência, o Espírito revela coisas ocultas, sempre em benefício do seu povo. A relação entre a “sabedoria” e a “ciência” é muito íntima.


2. O discernimento de espíritos. Discernir traduz o significado de “ver claramente”, ou “julgar através de”. Se o dom é do Espírito, sua manifestação é sobrenatural. Trata-se de um modo especial para se perceber o que há no íntimo de uma pessoa. É a capacidade de ver ou sentir, pelo Espírito Santo, o que motiva alguém a dizer ou fazer algo; discernir e julgar corretamente as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não (1Jo 4.1). Este dom é útil para que distingamos se algumas manifestações espirituais correspondem plenamente aos princípios divinos. Hoje, quando os falsos mestres e a distorção do cristianismo bíblico estão tomando proporções nunca antes pensadas, esse dom espiritual torna-se extremamente importante para a igreja. A Bíblia de Estudo Pentecostal, em nota textual de 1Tm 4.1, afirma o seguinte: ‘O Espírito Santo revelou explicitamente que haverá, nos últimos tempos, uma rebeldia organizada contra a fé pessoal em Jesus Cristo e da verdade bíblica (cf. 2 Ts 2.3; Jd 3,4). Aparecerão na igreja pastores de grande capacidade e poderosamente ungidos por Deus. Alguns realizarão grandes coisas por Deus, e pregarão a verdade do evangelho de modo eficaz, mas se afastarão da fé e paulatinamente se voltarão para espíritos enganadores e falsas doutrinas. Por causa da unção e do zelo por Deus que tinham antes, desviarão a muitas pessoas. Muitos crentes se desviarão da fé porque deixarão de amar a verdade (2 Ts 2.10) e de resistir às tendências pecaminosas dos últimos dias (cf. Mt 24.5,10-12; 2Tm 3.2,3). A popularidade dos ensinos antibíblicos vem, sobretudo pela ação de Satanás, conduzindo suas hostes numa oposição cerrada à obra de Deus. A segunda vinda de Cristo será precedida de uma maior atividade de satanismo, espiritismo, ocultismo, possessão e engano demoníacos, no mundo e na igreja (Ef 6.11,12) [7].


3. A importância do dom de discernimento. Os dons espirituais são dons da soberania de Deus. Em Efésios 4 o Cristo glorificado é apresentado como um general vitorioso, que lidera uma multidão de cativos libertos e distribui os despojos da batalha. Os presentes são de graça e a distribuição é soberana. Isto também é dito em 1Co 12.11: "Um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente". Por isso, recebemos a permissão, na verdade uma ordem, de "procurar os melhores dons", e isto "com zelo" (1Co 12.31). Mesmo assim, a partilha dos dons não depende da nossa vontade, mas da vontade do próprio Espírito Santo soberano. Portanto, os charismata provêm da vontade graciosa de Deus, e são concedidos por ele através do Espírito Santo. Certamente Cristo proverá sua Igreja com crentes capacitados com o dom de discernimento. Em Mt 24.5, Cristo declara que durante os últimos dias desta era, o engano religioso será volumoso na terra. Note-se que as primeiras palavras que Cristo dirigiu aos discípulos a respeito do tempo do fim foram “Acautelai-vos, que ninguém vos engane” (v. 4). É do maior interesse de Cristo que seus seguidores se acautelem do engano religioso que se alastrará em todo o mundo nos últimos dias. Para salientar esse perigo para os crentes dessa época, Cristo repete a advertência duas vezes, no sermão do Monte das Oliveiras. À medida que os dias vão passando, surgem muitos falsos mestres e pregadores entre o povo. Grande parte do cristianismo está se tornando apóstata. A lealdade total à Palavra de Deus, bem como santidade bíblica, são coisas raras. Crentes professos aceitam novas revelações, mesmo que elas conflitem com a Palavra revelada de Deus e isto está motivando a oposição à verdade bíblica dentro da igreja – nossas EBD são o exemplo mais patente (1Tm 4.1; 2Tm 3.8; 4.3). Homens que pregam um evangelho misto ocupam posições estratégicas de liderança nas denominações e nas escolas teológicas. Os tais enganam e desviam a muitos dentro da igreja (Gl 1.9; 2Tm 4.3; 2Pe 3.3,4). Em todas as partes do mundo, milhões de pessoas praticam ocultismo, astrologia, feitiçarias, espiritismo e satanismo. A influência dos demônios e espíritos malignos multiplica-se sobremaneira. Para não sermos enganados, devemos crescer em fé e amor para com Cristo, e termos como autoridade absoluta em nossa vida a Palavra, conhecendo-a bem na sua totalidade e desejando os melhores dons, sobretudo, o dom de discernir os espíritos, para discernirmos e julgarmos corretamente as profecias, distinguindo se uma mensagem ou doutrina provém do Espírito Santo ou não (1Jo 4.1).


