19 agosto 2011

Lição 8 – Igreja – Agente Transformador da Sociedade


21 de agosto de 2011
Texto Áureo


E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” (Mc 2.17).
Jesus se compara a um médico que vai aonde há verdadeira necessidade. é tão absurdo Jesus recusar-se a lidar com pecadores publicamente reconhecidos como um médico recusar-se a tratar dos doentes. Os fariseus que se consideravam justos, ficaram indignados por Jesus participar de uma refeição com os pecadores. Mas Jesus prazerosamente se associava com os desprezados, porque os amava e sabia que precisavam ouvir o que Ele lhes tinha a dizer. Jesus sempre gastou seu tempo com qualquer um que precisasse ouvir sua mensagem, pobres, ricos, bons ou maus. Também devemos nos aproximar daqueles que precisam de Cristo, mesmo que não pareçam ser a companhia ideal. Será que existem pessoas que você ignorou por causa da sua reputação? Elas podem ser as que mais necessitam ouvir de você a mensagem do amor de Cristo que esta em sua vida [1].
Verdade Prática
Jesus confiou-nos a missão de transformar a sociedade, na qual estamos inseridos, através do Evangelho.
Leitura Bíblica em Classe
Marcos 2.13-17/ Atos 2.37-41
Objetivos
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Explicar como a Igreja deve se relacionar com a sociedade;
- Compreender o papel de proteção social que a Igreja exerce na sociedade, e
- Conscientizar-se de que a evangelização e a atuação da Igreja podem restaurar a sociedade.
Palavra-chave
AGENTE
Que opera, agencia, age.
Comentário
(I. Introdução)
O texto de ouro da lição traz uma enfática declaração de prioridade da missão de Jesus. Nas palavras de Jesus, há tanto verdade quanto ironia severa. Os publicanos, as prostitutas e outros semelhantes são espiritualmente ‘doentes’, mas Jesus não pretende que os fariseus pensem em si mesmos como sãos (Lc 18.9-14). Jesus põe abaixo as categorias artificiais de toda religião legalista, baseada na justiça própria. Como o Antigo Testamento (Sl 14.1-3), Jesus ensina que todos são pecadores (Mc 7.1-8) e que a justiça é o primeiro e mais importante dom de Deus para os pecadores arrependidos (Sl 5.11-18; Lc 19.9; Rm 3.22). Jesus não só transformou e influenciou a sociedade na qual estava inserido, como dividiu a história da humanidade e seus feitos, sua vida, suas palavras têm voz até hoje. Na teologia desenvolvida por Paulo, a Igreja é identificada como ‘Esteio da verdade’ (1Tm 3.15), justamente aquilo que é maior necessidade do mundo de hoje. A pós-modernidade é caracterizada pelo relativo, hoje, o conceito de verdade é relativo. O homem, propositalmente, passa ao largo de tudo aquilo que está ligado à verdade. Durante nossa vida cristã aprendemos que a missão da igreja e do crente é ganhar almas para Jesus, que a missão delegada por ele à Igreja foi ‘ir’, afinal, Jesus veio para salvar o que se havia perdido (Lc 19.10). Usamos estratégias para o evangelismo, promovem-se eventos evangelísticos, ações sociais, ou simplesmente, saímos pelas ruas distribuindo folhetos e falando do Amor de Jesus. Contudo, ainda que seja legítima tais iniciativas, a preocupação com “projetos oficiais” da igreja tem substituído a ênfase no testemunho diário e ativo do cristão em meio à sociedade. A vida de Jesus não era só discursiva, era de prática. A Igreja precisa desenvolver o método de Jesus e cumprir verdadeiramente seu papel de sal da terra e luz do mundo, transformando o meio pela mensagem do Evangelho e estabelecermos uma relação de influência com a sociedade secular. Quando esta convivência ocorre, é esta última que acaba influenciando a primeira com resultados desastrosos para a ortodoxia da Igreja. Com esta lição, aprenderemos a influenciar o mundo política, econômica e culturalmente sem diluirmos a nossa mensagem na tentativa de aumentar o espectro de influência do evangelho. Como disse o Pr Antônio Gilberto: “A Igreja de Jesus – a verdadeira Igreja, aquela que teme ao Senhor e segue a sua Palavra – não pode se coadunar com a filosofia do mundo, que cada vez mais afunda no pecado. A Igreja neotestamentária é necessariamente diferente do mundo; de modo que, no dia em que a Igreja se coadunar com o mundo, e vice-versa, será o fim. Quando o mundo diz sim, a Igreja diz não. É assim que deve ser.”[2]. No dizer de Paulo: “Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele” (1Co.9.22,23). Boa Aula!
