Lição 13: A integridade de um líder
25 de Dezembro de 2011
TEXTO ÁUREO
“Se é ministério, seja em ministrar [...]; o que preside, com cuidado [...]” (Rm 12.7,8).
VERDADE PRÁTICA
Somente com líderes verdadeiramente chamados por Deus e comprometidos com a sua obra é que a Igreja de Cristo poderá cumprir integralmente a missão que lhe confiou o Senhor.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Neemias 1.5-11.
OBJETIVOS:
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
• Compreender que é o Senhor quem escolhe e prepara líderes para sua obra;
• Descrever algumas das características que um líder de Deus deve possuir; e
• Conscientizar-se de que o líder precisa ter uma vida devocional
PALAVRA CHAVE:
Integridade: Qualidade de íntegro, retidão.
COMENTÁRIO
(I. Introdução)
Chegamos ao fim de mais um trimestre em nossa EBD e, como sempre, abençoados com um estudo sistemático acerca de Neemias, um líder que mudou a história de uma nação. De copeiro de Artaxerxes a governador de Jerusalém, foi o responsável pela reconstrução da cidade de Davi, que havia mais de um século transformada em escombros. Em apenas cinqüenta e dois dias, apesar da escassez de recursos, do desânimo do povo e da oposição constantes dos inimigos, reergueu os muros da cidade, estabeleceu suas portas, resgatou o culto ao Senhor. Qual foi o segredo desse grande líder?
I. DEUS ESCOLHE E PREPARA LÍDERES PARA SUA OBRA
1. Um copeiro a serviço do Reino. A função exercida por Neemias na corte do rei Artaxerxes não era das mais gratificantes, uma vez que tudo que ia à mesa do rei obrigatoriamente passava pela inspeção do copeiro-mor a fim de detectar e impedir atentados à vida do monarca. Apesar de tão arriscado papel, Neemias tinha uma característica que o diferenciava dos demais servos do rei: ele nunca se apresentava triste ao rei. Esse israelita nascido na Pérsia e provavelmente descendente da Tribo de Judá (Ne 2.3), na corte persa exercia o cargo de maxeqeh, um cargo de extrema confiança do rei, haja vista ser ele o responsável pela seleção do vinho e de tudo o que era servido à mesa do rei; era provado para estar seguro de que não estava envenenado, era quem servia o monarca e devido essa confiança, era uma companhia à altura do rei. Nesta última função, devia com freqüência, oferecer conselhos informais e apreciar as confidências do rei (Ne 1.11; veja Gn 40.21). Serviu na corte do rei Artaxerxes I (465 a 424 a.C.), filho de Assuero ou Xerxes I, marido da rainha Ester[1]. Em dezembro de 446 a.C., quando recebeu notícias de Jerusalém: "Os que não foram exilados... estão em grande miséria e humilhação; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas a fogo" (Ne 1.3), Neemias sentou, chorou, ficou de luto vários dias, jejuou e orou a Deus (Ne 1.4), mas também se dispôs a agir e ao agir, fê-lo com refinada sabedoria. liderança se faz com exemplo e Neemias era um grande e admirável exemplo para o seu povo. Como a reconstrução dos muros requeria dedicação total, ele jamais deixou de labutar junto ao povo: “E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que me seguiam largávamos as nossas vestes; cada um ia com suas armas à água” (Ne 4.23).