SINÓPSE DO TÓPICO (3)


O dom da palavra da ciência e o discernimento de espíritos são capacidades sobrenaturais que o Espírito Santo concede, ao crente, para conhecer fatos ocultos.



(III. CONCLUSÃO)



A proteção do crente contra tais enganos e ilusões consiste na lealdade total a Deus e à sua Palavra inspirada, e a conscientização de que homens de grandes dons e unção espirituais podem enganar-se, e enganar os outros com sua mistura de verdade e falsidade. Essa conscientização deve estar aliada a um desejo sincero do crente praticar a vontade de Deus (Jo 7.17) e de andar na justiça e no temor de Deus (Sl 25.4,5,12-15). Os crentes fiéis devem perseverar na busca zelosa dos dons espirituais, ainda que, sejam eles distribuídos soberanamente pelo Espírito Santo. Deus prometeu que nos "últimos dias" salvará todos quantos invocarem o seu nome e que se separarem dessa geração perversa, e que Ele derramará sobre eles o seu Espírito Santo (At 2.16-21,33,38-40; 3.19).




APLICAÇÃO PESSOAL



Para onde quer que olhemos na igreja hoje em dia, há uma carência evidente de uma obra mais profunda do Espírito Santo. No Ocidente, o antigo conceito de "cristandade", que existiu durante séculos, parece estar morrendo rapidamente, à medida que mais e mais pessoas repudiam a fé de seus pais” (John R. W. Stott). O propósito principal de todos os dons espirituais é edificar a igreja e o indivíduo. "Edificar" (gr. oikodomeo) significa fortalecer e promover a vida espiritual, a maturidade e o caráter santo dos crentes. Essa edificação é uma obra do Espírito Santo através dos dons espirituais, pelos quais os crentes são espiritualmente transformados mais e mais para que não se conformem com este mundo (Rm 12.2-8), mas edificados na santificação, no amor a Deus, no bem-estar do próximo, na pureza de coração, numa boa consciência e numa fé sincera. Todo crente possui dons espirituais, como também toda igreja local. A Bíblia assegura que todo crente recebe algum dom (1Pe 4.10), e que a manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso (1Co 12.7). No dizer de Paulo quando ele cita que o Espírito distribuiu os dons a cada um, visando um fim proveitoso, ele obviamente quis dizer a cada crente. É bem verdade que muitos desses talentos continuam enterrados, como aquele talento não usado, do capítulo 25 de Mateus; mas estes dons podem ser desenterrados e usados para a glória de Deus, visando o desenvolvimento da igreja local.


