13 dezembro 2011

Fracasso de público Festival Promessas fica longe das expectativas da Globo

O Festival Promessas que teve sua gravação no último dia 10, sábado, não atingiu as expectativas da Rede Globo, organizadora do evento. A Globo tinha a expectativa de que 200 mil pessoas poderiam participar da gravação no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, mas as estimativas atingiram apenas 10 % da expectativa. Cerca de 20 mil pessoas compareceram no dia para assistir ao show.
Com quase oito horas de duração, uma megaprodução e cantores consagrados no meio gospel, a programação faz parte do especial de Natal que será transmitido pela Rede Globo no dia 18 de dezembro.
Para especialistas isso não só significa uma rejeição por parte dos evangélicos a emissora de TV, como também a prova de que a Rede não estaria preparada para organizar um evento evangélico, já que alguns participantes reclamaram a ausência de outros nomes importantes da música evangélica.
Os artistas que participaram desta primeira festa evangélica organizada pela Globo foram: Pregador Luo, Eyshila, Damares, Ludmila Ferber, Regis Danese, Fernandinho, Fernanda Brum, Davi Sacer e Diante do Trono.
Outra razão para o fracasso de público seria a desmobilização das denominações, comunidades e organizações evangélicas na promoção do evento. Além da má condução no processo de lançamento deste prêmio.
A 'Folha.com' e outros noticiosos apontaram a ausência de nomes importantes como Aline Barros e outros artistas, que ficaram de fora da premiação, como razões para o público minguado do evento. Pura bobagem. Quem ficou de fora, com a honrosa excessão de Cassiane, não está com esta bola toda não.
Outros eventos contando com um elenco muito menos expressivo do que o reunido no “Promessas” juntou multidão dez vezes maior. Não precisamos ir muito longe: Diversos shows do próprio Diante do Trono reuniram público próximo ao esperado para este evento e, justiça seja feita, Aline Barros nunca juntou sozinha público comparável ao de Ana Paula Valadão.
Portanto, a ausência de outras estrelas não foi a razão do insucesso de público. As escolhas feitas e as decisões de boicote de outras gravadoras são movimentos de disputa de mercado. Obviamente, o “Promessas” não é “neutro e a escolha dos participantes foi muito influenciada pelos interesses da gravadora Som Livre. Contudo, há três questões que realmente pesaram no fracasso de público, na opinião de quem entende do assunto:
A chuva. O público-alvo deste segmento de música é pertencente às classes B, C e E, majoritariamente, e o evento realizado na Zona Sul em local descoberto, distando uma boa caminhada da estação de metrô mais próxima e dos pontos de ônibus, debaixo de chuva forte, é francamente desfavorável à presença deste público que reside em locais distantes do centro e das áreas mais nobres da cidade.
 
Mas veja bem: a questão do perfil popular do público é a crucial. Não fosse por isto, a chuva não faria tanto estrago. Basta lembrar que o show de Roberto Carlos, no final do ano passado levou um milhão de pessoas à praia de Copacabana debaixo de uma chuva muito forte que só cedeu com o show pela metade. Ou seja, no popular: quem gosta deste tipo de música anda de buzão e mora longe.
Show de Roberto Carlos atraiu  1 milhão com chuva forte.
Outra boa razão foi a total desmobilização das denominações / comunidades evangélicas na promoção do evento. Shows de música gospel, queiram ou não, são entendidos pela maioria como eventos “espirituais” e a mobilização e o envolvimento das lideranças faz toda a diferença. Em geral, as comunidades vão aos shows, mais do que os indivíduos.
Finalmente, quem é do ramo sabe: Todo o processo de lançamento deste prêmio foi muito mal conduzido pelos gestores. Estes apostaram nos profissionais errados para a promoção, geraram antipatias com diversos grupos por conta de algumas ausências e escolhas fora de propósito, em questões de imagem e comunicação forçaram muito a barra no uso de jargões, simbologias e associações doutrinarias esdruxulas, carregaram nas tintas do marketing espiritual e, no fim das contas, conquistaram mais antipatia do que simpatia entre a liderança da igreja.
A TV Globo vai aprender, a duras penas, que neste “mundinho evangélico religioso” ninguém coloca azeitona na empada gospel de outros ministérios, grupos, lideranças, etc. e os “artistas” ainda tem sua imagem muito colada com suas respectivas denominações. Se a TV Globo mantiver uma estratégia forçadamente espiritual para um empreendimento claramente comercial vai descobrir que até tem crente bobo, mas a liderança é esperta e, para a maioria, a TV Globo “falando gospel” desce arranhado a garganta até mesmo do “levita” mais empedernido.

A expectativa agora é que a emissora alcance bons índices de audiência na transmissão do Festival.
Paulo Alves

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