2. Uma rainha a serviço do Reino. A vida de Ester mostra-nos, claramente, que devemos viver não só para nós mesmos, mas também para os outros, pois somos parte do corpo de Cristo. O rei persa Assuero (Et 1.1) é identificado pelos estudiosos da Bíblia como sendo o rei Xerxes I, que foi rei da Pérsia entre 485 a.C. e 465 a.C., era filho de Dario I, rei entre 521 a.C. e 486 a.C., que, por sua vez, havia sucedido a Smerdis, que reinara apenas um ano, em 521 a.C. e que sucedera a Cambises II (530-522 a.C.), filho de Ciro. A história de Ester acontece sob o reinado do quinto rei persa depois da queda de Babilônia, cerca de 54 anos depois da queda de Babilônia. O ralato bíblico é muito sucinto, mas, pela história, sabemos como eram comuns as armadilhas, as difamações, as “fofocas” num lugar como o harém real, em especial no momento em que Ester o habitou, quando se tratava de escolher a nova rainha. No entanto, Ester não se conduziu egoisticamente, não visou os seus próprios interesses, mas, sem deixar de se esforçar para alcançar o prêmio, que era o de tornar-se rainha, tanto que aprendeu todas as lições que lhe deu Hegai, jamais deixou de fazer o bem a quem estava à sua volta, alcançando graça aos olhos de todos. O crente deve ser uma pessoa da mesma natureza. Assim como o nosso Senhor, que andou fazendo bem (At 10.38), os servos do Senhor devem, também, fazer o bem a todos os homens. Ester, uma jovem mulher que arriscou a sua vida por amor ao Senhor e a Seu povo. Ao saber que estava havendo uma conspiração contra o seu povo jejuou, orou e arriscou a sua vida comparecendo diante do rei e pedindo a ele por seu povo (comparecer diante do rei sem ser convidada, mesmo sendo sua esposa e rainha, era arriscar a vida). O rei recebeu-a e concedeu o que seu coração tanto desejava.
3. Um pastor de ovelhas a serviço do Reino. O Senhor achou graça em Davi, pois ele era conforme o Seu coração, tinha plena confiança em Deus e possuía uma fé inabalável. Sua família ficou muito surpresa, pois sendo o menor da casa, aquele que ninguém dava importância, foi ungido a Rei por Samuel, e pouco tempo depois após esperar pacientemente Davi começou a governar Judá. Embora receba este testemunho do próprio Deus, Davi não era um homem sem pecado, mas um homem impulsionado por um grande desejo. Na verdade era ele um homem com um temperamento violento, cheio de vícios de caráter, um homem cruel muitas vezes. Entretanto, quando Deus colocou o dedo nele, ele mostrou-se completamente arrependido. O que agrada ao Senhor é um caráter reto e íntegro. Davi experimentou o espectro total de emoções que eu e você temos experimentado, mas ainda assim Deus o chamou de “um homem segundo o seu coração”, porque, mesmo tendo fracassado para com Deus muitas vezes, ele amava a Deus de todo o seu coração. Essa é uma das principais características de um verdadeiro líder.
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Uma das principais características de um líder de Deus é ter um coração íntegro.
II. AS CARACTERÍSTICAS DE UM LÍDER DE DEUS
1. Integridade espiritual. Os governadores que precederam Neemias exploraram o povo. Eram líderes que se serviam das pessoas em vez de servi-las. Neemias interrompe essa cultura de corrupção e exorta os abastados a socorrer os necessitados. Ele exortou com autoridade, porque sua integridade era a base da sua liderança. Por temor a Deus, não usou seu posto de liderança para auferir vantagens pessoais, mas para servir ao povo com maior abnegação. A vida do líder é a vida da sua liderança. A integridade do líder é a base da sua autoridade para exortar seus liderados.
2. Integridade moral. A liderança de Neemias não foi acidental mas sim, bem pensada. Como um líder sábio, Neemias se absteve de compartilhar os seus projetos com o povo até que estivesse bem informado sobre os diversos assuntos e, sem dúvida, ter analisado as implicações dos mesmos em profunda oração (Ne 2.12-16). Um líder prudente é aquele que sabe liderar a si mesmo tornando-se uma peça importante da máquina da coletividade. É importante o líder possuir a habilidade de focar e motivar a si mesmo e da mesma forma motivar os outros. Os liderados, à semelhança dos reflexos de um espelho, refletem a qualidade da liderança de seus líderes ou dirigentes. Neemias chegou a Jerusalém investido de uma autoridade e como governador poderia emitir suas ordens, mas não o fez. O sociólogo Max Weber afirma que há uma diferença entre poder e autoridade. Em seu livro The Theory of Social and Economic Organization, ele define poder como a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não fazer; Autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influencia pessoal. O líder prudente sabe usar a autoridade da qual está investido. O modelo bíblico de liderança é aquele centralizado no caráter, ao contrario do que ensinava Maquiavel que era preferível ao rei ser temido do que ser amado.