N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),


Francisco A Barbosa




Subsídio para o Professor


Os dons que manifestam a sabedoria de Deus são: o Dom da Palavra da Ciência (pelo qual o Senhor habilita uma pessoa a saber de fatos que só pela revelação divina poderiam ser conhecidos, como foi o caso de Pedro, a quem Deus fez conhecer a fraude de Ananias e Safira); o Dom da Palavra da Sabedoria(pelo qual o Senhor concede sabedoria para a resolução de problemas vitais relacionados à vida na igreja, como foi no caso do Concílio em Jerusalém, acerca das práticas que os gentios recém-convertidos deveriam ter no dia a dia); e o Dom de Discernimento de espíritos(pelo qual o Senhor nos concede a capacitação de distinguir se determinada manifestação vem do Espírito de Deus, do espírito humano ou de Satanás).
Cremos que os dons que manifestam a sabedoria de Deus são de extrema importância em nossos dias, como sempre o foram desde a Igreja Primitiva, pois através desses dons a Igreja de Cristo passa a conhecer as coisas de forma sobrenatural. Em nossos dias, onde reinam a mentira e a falsidade também em relação a assuntos espirituais, Deus espera que a Igreja utilize os dons de sabedoria para que ela se mantenha pura e pronta para o retorno do Senhor.
I. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
1. Os dons espirituais. Já dissemos na aula anterior que os dons espirituais são dádivas, são favores imerecidos que Deus concede aos homens que estão dispostos a servi-lo e que, por obediência, já alcançaram o batismo com o Espírito Santo. Eles decorrem do exercício da infinita misericórdia divina, não havendo, portanto, qualquer merecimento, qualquer mérito por parte daqueles que são aquinhoados pelo Espírito Santo com um dom espiritual. O dom espiritual é concedido não porque alguém seja mais espiritual ou melhor do que outro, mas em virtude da soberana vontade do Senhor. Quem o diz não somos nós, mas a própria Palavra de Deus: “Mas um só mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1Co 12:11). Quem recebe um dom espiritual deve estar consciente que, em razão deste dom, não foi feito melhor dos que os demais irmãos, mas, bem ao contrário, foi-lhe dada uma responsabilidade ainda maior, de forma que deverá sempre usá-lo conforme a vontade do Senhor e de acordo com as Escrituras, pois deve sempre exercer este dom para a glória do nome do Senhor.
2. Classificação dos dons. É comumente dito que os dons espirituais são nove, dizer este que se baseia na lista mais completa de dons espirituais que se encontra em 1Co 12:8-10. Mas Paulo não diz: ‘estes são os dons do Espírito’. Ele simplesmente apresenta a lista, dizendo: ‘Aqui está um dom dado pelo Espírito Santo, eis outro dom dado pelo mesmo Espírito’. Ele está enfatizando que todos os dons vêm do Espírito Santo. Ele é uma pessoa infinita e podemos ter absoluta certeza de que tem uma provisão infinita para atender a cada necessidade.
Além da relação exarada em 1Coríntios 12, que é a mais conhecida e a mais pormenorizada, temos, também, a relação constante de Rm 12:6-8, que não é uma relação tão completa quanto a primeira e que parece misturar dons espirituais com dons ministeriais (até porque o texto não é específico com relação aos dons espirituais como é o anteriormente mencionado). Mesmo se levarmos em consideração apenas a relação de 1Coríntios, não podemos nos esquecer de que um dos itens da relação fala dos “dons de curar” (1Co 12:9), dando a entender, portanto, que há mais de um dom de curar, o que torna, também, precário o entendimento de que os dons espirituais sejam apenas nove.
Assim, não podemos afirmar com respaldo bíblico que somente haja nove dons espirituais. Entretanto, tal posição bíblica não pode servir de base para que se adicionem outros dons de modo aleatório e sem qualquer respaldo escriturístico, manifestações que, no mais das vezes, não se coadunam com os propósitos e finalidades dos dons espirituais, cuja presença na igreja, inevitavelmente, trará confirmação da pregação do Evangelho, edificação espiritual, consolação, exortação e um maior envolvimento da igreja local com o Senhor e a Sua obra.
Para melhor compreensão, podemos dividir os dons espirituais, conforme 1Coríntios 12, em três categorias, a saber:
a) dons de poder: fé, dons de curar, operação de maravilhas - são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas efetuem demonstrações sobrenaturais do poder divino, com a realização de milagres, de maravilhas e de coisas extraordinárias, que confirmem a soberania de Deus sobre todas as coisas e a Sua presença no meio da igreja. São evidências da onipotência divina no meio do Seu povo.
b) dons de ciência (também chamados “dons de revelação”): palavra da sabedoria, palavra da ciência, dom de discernir os espíritos - são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas revelem mistérios ocultos aos homens, com a tomada de atitudes e condutas que evidenciem que Deus sabe todas as coisas e que nada lhe fica oculto. São evidências da onisciência divina no meio do Seu povo.
c) dons de elocução ou de fala: variedade de línguas, interpretação de línguas e profecia - são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas sejam instrumentos da voz do Senhor, para que o Espírito Santo demonstre que Se comunica com o Seu povo. São evidências da onipresença divina no meio do Seu povo, uma presença que nos faz descansar e que nos traz edificação.
Observamos, portanto, que cada dom espiritual tem uma finalidade específica no meio do povo de Deus; tem um propósito, que é o de dar condições para que o crente prossiga a sua jornada em direção a Jerusalém celestial, desvencilhando-se, pela manifestação do poder divino na sua vida, de todo o embaraço que tão de perto o rodeia (Hb 12:1) e, assim, não venha a se envolver com as coisas desta vida, agradando, assim, ao Senhor (2Tm 2:4).