(II. Desenvolvimento)
I. A IGREJA E A SOCIEDADE
1. O que é uma sociedade? (latim societas, -atis); Reunião de pessoas unidas pela origem ou por leis; Estado social; associação amistosa com outros. Societas é derivado de socius, que significa ’companheiro’, e assim o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútua sobre um objetivo comum. Em Sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. A sociedade é objeto de estudo comum entre as ciências sociais, especialmente a Sociologia, a História, a Antropologia e a Geografia [3], [4]. O homem é um ser social por natureza. A pessoa humana necessita da vida social, porque ninguém é auto-suficiente. Por isso, temos a tendência natural que nos impulsiona a nos associar, com o fim de alcançar objetivos que excedem as capacidades individuais. O fim último da sociedade é a pessoa humana, e por isto a justiça social só pode ser conseguida se tem o devido respeito à dignidade transcendente do homem, criado por Deus a sua imagem e semelhança, com uma alma racional e com um fim supremo, que é a glória do Céu. Rui Barbosa afirmou: “família é a célula mater da sociedade”; “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornado-se os dois uma só carne” (Gn 2.24). Quando Deus instituiu a família visou ao homem e a sua esposa oportunidade de prazer, convívio mútuo e meio de procriação, uma forma de se multiplicar. Esta célula corre sério perigo de extinção, como escreveu John MacArthur: “Talvez sejamos testemunhas da morte da célula básica de toda a civilização, a família [5].
2. Jesus e a sociedade. Numa época em que a religiosidade judaica havia se cristalizado em torno de três práticas formais – esmolas, oração e jejum – o Senhor Jesus retomou e aprofundou essas preocupações, corrigiu algumas distorções vigentes, ensinando que a prática da caridade deveria ser humilde, desinteressada e motivada pelo amor (Mt 5.7; 6.1-4; 7.12). Ao anunciar o evangelho do reino, Ele apontou como uma de suas características a sensibilidade diante da dor alheia e a prontidão em assistir os desafortunados. Ele mostrou isso de modo magistral por meio de alguns de seus ensinos mais apreciados, como a parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30-37) e a inquietante história do Grande Julgamento (Mt 25.31-46).
3. A Igreja na sociedade. Deus tem chamado pessoas de diversas ocupações na sociedade, do mais pobre ao mais rico, do simples e tranqüilo trabalhador rural ao corrido e agitado homem da cidade grande. Na comunidade cristã, o amor não é apenas expresso através de demonstrações de respeito; é também expresso através da abnegação e da atitude de servir (Jo 15.13). De fato, pode ser definido como ‘uma doação abnegada’, alcançando, além dos amigos, os inimigos e os perseguidores (Mt 5.43-48). O amor é a nossa marca unificadora e que distingue. A experiência nos mostra que a missão da educação popular cristã é formada pelo conjunto das práticas educativas realizadas nas igrejas com e por membros que são dos setores populares e, vivem dentro de uma perspectiva bíblica, política, econômica, social e histórica de transformação do ser humano e da mudança social. Por sua vez, os membros, por serem populares pertencem ao conjunto plural dos grupos sociais explorados e excluídos tanto da administração do poder público como da distribuição desigual dos excedentes econômicos. O perfil sócio-econômico do Brasil é severo, com uma minoria de privilegiados, uma maioria de necessitados e uma classe média sufocada. Uma realidade distante do padrão social e ético de Deus. A maioria dos oprimidos sociais, ou seja, os excluídos em potencial pertencem ao conjunto multiforme e não organizado da classe operária, dos desempregados, dos desiludidos dos diferentes extratos sócio-econômico da pequena/média/alta burguesia, dos itinerantes religiosos, das mulheres em sociedade machista, dos indígenas, dos pequenos empresários, dos proprietários rurais, dos agricultores, dos sem-terra, dos discriminados por etnia, por raça, por idade, por gênero, por doenças mortais e infecto-contagiosa, deficientes, etc.. São todos protagonistas do cenário que a igreja, na perspectiva da Educação Cristã, é designada a inserirem no reino de Deus e, colaborar para que deles surjam uns como educadores e outros como educandos.