3. Um testemunho irrepreensível. Neemias viveu de forma correta e integra. Não podemos nos esquecer que liderança é exemplo. O discurso do líder tem de ser coerente com a sua prática. A comunhão com esse Deus exige santidade. Assim, qualquer forma de treva (prática isolada ou modo de vida) acarreta na impossibilidade de relacionamento entre o homem e Deus. É por essa razão que faz-se tão necessário o perdão Dele após conversão. O resultado da comunhão com Deus é a comunhão com os irmãos. “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O líder deve ser íntegro espiritual e moralmente, tendo um testemunho irrepreensível.
III. A VIDA DEVOCIONAL DO LÍDER DE DEUS
1. A oração. Os crentes têm o dever de interceder por aqueles que estão em eminência sobre nós se desejarmos colher os benefícios de um bom governo, que são um dom valioso de Deus para o bem-estar da Igreja e avanço do evangelho na sociedade. Precisamos não somente obedecer à lei e os governantes, mas também em nossas orações suplicar pela salvação deles. “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2Cr 7.14). Provavelmente este seja o versículo mais conhecido e mais querido de 2Cr. Nesta perícope, Deus promete que a nação de Israel receberia alívio das dificuldades causadas por seus pecados, contanto que os israelitas se voltassem para ele com humildade e oração. Se humilhar, uma atitude de contrição e de dependência de Deus (12.6,7,12; 30,11; 33,12,19,23; 34.27). No capítulo 6, Salomão pede a Deus que dissesse o que o povo deveria fazer quando cometesse algum pecado. Deus respondeu, oferecendo uma condição dupla com um resultado tríplice ao Seu povo escolhido (aquele que se chama pelo meu nome). Se o povo se humilhar (arrepender-se do seu pecado) e buscar a sua face em oração, então, diz o Senhor Deus, eu ouvirei... Perdoarei... E sararei. Deus executa os seus propósitos divinos em acordo com as orações dos seus filhos (Fp 1,9; Tg 5,16). Deus ouve o clamor e oração sincera de um povo que se humilha e se põe diante de Deus de coração aberto a Ele. Só assim Ele perdoará pecados. Os olhos, os ouvidos e o coração de Deus estão perpetuamente atentos àqueles que se voltam a Ele e progridem na obediência sincera a Cristo. Nós fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo para sermos o seu povo, a sua herança peculiar, a sua possessão santa. Fomos resgatados da maldição da lei e do pecado, não por coisas corruptíveis como a prata e ouro, mas pelo precioso sangue de Jesus. Somos povo de Deus, e a arma mais poderosa que Deus colocou em nossas mãos é a oração, pois por meio dela nos comunicamos com nosso Deus. A oração preparou Neemias para enfrentar impiedosos ataques. Se ele não tivesse o hábito de orar, certamente teria sucumbido diante das dificuldades. A oração fortalece a alma e as mãos do homem de Deus.
2. O estudo da Palavra de Deus. "Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é bem-aventurado" (Pv 29.18). Pelo que podemos inferir de Rm 12.1,2, deve haver uma constante exposição doutrinária perante a congregação a fim de não permitir a conformação de muitos com o mundo. ‘Profecia’ aqui encerra o sentido de ‘visão’ e ‘revelação’ e afirma que a vontade revelada do Senhor e suas justas exigências conforme explícitas nas Escrituras, são o meio pelo qual o homem pode permanecer bem-aventurado. O objetivo principal da doutrina bíblica é levar o homem a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, a fim de que haja ordem e bem-estar social. “(...) será governado da melhor maneira e de modo mais equânime aquele Estado em que aquele que deve governar não tenha a ânsia de fazê-lo, enquanto o contrário ocorre se os governantes têm ambição pelo poder” Platão. O verdadeiro político, no pensamento Platônico, não ama o poder, mas dele se utiliza como instrumento para a produção de serviços destinados à realização do bem. Esta lição é oportuna, em época de decisão política, nos convida à reflexão sobre os aspectos de justiça conforme as Escrituras, nosso guia de conduta. É preocupação do Senhor também o nosso bem-estar, não