Observamos que, na relação dos dons espirituais, não há o chamado “dom de revelação” ou “dom de visão”, “dons” que são constantemente mencionados e considerados no meio de alguns integrantes do povo de Deus que não têm o costume de ler e meditar na Palavra de Deus. O “dom de revelação”, na verdade, é o dom da palavra da ciência, não podendo ser confundido com verdadeiras adivinhações que têm perturbado o povo de Deus nos nossos dias. Deus não tem qualquer propósito de fazer com que alguns de Seus servos sejam “adivinhos”, pois abomina a adivinhação, típica operação maligna. A revelação de fatos ocultos tem tão somente o propósito de edificar o povo de Deus, jamais de envergonhar quem quer que seja. Já o chamado “dom de visão” não tem qualquer respaldo bíblico. Verdade é que existe a operação de visão, uma operação divina em que Deus mostra algo para algum servo Seu, mas também com o propósito de proporcionar a edificação de quem vê ou da igreja, jamais para devassar a intimidade ou envergonhar alguém.
Tem-se, portanto, no exercício dos dons espirituais, uma inequívoca demonstração do poder de Deus (1Co 2:4), mas sem qualquer oportunidade de exibicionismo ou de glorificação humana, mas única e exclusivamente para a glória de Deus e para pregação do Cristo crucificado (1Co 2:2). É com base nesta peculiar circunstância que podemos identificar e repudiar todas as inovações que hoje contagiam muitas igrejas locais, em especial os “novos dons” e a tão desejada e nunca explicada “nova unção”.
3. A escassez dos dons espirituais. A posse dos dons espirituais é, sem dúvida, uma grande bênção que Deus nos dá, é mais uma ferramenta que é colocada à disposição da Igreja através de seus vasos escolhidos. Todavia, tem sido preocupante a negligência da esmagadora maioria dos crentes pentecostais na atualidade na busca dos dons espirituais; eles têm sido uma necessidade premente na Igreja, notadamente quando se aproxima o dia da volta de Cristo, o que faz com que vivamos dias trabalhosos, de aumento da iniqüidade e, portanto, de grande opressão maligna, a exigir, de cada um de nós, o máximo de poder de Deus que pudermos obter de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
II. A PALAVRA DA SABEDORIA
1. A sabedoria satânica. Satanás e seus anjos não são sábios, são inteligentes; ou seja, Satanás é dotado de capacidade, penetração, agudeza, perspicácia, destreza mental, habilidade; sutileza. A sutileza é a marca registrada do diabo (João 8:44). As Escrituras registram ser ele o mais sutil de todos os seres criados por Deus e não há coisa alguma sutil que não esteja, de modo direto ou indireto, relacionado a ele. Usando a maior arma que tem, a sutileza, satanás nos primórdios enganou os anjos.
Satanás não apenas é hábil no emprego de sutilezas como, também, é o “pai da mentira”, segundo revelação feita por Jesus(ler João 8:44). Certamente que foi usando de sutilezas calcadas em mentiras e falsas promessas que ele conseguiu seduzir um terço dos anjos do Céu(Ap 12:4). O argumento foi muito forte e convincente. Pode ter sido o mesmo que ele usou com Eva: o “sereis como Deus”. Usando este raciocínio e com toda sua capacidade de convencimento levou os anjos ao orgulho e a soberba, ao pecado.
Como eu disse, os anjos são seres espirituais dotados de grande inteligência, inteligência superior ao mais inteligente dos homens. Porém, não são Oniscientes, podendo ser enganados. Sobre seu plano, diz o profeta Isaias: “E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono… subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao altíssimo”(Is 14:13-14). Dizer no coração tem o sentido de pensar. Esse era o seu plano, que guardava em “seu coração”: destronar Deus e ocupar o seu lugar. Portanto, a inteligência de satanás se caracteriza pela inveja, sentimentos facciosos, etc(Tg 3:14-16; Ez 28:12-17).
Se é verdade que cada salvo tem discernimento espiritual, também não é menos verdadeiro que a sutileza do nosso inimigo, a “mais astuta de todas as alimárias da terra” (Gn 3:1), é tal que não podemos ignorar os seus ardis (2Co 2:11). Observamos no relato da queda do primeiro casal, que o diabo surge como uma serpente, ou seja, de forma quase imperceptível, quase sem ser notada, apresentando-se à mulher de repente, de surpresa, num momento em que a mulher não esperava e que, o texto nos leva a crer, estava solitária, sem a companhia de seu marido, diríamos que num instante de distração. O inimigo começa a sua operação sempre nos instantes de distração e de descuido dos servos de Deus. Os falsos ensinos e doutrinas ingressam no meio do povo do Senhor nos cochilos daqueles que o Senhor incumbiu para cuidar da Sua vinha, como se relata na parábola do joio e do trigo (cf. Mt 13:25). Por isso, a maior arma contra as heresias ou falsas doutrinas é a vigilância constante e ininterrupta, o que somente se dará mediante a meditação diuturna da Palavra de Deus e uma vida de oração e dedicação às coisas de Deus.
Embora o diabo, por sua própria natureza sutil, apresente-se em diversos disfarces, de forma quase imperceptível, em essência sempre é e será a “antiga serpente” (Ap 12:9), de modo que, ao verificarmos como agiu no Éden, teremos condição de nos acautelarmos quando de suas investidas no campo doutrinário, que é onde mais se apresenta a sua sutileza.
2. A sabedoria de Deus. Deus é onisciente, ou seja, sabe todas as coisas. Tendo em vista que Deus sabe todas as coisas, é Ele a fonte de toda a ciência, conhecimento e sabedoria, razão pela qual jamais as manifestações do conhecimento humano, quando verdadeiras, se chocarão com a Palavra de Deus, pois Deus é o próprio autor do conhecimento, da ciência e da sabedoria.
A sabedoria de Deus foi manifesta de diversas formas como, por exemplo, sua decisão em revelar seus desígnios e vontade de forma escrita, para que pudessem sempre ser consultados. Outra forma de manifestação de sua sabedoria é vista na forma como Deus agiu no tocante à criação do homem: Ele primeiro criou o ambiente em que o homem iria viver, para depois cria-lo. De outra forma, a subsistência da humanidade seria impossível em nosso planeta. Portanto, a Bíblia nos mostra que o Senhor é sábio em seus desígnios e decisões.