Sinopse do Tópico (1)
A nossa postura na sociedade deve ser a mesma de Jesus Cristo; temos sabedoria para agir e interagir sem nos contaminarmos com o pecado.
II. A IGREJA E A PROTEÇÃO SOCIAL
1. Através da oração. Os crentes têm o dever de interceder por aqueles que estão em eminência sobre nós se desejarmos colher os benefícios de um bom governo, que são um dom valioso de Deus para o bem-estar da Igreja e avanço do evangelho na sociedade. Precisamos não somente obedecer à lei e os governantes, mas também em nossas orações suplicar pela salvação deles. E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. (2Cr 7.14). Provavelmente este seja o versículo mais conhecido e mais querido de 2Cr. Nesta perícope, Deus promete que a nação de Israel receberia alívio das dificuldades causadas por seus pecados, contanto que os israelitas se voltassem para ele com humildade e oração. Se humilhar, uma atitude de contrição e de dependência de Deus (12.6,7,12; 30,11; 33,12,19,23; 34.27). No capítulo 6, Salomão pede a Deus que dissesse o que o povo deveria fazer quando cometesse algum pecado. Deus respondeu, oferecendo uma condição dupla com um resultado tríplice ao Seu povo escolhido (aquele que se chama pelo meu nome). Se o povo se humilhar (arrepender-se do seu pecado) e buscar a sua face em oração, então, diz o Senhor Deus, eu ouvirei... Perdoarei... E sararei. Deus executa os seus propósitos divinos em acordo com as orações dos seus filhos (Fp 1,9; Tg 5,16). Deus ouve o clamor e oração sincera de um povo que se humilha e se põe diante de Deus de coração aberto a Ele. Só assim Ele perdoará pecados. Os olhos, os ouvidos e o coração de Deus estão perpetuamente atentos àqueles que se voltam a Ele e progridem na obediência sincera a Cristo. Nós fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo para sermos o seu povo, a sua herança peculiar, a sua possessão santa. Fomos resgatados da maldição da lei e do pecado, não por coisas corruptíveis como a prata e ouro, mas pelo precioso sangue de Jesus. Somos povo de Deus, e a arma mais poderosa que Deus colocou em nossas mãos é a oração, pois por meio dela nos comunicamos com nosso Deus.
2. Por intermédio dos conselhos divinos. "Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é bem-aventurado" (Pv 29.18). À guisa de Rm 12.1,2, deve haver uma constante exposição doutrinária perante a congregação a fim de não permitir a conformação de muitos com o mundo. ‘Profecia’ aqui encerra o sentido de ‘visão’ e ‘revelação’ e afirma que a vontade revelada do Senhor e suas justas exigências conforme explícitas nas Escrituras, são o meio pelo qual o homem pode permanecer bem-aventurado. O objetivo principal da doutrina bíblica é levar o homem a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, a fim de que haja ordem e bem-estar social. “(...) será governado da melhor maneira e de modo mais equânime aquele Estado em que aquele que deve governar não tenha a ânsia de fazê-lo, enquanto o contrário ocorre se os governantes têm ambição pelo poder” Platão. O verdadeiro político, no pensamento Platônico, não ama o poder, mas dele se utiliza como instrumento para a produção de serviços destinados à realização do bem. Esta lição é oportuna, em época de decisão política, nos convida à reflexão sobre os aspectos de justiça conforme as Escrituras, nosso guia de conduta. É preocupação do Senhor também o nosso bem-estar, não da forma como pensam os defensores da Prosperidade, mas quero fazer uso de outro pensamento Platônico para definir o bem-estar social conforme as Escrituras: “A idéia do bem (...) quando compreendida, se impõe à razão como a causa universal de tudo o que é bom e belo” Platão, ou como traz o Texto de Ouro desta lição: “ O objetivo principal do Evangelho é levar o homem a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, a fim de que haja ordem e bem-estar social”. Há um ditado latino que espelha bem a justiça secular: "Dura Lex sed Lex” (Dura é a lei, mas é a lei). Nota-se nesse ditado a inflexibilidade e dureza da lei e sua aplicação. A Bíblia não define assim sua justiça. A tradução do termo hebraico torah por "lei" é indevida. Torah (do hebraico תּוֹרָה, significando instrução, apontamento, deleal) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. O substantivo torah vem da raiz verbalyarah que quer dizer lançar, ensinar, instruir. O Salmo 19.7-9 lança mais luzes sobre o significado de Torah: “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.” A lei do Senhor não é dura e inflexível. Pelo contrário, é tão perfeita que faz a vida voltar; é firme e torna o sábio simples, alegra o coração, ilumina os olhos. Por quê? A resposta está no critério do julgamento divino: amor, bondade etc. Assim se desvenda o mistério nas palavras de Jesus para João Batista: “[...] Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça...” (Mt 3.15). Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social, portanto, a obrigação de amar o nosso próximo nunca pode ser reduzida para somente uma parte dele. Devemos amar nosso próximo como Deus o criou (o que é mandamento para nós), então, inevitavelmente, estaremos preocupados com o seu bem-estar total. A igreja recebeu um importante papel social. As questões políticas e sociais foram assuntos defendidos pelos profetas em sua época. Como coluna e firmeza da verdade a Igreja deve, através de suas ações, denunciar injustiças sociais e também amparar os injustiçados (Mt 25.35-46).