da forma como pensam os defensores da Prosperidade, mas quero fazer uso de outro pensamento Platônico para definir o bem-estar social conforme as Escrituras: “A idéia do bem (...) quando compreendida, se impõe à razão como a causa universal de tudo o que é bom e belo” Platão, ou como traz o Texto de Ouro desta lição: “ O objetivo principal do Evangelho é levar o homem a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, a fim de que haja ordem e bem-estar social”. Há um ditado latino que espelha bem a justiça secular: "Dura Lex sed Lex” (Dura é a lei, mas é a lei). Nota-se nesse ditado a inflexibilidade e dureza da lei e sua aplicação. A Bíblia não define assim sua justiça. A tradução do termo hebraico torah por "lei" é indevida. Torah (do hebraico תּוֹרָה, significando instrução, apontamento, deleal) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. O substantivo torah vem da raiz verbalyarah que quer dizer lançar, ensinar, instruir. O Salmo 19.7-9 lança mais luzes sobre o significado de Torah: “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.” A lei do Senhor não é dura e inflexível. Pelo contrário, é tão perfeita que faz a vida voltar; é firme e torna o sábio simples, alegra o coração, ilumina os olhos. Por quê? A resposta está no critério do julgamento divino: amor, bondade etc. Assim se desvenda o mistério nas palavras de Jesus para João Batista: “[...] Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça...” (Mt 3.15). Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social, portanto, a obrigação de amar o nosso próximo nunca pode ser reduzida para somente uma parte dele. Devemos amar nosso próximo como Deus o criou (o que é mandamento para nós), então, inevitavelmente, estaremos preocupados com o seu bem-estar total. A igreja recebeu um importante papel social. As questões políticas e sociais foram assuntos defendidos pelos profetas em sua época. Como coluna e firmeza da verdade a Igreja deve, através de suas ações, denunciar injustiças sociais e também amparar os injustiçados (Mt 25.35-46). Precisamos ter a Palavra de Deus no coração para não pecarmos contra o Senhor (Sl 119.11).
3. Adoração ao Senhor. Neemias fez uma oração clássica incluindo adoração, confissão, lembrança do compromisso de Deus com seu povo e petição. Enfrentou os obstáculos com determinação e coragem, porque sabia que aquela luta não era sua, mas do Deus de Israel; a oposição não era ao remanescente, o desprezo dos povos vizinhos era pelo Deus de Israel. Neemias igualou o estado do muro ao estado da obediência do povo ao Senhor. Ele entristeceu-se, chorou e lamentou, na verdade, pela reputação de Deus. Agora, ele sobressai mais uma vez pela convicção de que Deus é o que peleja pelos seus. Não obstante isso, Neemias agiu de forma equilibrada: fé e trabalho, oração e precaução, confiança e ação. Precisamos urgentemente aprender a agir da mesma maneira.
SINOPSE DO TÓPICO (III)
O líder deve ter uma vida de oração, leitura da Palavra e também de adoração.
CONCLUSÃO
É inegável que, quem está em posição de liderança, serve de referência para os demais, e sua influência, boa ou má, atrai seguidores. Neemias como líder político, Esdras como líder religioso, e todos os demais líderes que auxiliaram nessa reconstrução, influenciaram aquela geração e deixaram marcas e princípios importantes também para nós hoje. Porém, o que mais sobressai, é que o nosso relacionamento com Deus deve ir muito além de nossa presença nos serviços regulares da igreja ou nossos momentos de devoção particular. Deve afetar nossos relacionamentos, nosso tempo e nossos recursos materiais (Ne 10.30,31,32-39). Quando assumimos o compromisso de servir a Deus, foi desse modo que firmamos o compromisso. Na história de Israel, o povo tem se afastado ciclicamente do Senhor, nós, porém, devemos manter firme o compromisso original, quer seja em adversidade, quer seja em prosperidade! Afinal, como afirma o comentarista da lição, liderança é, acima de tudo, caráter e exemplo (1Pe 5.1-3). Certamente sem tais quesitos, os resultados são deploráveis.
"Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Francisco A Barbosa
Subsídio para o Professor
I. DEUS ESCOLHE E PREPARA LIDERES PARA SUA OBRA
Segundo afirma J. Oswald Sanders, “líderes espirituais não são feitos mediante eleição ou nomeação por homens ou quaisquer grupos de homens, nem por reuniões eclesiásticas ou sínodos. Só Deus pode fazer líderes. O simples fato de uma pessoa ocupar um lugar de importância não a torna um líder; fazer cursos de liderança não produz líderes; a resolução de tornar-se líder não faz da pessoa um líder”.[1]
“[…] todo líder deve ter a certeza de que sua tarefa foi designada por Deus e Deus está nela, pois os fardos são muitos pesados e são muitas as horas de dedicação. É importante que os que têm a responsabilidade de escolher o líder também sintam que essa é uma escolha de Deus”.[2]
Existem inúmeras pessoas ocupando funções e cargos de liderança na igreja, sem, contudo, estarem habilitadas ou serem vocacionadas por Deus para isso. Pode ser familiar ou parente de quem quer que seja, pode ter dinheiro, pode ser amigo de “fulano” ou “beltrano”, pode ter status social, ser influente etc., se Deus não chamou, essa liderança não produzirá os resultados (frutos) esperados.
A escolha de um líder espiritual deveria sempre ser precedida por uma “revelação” visível ou audível da parte de Deus. Um sentimento que promovesse paz e segurança para o coração daqueles que são responsáveis pela indicação de novos líderes. Mas nem sempre isto acontece. Cada vez mais, os propósitos para a indicação de líderes são norteados por interesses pessoais e egoístas por parte daqueles que são detentores do poder de indicar. Há pessoas na igreja que brigam, atropelam, pisam, morrem e matam para serem líderes. Poderão até chegar a alcançar uma posição de líder, mas nunca serão líderes de verdade.
Se você não foi escolhido por Deus para liderar Seu povo, não importa quão maravilhoso seja seu caráter, ou quão bem habilitado você está para a tarefa, você nunca se tornará um grande líder cristão. Por outro lado, tenha a absoluta certeza, de que, se você foi vocacionado pelo Senhor para ser um líder, ninguém, nem nada, poderá impedir que esse propósito de Deus se cumpra de maneira cabal em vossa vida. Pense nisso!
II. AS CARACTERISTICAS DE UM LIDER
1. Integridade espiritual. Integridade é o proceder santo; é o caráter diferenciado do mundo e da sociedade em que vivemos; é não se conformar com os costumes e modismos que nos cercam; é seguir um padrão de comportamento Bíblico diante de uma sociedade corrupta e imoral. É acima de tudo ser fiel a Deus e à sua Palavra. Em romanos 12:2 o apostolo Paulo assim admoesta: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. O apóstolo Pedro também diz: “Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância”(1Pe 1:14).
Neemias foi um homem integro e temente a Deus, não se limitou a reconstruir os muros e reformar as portas de Jerusalém, mas foi usado por Deus para corrigir desmandos e desvios que estavam ocorrendo em Jerusalém. Restaurou os cultos conforme os ditames da lei de Deus. Ele reconheceu que os casamentos mistos que o povo contraiu eram prejudiciais ao fortalecimento da nação, e exortou o povo a que se separasse dessas pessoas. Em alguns momentos agiu de forma radical, como colocar guardas na entrada da cidade para impedir que houvesse comércio no sábado, mas o fez com o objetivo de tornar viva a lei de Deus para o povo. O autêntico líder espiritual conduz o povo à santidade e a um viver íntegro.
2. Integridade moral. Ter uma vida moral reta é algo que não tem preço; não se pode comprar. Tendo uma vida limpa perante Deus e das pessoas, o líder terá uma visão clara de seus alvos e objetivos; será mais fácil para ele alcançar seus objetivos. Pessoas com problemas de visão procuram um oftalmologista para corrigir o problema. Líderes com problemas em sua vida moral, terão uma visão distorcida do ministério, não mais agirão com clareza. Por isso, é fator primordial ter uma vida limpa.