3. O dom da Palavra da Sabedoria.Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria“(1Co 12:8). Não se trata de habilidade intelectual ou acúmulo de conhecimento através de estudos e pesquisas. A Palavra da sabedoria é o poder sobrenatural de falar com discernimento divino, quer na resolução de problemas difíceis, quer na defesa da fé, na resolução de conflitos, em conselhos práticos ou ao pleitear uma causa perante autoridades hostis. Estevão manifestou de tal modo a palavra da sabedoria que seus adversários “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava”(Atos 6:10).
Tiago afirma que o Senhor concede “sabedoria” aos que lhe pedem (Tg 1:5). Todavia, esta sabedoria não deve ser confundida com o “Dom da Palavra da Sabedoria”. Aquela é a capacidade espiritual de ver e avaliar a nossa vida e conduta do ponto de vista de Deus. Inclui fazer escolhas acertadas e praticar as coisas certas de conformidade com a vontade de Deus e revelada na sua Palavra e na direção do Espírito Santo (Rm 8:417). É algo que está além da razão humana, vem diretamente de Deus e tem no temor ao Senhor o seu princípio (Sl 111:10a).
Como, nestes dias de desequilíbrio e de incontinência (2Tm 3:3), tem faltado sabedoria, mesmo no meio do povo do Senhor!
III. A PALAVRA DA CIENCIA E O DISCERNIMENTO DE ESPIRITOS
1. O Dom da palavra da ciência. “[…] e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência”(1Co 12:8). O Dom da palavra da ciência é o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que tenham conhecimento sobrenatural de coisas. Sem que haja qualquer comunicação natural a respeito de um fato, o Senhor permite ao servo portador deste dom que tenha acesso a fatos e as ocorrências que estavam ocultas, com o propósito único e exclusivo de edificar, exortar e promover o crescimento espiritual de alguém. Vemos, pois, que nada há, neste dom, que o nivele a um mero exercício de adivinhação, como, lamentavelmente, se tem disseminado em muitos lugares. A adivinhação não passa de uma imitação fajuta e irrazoável deste dom, no mais das vezes sendo pura operação maligna (At.16:16), vez que tal prática é abominável aos olhos do Senhor (Lv.20:27; Ez.12:24). Pela revelação divina (palavra da ciência), Deus fez conhecer a Pedro a fraude de Ananias e Safira (Atos 5:1-11)
2. O Discernimento de espíritos. “E a outro […] o dom de discernir os espíritos“(1Co 12:10). Discernimento de espíritos descreve o poder de determinar se um profeta ou outra pessoa está falando pelo poder do Espírito Santo ou de Satanás. A pessoa que recebe esse dom tem a capacidade especial de discernir, por exemplo, se alguém é um impostor ou oportunista. Pedro desmascarou Simão e revelou que o mágico se encontrava amargurado e preso por laço de iniqüidade (Atos 8:20-23).
Sabendo, pois, de nossa vulnerabilidade, o Senhor quis dotar a igreja do dom de discernimento dos espíritos, para que alguns vasos por Ele escolhidos sejam usados para mostrar a toda a comunidade a procedência autêntica, ou não, de manifestações espirituais. Este dom é extremamente necessário neste último tempo e, lamentavelmente, ante a frieza espiritual de muitos, sua falta tem contribuído enormemente para a apostasia da fé de muitos.
É importante observar que o dom do discernimento é uma identificação súbita e momentânea, numa determinada situação, da operação espiritual, não se confundindo com o discernimento corriqueiro que todo cristão deve ter, por estar em comunhão com o Senhor e ter em si o Espírito Santo que o orienta a cada dia.
O texto base desta aula, Atos 16:16-24, mostra a forma como Paulo agiu em Filipos, quando estavam “indo […] para um lugar de oração”. Paulo e seus companheiros depararam-se com uma jovem possessa de espírito adivinhador. A jovem saiu ao encontro dos missionários e, por muitos dias, seguia-os, dizendo: “estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação”. Sua proclamação era verdadeira, mas Paulo se recusou a aceitar o testemunho de demônios. Para um crente incauto, aquela mulher estava, de certa forma, ajudando a pregação de Paulo. Entretanto, devemos ter em mente que qualquer revelação que tenha por fonte o Diabo é uma revelação que, ainda que contenha uma parte de verdade, deve ser repreendida em nome do Senhor Jesus. Angustiado com a situação infeliz da jovem, o apóstolo ordenou no nome de Jesus Cristo que o demônio se retirasse dela. Na mesma hora, ela foi liberta daquela escravidão terrível e se tornou uma pessoa equilibrada e racional. Aqui, houve a manifestação do dom de discernimento de espíritos.
3. A importância do Dom do Discernimento. Recomenda-nos o apóstolo João: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”(1João 4:1).
Nos dias de tanto engano e de tanta atuação do “espírito do anticristo”, mais do que nunca, torna-se preciso que tenhamos o devido discernimento de tudo o que acontece à nossa volta e de tudo o que se quer introduzir no nosso meio. Devemos ter a mesma estrutura da igreja de Éfeso que pôs à prova os que se diziam apóstolos, mas não o eram (Ap 2:2). Quantos problemas seriam evitados na igreja se funcionasse, correta e biblicamente, o dom do discernimento dos espíritos. A desonestidade do espírito humano, que leva comunidades inteiras a escândalos e desgraças, poderia ser evitada por alguém que tratasse desse espírito revelando por discernimento o problema antes de se agravar.
Busquemos, pois, o dom do discernimento dos espíritos, pois, conquanto seja o Espírito quem distribui os dons conforme o Seu querer (1Co 12:11), Ele necessita de pessoas bem dispostas para que efetue a Sua obra (Lc 1:17). Se todos nos pusermos à disposição do Senhor, certamente escolherá alguns para que todos nós sejamos ricamente abençoados e evitemos ser tragados pelo engano destes dias difíceis em que vivemos.
CONCLUSÃO
Conhecendo a Palavra, tendo o dom da palavra de ciência e da sabedoria, tendo o discernimento do homem espiritual e sendo complementados pela manifestação do dom do discernimento dos espíritos, certamente saberemos descobrir todas as ciladas do inimigo ao longo do caminho e, a exemplo de Esdras e daquele povo que o seguia, chegaremos sãos e salvos a Jerusalém (Ed 8:31,32), não a Jerusalém terrena, mas a celestial, “adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2).
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NOTAS BIBLIOGRAFICAS