3. Por meio dos valores cristãos. Muito antes de aparecer a expressão moderna justiça social, a Bíblia já preceituava: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Embora esse princípio bíblico fosse um excelente slogan para uma das tantas campanhas sociais que se vê por aí, ele vai muito, mas muito além do que isso. Quem tem esse amor altruísta, independente das pressões da justiça social, é solidário filantropicamente com seu semelhante, seja ele irmão na fé, patrão, empregado, vizinho, e mesmo um oponente. O valor humano não pode ser igualado à raça, riqueza, classe social ou nível educacional. Todos são significativos e valiosos para o Senhor (Mt 25.40). A atividade da Igreja se direciona em dois sentidos: vertical – adoração, atividades espirituais; horizontal – servir ao próximo, atividades filantrópicas e sociais. Por isso Deus estabeleceu ministérios na Igreja. Ministério significa serviço. Deus incluiu entre os ministérios dados a Igreja, o serviço social (Rm 12.8). Em Tiago 2.15, 16, vemos que a fé, da qual Jesus é o autor e consumador, opera por amor, voltado para o nosso semelhante. Veja Efésios 6.23 e Gálatas 5.6. Fé sem esse amor, bem como amor sem fé, ambos são inoperantes. Esta é a base não apenas do Antigo Testamento, mas das Escrituras como um todo, para a reformulação do conceito de 'justiça'. Muitos têm aptidão para a política, os que lá estão têm a incumbência de falar o que é pertinente à justiça social, ao bem-estar comum, construir estratégias de ação social que vá de encontro ao que preconiza as Escrituras. O bem-estar físico e material do ser humano deve ser também uma preocupação da Igreja enquanto ela estiver aqui na Terra.
Sinopse do Tópico (2)
A Igreja pode auxiliar a sociedade através da oração, dos conselhos divinos e da prática dos valores cristãos.
