Facebook já está monitorando suas conversas. Você sabia?
Facebook monitora bate-papo, no melhor (ou pior) estilo “1984″
Facebook já
está monitorando suas conversas através de um primeiro filtro,
automatizado, e um segundo, humano. E segundo a empresa, é para seu bem,
é para o bem de seus filhos e o bem de todos.
A empresa
privada Facebook, com objetivo de proteger o mundo de vilões, está
invadindo a privacidade e a intimidade de todos. Diz a empresa que os
resultados já podem ser vistos.
Uma garota da
Flórida, de 13 anos de idade, foi salva de um predador sexual, graças ao
sistema de monitoramento. O sistema detectou a atividade suspeita e
avisou um funcionário do Facebook, que leu a conversa pessoal e avisou a
polícia. Nem deu tempo do homem de 30 anos encontrar-se, no dia
seguinte, após à aula, com a menina.
Uma garota inocente foi salva e muitos aplaudem e agradecem: “Ó, Facebook. Obrigado por tomar conta de minha família”.
O preço por
falta de diálogo na família e da educação doméstica negligenciada é
este. E pouco importa se a maior parte (quase todos) dos abusos à
crianças e adolescente acontecem com alguém conhecido e principalmente
de seu convívio.
Privacidade e
intimidade, protegidas em qualquer Constituição, agora são vistas como
um mal. “Quem não deve, não teme”, dizem uns. “Se é para nosso bem…”,
dizem outros.
Mas que bem é esse?
O certo é que
durante séculos a humanidade lutou por seus direitos, incluindo a
privacidade e a intimidade. Quando ditadores tomam o poder, a primeira
coisa que fazem? Vigilantismo. Retirar a privacidade é essencial em um
Estado Totalitário.
A privacidade é
tão importante que é declarada nas Constituições como Direito
Fundamental. Em muito lugares até protegida por cláusula pétrea, ou
seja, um direito que sempre será direito e ninguém pode retirar.
O direito,
então, é pessoal, é de cada pessoa. É ela que decide se quer ou não, e
não uma empresa. O que não acontece no caso atual. É o Facebook que
decidiu por você.
Alguns dizem
que somos nós que aceitamos perder a privacidade quando entramos na rede
social, mas não é bem assim. Perdemos a intimidade quando publicamos
fotos íntimas para todos verem. Perdemos a privacidade quando
conversamos pelo mural ou quando damos um check-in e mostramos onde estamos. Escolhemos perder a privacidade.
No entanto, em
uma conversa privada, a conversa é privada. Não escolhemos ser
monitorados, vigiados. Meu direito de privacidade é meu. Seu direito de
privacidade é seu. Você escolhe o que fazer com ele. Mas o Facebook não
deu essa escolha. Ele decidiu por si o que fazer com meu e seu direito.
Caso alguém
diga que “foi você que aceitou o contrato” (vamos supor, pois não está
escrito em lugar algum), pouco importa. Não se pode condicionar um
serviço em troca de garantias fundamentais. O Facebook não tem
necessidade de monitorar as conversas privadas para funcionar. É
diferente de alguém que tira fotos sensuais para uma revista ou vai a um
estádio de futebol. Não se pode exigir privacidade nessas condições.
Mas conversas pessoais, privadas, pode-se. É meu direito e seu direito e
qualquer contrato que exija possuí uma cláusula abusiva, pois usa de
uma vantagem, a força de estar fornecendo um serviço do seu interesse,
para exigir algo que não está em negociação.
O pior de tudo é
que muitos apoiam a medida, mas fazendo isso usando a lógica do
“duplipensar“. No livro “1984″, é mostrado essa maneira de aceitar duas
ideias contraditórias. Hoje muitos não querem viver em uma Coreia do
Norte, mas apoiam medidas típicas de ditaduras. Elas parecem não
entender que um Estado Democrático de Direito não é compatível com o
vigilantismo que o Facebook está fazendo. Certas pessoas não conseguem
entender que se a invasão de privacidade é apoiada, em nome de qualquer
causa, então você quer viver obrigatoriamente em um Estado Totalitário,
típico de Hitler e Stalin.
Espero que
realmente as pessoas entendam que a privacidade e intimidade não são
protegidas por capricho, sendo algo bobo. Espero que todos entendam que
elas são essenciais para a formação do indivíduo e da sociedade. Não
existem pessoas sem privacidade e intimidade. E não existe um Estado
Democrático de Direito sem esse Direito Fundamental.
Com informações de: Tecnoblog


Nenhum comentário:
Postar um comentário