[1]. STOTT, John R. W., Batismo e Plenitude do Espírito Santo. Ed Vida Nova, São Paulo, SP – Brasil, 1988. p. 102;
[2]. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal; CPAD. 2ª impressão, 1996, Rio de Janeiro; Adaptado do no Estudo Doutrinário Dons Espirituais para o Crente;
[3]. http://cirozibordi.blogspot.com/2011/04/o-que-sao-os-dons-espirituais-2.html;
[4]. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001. Palavra-Chave 1Co 3.19, p. 1178;
[5]. Ibdem, nota textual de Jó 1.6;
[6]. Op. Cit. nota textual de Pv 2.1, 2, 3 e 20;
[7]. SPARKS T. Austin; Visão Espiritual, p. 7;
[8]. Op. Cit. Adaptado da nota textual de 1Tm 4.1;
Lições Bíblicas 1º Trim 1994 – Livro do Mestre, CPAD, Espírito Santo – A Chama Pentecostal;
Lições Bíblicas 3º Trim 1996 - Jovens e Adultos: Atos - O padrão para a Igreja da última hora;
Lições Bíblicas 1º Trim 2004 - Jovens e Adultos: A Pessoa e Obra do Espírito Santo;
Lições Bíblicas 2º Trim 2011 – Livro do Mestre, CPAD, Movimento Pentecostal – As doutrinas da nossa fé;
Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001;
Bíblia de estudos de Genebra. Trad. de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.
Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida Revista e Atualizada, 2a edição (Sociedade Bíblica do Brasil), salvo indicação específica.