III. A IGREJA E A ASSISTÊNCIA À SOCIEDADE
1. A evangelização. Temos hoje no Brasil grandes ministérios, com suntuosos templos, bem equipados e confortáveis, mas é possível freqüentar tais lugares e voltar para casa vazios. Em nossa cultura evangélica tupiniquim, dá-se mais valor ao templo e/ou denominação a que se pertence do que a um comprometimento com o SENHOR semelhantemente como nos dias de Jeremias. Nos programas de TV, a ênfase recai mais na placa da igreja onde pertencer a esse ou aquele grupo é mais importante do que ter uma vida transformada para Deus. O que temos hoje é uma geração de crentes que depositam sua fé no templo do qual fazem parte porque já não são templos do Espírito Santo. Em 2ts 1.10, a frase 'o nosso testemunho não foi crido entre vós', se refere ao fato de que os missionários, além de proclamar as verdades do Evangelho, tinham prestado testemunho ao poder dessas verdades. Strong define o termo 'testemunho', do gregomarturion, como prova, evidência, testemunho e proclamação de experiência pessoal; e o termo grego marturia como testemunho, atestado histórico, evidência, certificação judicial ou geral.Marturia descreve um testemunho baseado no que alguém viu, escutou ou sabe. O termo `martus`, de onde provém o português mártir e martírio, fala de alguém que testifica a verdade que viu, uma testemunha, alguém que tem conhecimento de um fato e pode dar informações a respeito. Disto se entende que, o crente enquanto testemunha do Reino, proclama ao mundo não regenerado sua experiência pessoal com o Evangelho e o seu poder transformador. Todo crente verdadeiro é um missionário enviado ao mundo para dar testemunho de Cristo, para alcançar os perdidos onde possam ser encontrados e conduzi-los ao Salvador. ‘E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam’ (Jo 1.5). O fato de que Jesus é a expressão eterna, definitiva de Deus, continua desconhecido da humanidade. O mundo, apesar da graça comum, é incapaz de apreender esse mistério. A função da igreja é apoiar e transmitir ao mundo a verdade que Deus revelou. É mediante o testemunho da igreja que os pecadores são alcançados pela mensagem do Evangelho, nascem de novo e passam a fazer parte do Corpo de Cristo (1Co 11.26). é interessante que, Jesus comissiona seus discípulos da mesma forma que Ele foi comissionado pelo Pai –‘Assim como o Pai me enviou, também eu envio a vós’ (Jo 20.21). Strong define o termo ‘enviou’, do grego ‘apostello’, como “comissionar, separar para um serviço especial, enviar uma mensagem através de alguém, enviar com uma missão a cumprir, equipar e despachar alguém com total apoio e autoridade de quem enviou” [7]. O evangelho de João apresenta a divindade de Jesus – o Filho de Deus. Como Deus, ele criou todas as coisas e, como Deus, ele veio para redimir a todos – trazer a totalidade do perdão. Esse aspecto de sua missão é transmitido a seus discípulos, bem como seu comissionamento: ir com o perdão. Começou aqui tanto um mandato como uma missão: ‘Eu vos envio a vós’. Precisamente, tanto como o Pai enviou o Filho para trazer a salvação como uma disponibilidade para todos os seres humanos (Jo 3.16), nós também somos enviados para garantir que a disponibilidade seja compreendida por todos[8].
2. A ação social. Por que a Igreja precisa se envolver com ação social? Essa pergunta já deveria estar ultrapassada no cotidiano missionário das igrejas locais, mas de tempos em tempos ela surge com maior ou menor força. É muito difícil encontrar um pastor ou um crente fiel que considere a ação social algo desnecessário ou não essencial na missão da Igreja. ’E, servindo eles ao Senhor...’ (At 13.2). Este é o comissionamento do grande ministério apostólico de Paulo. Servindo traduz um verbo usado pelo serviço sacerdotal oficial. Aqui refere-se ao seu ministério da adoração pública. O termo grego leitourgeo pode ser traduzido como realizar atos religiosos ou de caridade, cumprir uma tarefa, realizar uma função, oficiar como sacerdote, servir a Deus com orações e jejum. A palavra descreve o sacerdócio arônico ministrando serviços levíticos (Hb 10.11). Em Rm 15.27, é usado para atender necessidades financeiras dos cristãos, realizar um serviço ao Senhor ao fazê-lo. Aqui, os cristãos de Antioquia estavam cumprindo uma tarefa e dispensando uma função normal ao ministrar ao Senhor através de jejum e orações[9]. Aqueles crentes, mesmo estando longe dos seus irmãos de Jerusalém, resolveram enviar sua ajuda para atender as necessidades daqueles crentes distantes - um princípio que a igreja faria bem em observar hoje; o amor é mostrado não somente em um gesto heróico de dedicação, mas em uma vida diária de compaixão e de serviço.