3. Um testemunho irrepreensível. É indispensável que o líder exerça a sua liderança ao lado de Deus. Para isso, é necessário que o coração do líder seja inteiramente de Deus (2Cr 16:9). Seu viver deve ser irrepreensível(ler 1Tm 3:2; Tito 1:6,7). O que ele ensina em relação às verdades espirituais da Palavra de Deus, devem condizer com a verdade. Não deve acontecer de que um membro chegue diante dele e o acuse de não estar praticando o que prega, de não estar cumprindo este ou aquele outro mandamento da Palavra de Deus.
Os inimigos de Neemias tentaram denegrir a sua imagem com falsas acusações. Mas permaneceu firme em seu trabalho, não se deixando levar pelos comentários maliciosos de seus inimigos, e sempre motivando seus companheiros a que permanecessem constantes em suas posições. Ele entendeu que as falsas acusações que lhe foram enviadas eram frutos da inveja, e agiu focado em sua missão, demonstrando, cinquenta e dois dias depois, o resultado de sua fé, de seu trabalho e de sua coragem: os muros de Jerusalém reconstruídos e as portas reformadas.
Outro exemplo é o de Daniel. Ele era irrepreensível, nada havia que as pessoas pudessem falar com relação a faltas em sua vida. Sendo assim, seus inimigos tentaram achar algo para acusá-lo na lei de Deus. Nada encontraram. Por fim, tiveram que fazer algo para que ele viesse a cair, mas sua vida espiritual era tão elevada que mesmo diante do decreto do rei, ele não sucumbiu. Sua firmeza espiritual foi o seu segredo (Daniel cap. 6). Não esqueçamos que liderança é exemplo. O discurso do líder tem de ser coerente com a sua prática.
4. Exerce influencia em tudo que faz na vida das pessoas. O líder é uma pessoa cuja influência se faz sentir em todos os aspectos. Por onde quer que vá, ele é alvo de observações e por isso há de exercer uma influência na vida das pessoas que o cercam. Ele não deve procurar fazer certas coisas somente para que outras pessoas vejam que ele está fazendo, mas ele deve ter em sua mente que quando ele faz alguma coisa os outros estão observando o seu modo de fazer ou agir. Até mesmo tudo o que o líder fala, faz ou pensa serve para influenciar os seus liderados, quer positiva, quer negativamente. De uma maneira ou de outra, o líder, influenciará os seus liderados em tudo o que faz, portanto, é necessário que se tenha o máximo cuidado para não ser uma influência negativa na vida deles.
III. A VIDA DEVOCIONAL DO LIDER DE DEUS
1. A oração. Sem oração o líder não vai a lugar algum. Não se pode conduzir o rebanho de Deus sem oração. O líder que negligencia esta ferramenta é considerado presa fácil para Satanás, por ausência do poder de Deus em sua vida. Por meio da oração, o líder busca saber a orientação de Deus para os determinados fins que aspira realizar. As vitórias são conquistadas quando os joelhos são dobrados diante de Deus. A oração é a nossa maior arma; é o maior meio que nós temos para recorrer aos recursos infinitos de Deus.
O Senhor Jesus Cristo é o nosso maior exemplo. Ele começou Seu ministério terreno em oração. Deu prosseguimento ao ministério em oração e terminou a Sua vida aqui na terra da mesma forma que iniciou, em oração (Mt 26:39-42; Lc 5:16; 22:41-44). Que belíssimo exemplo a ser seguido, imitado, almejado. O líder deve ser exemplo.
Muitas vezes, o líder se encontra sob o peso da responsabilidade da liderança para com os liderados. Esse peso pode drenar-lhe muito de suas forças e energias. Quando este se encontra sobrecarregado com o peso do ministério e as várias circunstâncias que podem estar à sua volta, provavelmente o único meio de vir a aliviar sua tensão é através da oração. A oração deve ser a base para todo líder prosseguir com o seu ministério. Sem oração não existe liderança profícua.
Neemias era um homem dedicado à oração. Orou no palácio, pedindo a Deus pela oportunidade de poder ir a Jerusalém e restaurar a cidade(ler Ne 1:5-11). Ele orou diversas vezes, rogando a Deus que o direcionasse em seus desafios, e acima de tudo, reconheceu que Deus estava dirigindo a história da restauração.
