Folha de São Paulo compara Kit Gay de Haddad com a Cartilha de Serra
Uma reportagem da Folha On-line comparou o conteúdo dos materiais
sobre diversidade sexual que geram polêmica entre os evangélicos e
setores mais conservadores da sociedade brasileira.
O primeiro deles foi desenvolvido por ONGs ligadas ao movimento gay a
pedido do Ministério da Educação que na época era coordenado por
Fernando Haddad (PT). O kit anti-homofobia foi duramente criticado por
parlamentares evangélicos e foi cancelado a pedido da presidente Dilma
Rousseff em 2011.
O segundo material foi elaborado pelo Governo de São Paulo isso em
2009 durante o mandato de José Serra (PSDB). Ao contrário do projeto do
MEC que seria distribuído aos alunos, o kit do Estado de SP foi
distribuído apenas para professores, mas com um conteúdo bem parecido
como comparou a equipe da Folha.
Apesar de serem projetos sem nenhuma ligação com os problemas da
cidade de São Paulo, esses materiais entram em pauta depois que o
candidato do PT à prefeitura de São Paulo passou a ser criticado por
líderes evangélicos pela criação do chamado “kit gay”.
A imprensa logo encontrou o material elaborado por Serra, que também
está no segundo turno, para questionar porque os evangélicos se
aproximam mais do candidato tucano do que de Haddad se ele também
elaborou propostas para discutir a homossexualidade nas escolas.
PT se aproxima de pastores para neutralizar Pr. Malafaia
A questão religiosa continua no centro do debate nas eleições à
prefeitura da maior cidade do Brasil. Enquanto José Serra, do PSDB,
acumulava apoios de pastores e padres, Fernando Haddad, do PT, criticava
a mistura de política e religião.
Mas na reta final do segundo turno, o PT decidiu articular um ato com
pastores evangélicos para defender seu candidato das críticas de
líderes de igrejas que apoiam seu adversário.
Aparentemente, o principal objetivo é diminuir o impacto dos ataques feitos pelo pastor Silas Malafaia, que associa a imagem de Haddad ao “kit gay” do Ministério da Educação.
Além disso, a coordenação da campanha pretende divulgar um manifesto
assinado por religiosos mostrando que o petista não persegue evangélicos
e, caso seja eleito, respeitará a liberdade religiosa na cidade.
Segundo o pastor Eraldo Silva, o foco é não deixar que os fiéis sejam
influenciados pelos ataques de Malafaia a Haddad. “O discurso dele é
para boi dormir. O Lula e a Dilma já mostraram que o PT não persegue
igreja”, esclarece.
Malafaia tem apoiado Serra e prometeu “arrebentar em cima do Haddad”.
Ele divulgou um vídeo de um encontro dos ativistas gays dizendo no
Congresso Nacional que pegariam em armas contra os religiosos e associou
ao governo do PT. “Haddad pode até ganhar, mas não com os votos dos
evangélicos”, declarou duas semanas atrás.
Nos últimos dias o comitê petista procurou pastores que no primeiro
turno apoiaram Celso Russomanno (PRB) e Gabriel Chalita (PMDB). Os
encontros foram discretos, na sede municipal do PT e em gabinetes de
vereadores da sigla.
Curiosamente, Haddad no primeiro turno criticou a “instrumentalização” de igrejas nas campanhas dos rivais e afirmou que não buscaria o apoio formal de nenhuma denominação.
O principal desejo é atrair o pastor Marcos Galdino, líder da
Assembleia de Deus Ministério Santo Amaro. Ele foi um dos principais
defensores da candidatura de Russomanno, chegando a pedir votos para o
candidato durante um culto, algo proibido pela legislação eleitoral.
Ontem, o pastor Renato Galdino, filho de Marcos, declarou que a igreja
estava “neutra”, mas pode anunciar apoio a um candidato em breve.
O PT espera anunciar em breve o apoio do bispo Robson Rodovalho, da
igreja Sara Nossa Terra, e da igreja Assembleia de Deus Nipo-Brasileira.
Um dos elementos que facilita essa aproximação é a clara insatisfação
de pastores de igrejas da periferia com o atual prefeito Gilberto
Kassab (PSD). O motivo seriam as operações para reprimir a poluição
sonora que ocorrem durante os cultos. Os petistas se comprometem a
“dialogar” sobre o assunto quando Haddad for prefeito.
Com informações BOL/Gospelprime
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