3. Restaurando a sociedade. O Reino de Deus é uma dádiva que está presente tanto na Pessoa de Jesus Cristo quanto em seu Corpo, a Igreja. Nessa perspectiva, ela tem a responsabilidade de proclamar e demonstrar as virtudes do Reino de Deus como um espelho que reflete uma imagem. Um alto padrão é exigido – exemplificar Jesus Cristo em espírito e comportamento, bem como suas palavras e deveres. Os membros do Corpo são julgados não pelo que realizam, mas pelo caráter que revelam – quem eles são diante daquilo que fazem. Homens falíveis foram escolhidos para serem discípulos de Jesus e como todos os homens, eles lutavam contra o orgulho e a ambição (Mt 20.20-23). Percebendo sua luta, Jesus toma o exemplo de uma criança, afirmando que, no Reino de Deus, os grandes devem ser como tal criança – humilde, confiante e fácil de ensinar (Mt 8.4). Em outra oportunidade, quando a preocupação deles por 'status' surgiu novamente, Jesus declara que o maior é servo de todos (Lc 22.25-27). Tudo gira em torno da maior virtude no Reino – Humildade. É a humildade que nos permite reconhecer que Deus tem o lugar principal em nossa vida, que somos mortais e falíveis. Ela é o principio da sabedoria (Pv 22.4). As verdades do Reino de Deus são somente percebidas por aqueles que são humildes (Tg 4.6; Mt 5.3). Que eu e você, possamos como espelho, refletir o exemplo de Cristo e sermos verdadeiros representantes do Reino de Deus.
Sinopse do Tópico (3)
A evangelização e a ação social são os instrumentos que a Igreja dispõe para restaurar a sociedade.
(III. Conclusão)
Concluo afirmando que desde uma perspectiva evangélica a evangelização, ou seja, convidar os indivíduos, famílias e comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo, certamente é básica e essencial. Todavia, à medida que a igreja evangeliza, ela também precisa expressar o interesse de Deus por todas as áreas da vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”.
Subsídio para o Professor 
I. A IGREJA E A SOCIEDADE
1. O que é uma sociedade.O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada. A origem da palavra sociedade vem do latim societas, uma “associação amistosa com outros“. Societas é derivado de socius, que significa “companheiro”, e assim o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútuas sobre um objetivo comum. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinônimo para o coletivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico“(Wikipédia)
Ao decidir que o homem não poderia viver só, Deus criou a família(Gn 1:28), formando uma mulher, tirada do homem, para que, por meio da família, pudesse se constituir a sociedade. A família é a “célula-mater” da sociedade, ou seja, é a única origem possível para uma sociedade, é o grupo fundamental da sociedade e, como tal, deve ser tratada. Sem a família a sociedade desaparece.
A Bíblia ensina que não há como sustentar-se ou manter-se uma sociedade sem que se fortaleça a família, sem que a família tenha a devida proteção e seja honrada pelos demais grupos e estruturas sociais. A destruição da família implica na destruição da sociedade e o que vemos, na atualidade, é exatamente este processo de destruição. O inimigo de nossas almas tem atacado particularmente a família, pois sabe que, destruída a família, a um só tempo ele destrói a sociedade e cada integrante da família. A defesa da família e seu fortalecimento, portanto, é atitude que deve nortear todas as ações de cada crente em particular e da Igreja na vida em sociedade.
2. Jesus e a sociedade. Desde a infância, Jesus sabia como agir e interagir numa sociedade organizada (Lc 2:52). Ele era amorosamente amistoso (Lc 2:39-51). Ao contrário dos escribas e fariseus, Jesus não se importava de estar na companhia de publicanos e pecadores (Mc 2:15,16). Para comprovar nossa afirmativa, dentre dezenas, vamos citar quatro exemplos.
a) Jesus presente em Festas - “E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram convidados Jesus e seus discípulos para as bodas“(João 2:1-2). Ele não alegou que não podia aceitar o Convite. Pelo contrário, tendo sido convidado, ele foi. Não era uma festa só para as famílias dos noivos, não! Pelo contrário, eram muitos os presentes, tanto que a provisão de vinho não foi suficiente. Mas, não era somente numa festa de Casamento que ele podia ir. Ele comparecia, também, nas festas de caráter nacional, realizadas em Jerusalém, a Capital de Israel: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba… Então, muitos da multidão, ouvindo essa palavra, diziam: verdadeiramente, este é o Profeta”(João 7:37-40). Ele não vivia escondido do povo, mas, estava no meio dele.
b) Jesus aceitou um convite para jantar, ou cear. O convite foi feito por um fariseu. O Senhor Jesus não teve qualquer dificuldade em aceitar. Ele não fazia acepção de pessoas - “E rogou-lhe um fariseu que comesse com ele; e entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa”. Ele não apenas foi à casa do fariseu como também operou ali um milagre, salvando uma mulher pecadora durante o jantar”(Lc 7:36-38).
c) Jesus comia com publicanos e pecadores. Nenhum Judeu faria isto. Jesus, no entanto, não se preocupava sobre o que iriam falar a seu respeito se o vissem no meio daquela gente de baixa reputação. E, realmente, falaram: “aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (Mt 9:10-13).
c) Jesus andava sem qualquer receio, no meio da multidão. Jesus não pregava em cabines de vidros à prova de balas, não entrava e saía pelas portas dos fundos, não vivia cercado por seguranças. O cheiro do povo não o incomodava - “… E, indo ele, apertava-o a multidão. E uma mulher que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com remédios todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada. Chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue. E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: quem é que me tocou?”(Lc 8:42-45).