Qualquer obra que for feita deve ser em oração. Os servos de Deus, em comunhão com Ele, têm ousadia em falar com Ele, da mesma forma que Neemias teve ousadia em falar com o rei(Ne 2:1-8). A oração é uma verdadeira luta, uma luta que o obreiro de Deus deve tratar sem se cansar(1Ts 5:17). A oração deve ser como sangue que passa em nossas veias, constantemente.
2. O estudo da Palavra de Deus. Além da oração, outro aspecto que deve ser uma constante na vida espiritual diária do pastor que lidera é a leitura e o estudo da Bíblia Sagrada, que é a Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus e a principal fonte de revelação da vontade de Deus para com o homem. Se queremos ter uma vida de comunhão com Deus, faz-se mister que saibamos qual é a vontade dEle para com o homem e esta vontade está estampada na Palavra de Deus.
O ponto fundamental para conhecermos o caráter e a vontade de Deus é conhecer a Sua Palavra e, por este motivo, Jesus sempre demonstrou que Seu ministério nada mais era senão o cumprimento das Escrituras (Mt 5:17,18; João 5:39; Lc 24:44-47). O estudo e o ensino da Palavra era, ao lado da pregação do Evangelho, o principal e exclusivo trabalho dos apóstolos na igreja primitiva (At 6:2,4). O apóstolo Paulo foi um líder que deu imenso valor o estudo da Palavra de Deus. Em Éfeso, ele ensinou a Palavra durante dois anos, e o ensino era diário - Leia Atos 19:8-10.
Vimos no capítulo 8 de Neemias que o povo se reuniu para ouvir a Palavra. A leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram choro pelo pecado e alegria de Deus na vida do povo. Vimos também que a liderança reuniu-se para aprofundar-se no estudo da Palavra e o resultado foi a restauração da vida religiosa de Jerusalém. Essas reuniões de estudo aconteceram durante 24 dias (8:1-3,8,13,18; 9:1). Havia fome da Palavra. O estudo e a obediência dela trouxeram um poderoso reavivamento espiritual. Não temos nenhum outro relato bíblico de um culto tão impressionante quanto esse, quando o povo, pelo exemplo de seus líderes, reuniu-se durante um mês para estudar a Palavra e acertar a sua vida com Deus.
Através do estudo da Palavra de Deus, liderado por Esdras e Neemias, os israelitas compreenderam que se tivessem guardado a Lei do Senhor não tinham ido para o cativeiro, as cidades não tinham sido devastadas e os muros não necessitavam de reconstrução. O arrependimento pelos pecados cometidos fez com que o povo de Israel assumisse um compromisso de obedecer ao Senhor e à Sua Palavra.
O salmista alerta que a felicidade do homem está em ter prazer na lei do Senhor de dia e de noite (Sl 1:1,2) e, desde o tempo de Moisés, é dito que o segredo da própria vida espiritual é o fato de termos conhecimento e praticarmos, dia-a-dia, a Palavra do Senhor (Dt 6:1-9).
Portanto, o pastor que exerce liderança deve ser um homem que ame de verdade a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Ele não pode ler e estudar a Bíblia profissionalmente, buscando mensagem; deve lê-la e estuda-la com avidez, e respeitá-la. Ao subir ao púlpito, o povo deve ver seu amor e seu zelo pelas Escrituras. Ao expô-la, ele deve mostrar conhecimento da Bíblia e como ela se aplica à vida do povo. Para acontecer isto, o pastor deve estudá-la.
3. Adoração ao Senhor. Os nossos compromissos com Deus não devem ser apenas gerais, mas também, e, sobretudo, em áreas específicas como, por exemplo, a adoração ao Senhor. O fim principal da nossa vida é glorificar e adorar a Deus, por isso o culto deve ser o centro da nossa vida. O rev. Hernandes Dias Lopes citando John Piper diz que adoração, e não missões, é a ocupação principal da igreja, porque Deus, e não o homem, é o centro de todas as coisas. O propósito de missões é que os povos adorem o Deus vivo, que está assentado no trono do universo. Conforme disse Hernandes Dias Lopes, John Frame, escrevendo sobre adoração, afirma: “A adoração deve ser teocêntrica. Nós adoramos a Deus porque Ele supremamente merece ser adorado e deseja ser adorado. Nós adoramos para agradar a Deus e não a nós mesmos. Nesse sentido, adoração é vertical, focada em Deus. Não devemos adorar para sermos entretidos ou para melhorar a nossa auto-estima, mas para honrar nosso Senhor que nos criou e nos redimiu”.