William Macdonald - Comentário Bíblico popular(Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão - nº 46.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Teologia Sistemática - Atual e Exaustiva - Wayne Grudem.
Antonio Gilberto - A doutrina do Espírito Santo - Teologia Sistemática.
Caramuru Afonso Francisco - Os Dons do Espírito Santo
Antonio Gilberto - O Fruto do Espírito.

3 comentários:

  1. Boa tarde meus amados!
    Essa foi de arrepiar. Eu ainda não tinha visto e nem ouvido falar dos tais "evangélicos nudistas!". Creio que não sejam verdadeiros evangélicos. Provavelmente sejam como os homossexuais, que sem querer se dobrar confessos e arrependidos diante de Deus, preferiram criar igrejas evangélicas para eles.
    Que Deus tenha misericórdia do seu povo. A apostasia, o pecado e tudo que agrada o inimigo, está se infiltrando dentro do povo de Deus. Creio que sejam coisas mais para a "Nova Era" do que de Cristianismo.
    Essa de nudismo que envolve desde crianças até as vovós, podemos esperar os desastres vindouros dentro dessa sociedade nudista. Deus não deixará isso impune.
    Olha irmãos, gostei tanto da matéria, que copiei e colei na íntegra, incluindo a fonte. Se fiz mal desculpem-se e me respondam a este comentário.
    Um grande abraço e que Deus os abençoe.

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  2. Quero fazer uma correção em meu comentário sobre os "evangélicos nudistas". No último parágrafo onde se lê "desculpem-se" leia-se "Desculpem-me"
    Obrigado.

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  3. Prezado irmão José das Graças,
    Paz e graça do Senhor.
    Obrigado por seu comentário tão valioso.Da mesma forma que o irmão, também lamento por saber que a degradação moral e a falta de temor a Deus têm aumentado a uma escala tão grande que creio,como o irmão que,a sentença de Deus virá sobre os tais 'evangélicos'.
    Pode usar á vontade o texto.
    Grande abraço.
    Viva vençendo!!!

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