Na dedicação dos muros e portas de Jerusalém, Neemias preparou um culto especial de adoração e louvores a Deus (Ne 12:27) e ordenou que dois corais fossem à frente dos cortejos durante a celebração(Ne 12:38). O verdadeiro líder adora a Deus, porque sabe que toda a glória deve ser endereçada ao Senhor de toda a glória. Neemias adorou a Deus: “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível, que guardas o concerto e a benignidade para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos!”(Ne 1:5). Deus deve ser adorado por ser quem ele é: bendito, exaltado, supremo. Diante dele os anjos se curvam. “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém“(1Tm 1:17).
CONCLUSAO
O segredo da vitória de Neemias frente aos desafios que enfrentara, foi a sua “integridade”. O verdadeiro servo de Deus deve ser um íntegro, ou seja, estar inteiramente moldado pelo Senhor. É a sinceridade (ser “sem cera”, sem qualquer trinco em seu caráter), que nos permitirá vencer o mal e alcançar a vida eterna. Será que podemos repetir as palavras do apóstolo Paulo: “sede meus imitadores, como eu sou de Cristo? “(1Co 11:1). Não nos esqueçamos de que nosso Deus conhece o íntimo do homem (1Sm.16:7; Jo 2:23-25). Assim, não adianta participarmos dos cultos e demais reuniões se não formos sinceros, íntegros e tementes a Deus.
Concluindo, gostaria de dizer que há muito para se reconstruir em nossos dias, ou seja, o mundo (humanidade) está com os muros fendidos e as portas destruídas. A humanidade está em calamidade espiritual, moral e material. Deus precisa contar com mulheres e homens destemidos e determinados para refazer lares e revitalizar vidas. Aprendamos, pois, com Neemias que em momento algum retrocedeu. Não faltaram motivos para que esse servo de Deus viesse a fracassar ou desanimar com o ministério que Deus lhe havia confiado, ou seja, revitalizar a cidade de Jerusalém que estava totalmente destruída (cf Ne 2:13-17). No entanto, mesmo diante dos obstáculos foi capaz e muito perseverante em seu objetivo, buscando forças no Senhor para começar e terminar a tarefa de reconstrução da cidade. Coragem, determinação, comprometimento, motivação, amor à obra de Deus e outras qualidades foram muito importantes para o sucesso e triunfo ministerial de Neemias. Da mesma forma a liderança das igrejas locais podem muito bem ser comparadas ao trabalho de Neemias, pois o dia-a-dia de um pastor-líder é desafiador e muito desgastante. Como Neemias, o pastor enfrenta todo tipo de oposição. Apesar de tudo, o Senhor Jesus falou que: “ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”(Lc 9: 62).
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS:
-. Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2011, Jovens e Adultos, Neemias - Integridade e coragem em tempos de crise. Comentário: Elinaldo Renovato; CPAD. p. 91 a 96;
CITAÇÕES:
[1]. A Bíblia da Mulher, Mundo Cristão e SBB, 2003. Nota textual de Neemias 1.1, p. 606;
OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. BENTHO, E. C. A Família no Antigo Testamento. História e Sociologia. 5.ed., RJ: CPAD, 2011.
William Macdonald - Comentário Bíblico popular(Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador Cristão - nº 48.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico Beacon - CPAD.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Hernandes Dias Lopes - Neemias -o líder que restaurou uma nação.
BARNA, George (editor). Líderes em ação: sabedoria e encorajamento na arte de liderar o povo de Deus. Campinas, SP: United Press, 1999.
[1] SANDERS, J. Oswald. Liderança espiritual: os atributos que deus valoriza na vida de homens e mulheres para exercerem liderança. São Paulo: Mund Cristão, 1985.
[2] HABECKER, Eugene B. Redescobrindo a alma da liderança. São Paulo: Vida, 1998.
Nenhum comentário:
Postar um comentário