Enganam-se aqueles que pensam que para poder servir a Deus, para ser santo, é necessário viver recluso num Mosteiro, ou num Convento. Certamente que quem pensa desta maneira não conhece a oração sacerdotal de Jesus, quando pediu ao Pai pelos seus discípulos, entre os quais nós, hoje, nos incluímos, dizendo: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”(João 17:15).
É entre os homens de todas as camadas sociais sem qualquer distinção, que ele quer que seus discípulos estejam, porquanto os considerou como sal e como luz - “Vos sois o sal da terra…vós sois a luz do mundo”(Mt 5:13-15). Sal guardado à sete chaves e luz acesa no deserto, não faz sentido. Jesus não foi anti-social, não fugiu dos homens, não viveu recluso.
Se somos cristãos precisamos viver como Jesus viveu e fazer como ele fez. Ele quer que sejamos uma benção onde quer que estejamos, um instrumento de libertação de vidas, um agente transformador da sociedade em que vivemos. Para isto precisamos conhecer o segredo de Jesus. Jesus tinha um segredo: ele agia, pensava e sentia de forma diferente da dos homens de seu tempo, mas, vivia entre eles como se fosse igual. Sigamos o exemplo do nosso Mestre!
3. A Igreja na sociedade. Por estar no mundo e por se apresentar em grupos sociais, as chamadas “igrejas locais”, a Igreja acaba tendo de ter um papel importantíssimo perante a sociedade. Deus não nos tirou do mundo nem Jesus quis que isto se fizesse (João 17:15) e, diante desta realidade, assim como fez nosso Senhor, devemos, também, ter uma atuação social digna de nota, que sirva de testemunho de nossa comunhão com Deus.
Uma comunidade cristã que não interage com as pessoas à sua volta não completará a Grande Comissão, pois precisa justamente da interação para fazer Deus conhecido. Quando utilizamos essa expressão, não estamos dando a entender que a igreja precisa envolver-se com as práticas do mundo, ou associar-se a ele em seus pensamentos e ações. Não foi esse o projeto de Deus. Se uma igreja se associa com o mundo, acaba se parecendo com ele, perdendo sua característica de agente transformador comissionado pelo Senhor. Quando se fala em a Igreja interagir, isso implica viver e agir com o outro sem perder suas particularidades. Uma igreja pode envolver-se em ações sociais sem comprometer sua vocação e mensagem. Dependendo da sua estrutura, pode prestar assistência social - primeiramente aos domésticos da fé, como ordena a Palavra de Deus - a todos que precisarem, e oferecer-lhes o pão do céu, sempre mostrando que o alimento material é insuficiente sem o espiritual.
II. A IGREJA E A PROTEÇÃO SOCIAL
1. Através da oração. Um recurso eficaz e poderoso para abençoar e proteger a sociedade é a intercessão do povo de Deus. O apóstolo Paulo adverte-nos da seguinte forma: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam… orações… por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade“(1Tm 2:2). Aqui há uma menção especial aos reis e todos os que se acham investidos de autoridade. Eles devem ocupar lugar especial em nossas orações. Em outra passagem, Paulo nos lembra de que as autoridades foram instituídas por Deus(Rm 13:1) e que elas são os ministros de Deus para o nosso bem(Rm 13:4). Esse versículo ganha tom especial quando lembramos que foi escrito na época de Nero. As terríveis perseguições infligidas aos cristãos sob o comando do perverso imperador não abalaram a convicção dos cristãos de que deveriam orar por seus líderes governamentais. O Novo Testamento ensina que o cristão deve ser leal ao governo sob o qual vive, exceto quando o governo ordena que desobedeça a Deus. Nesse caso, a primeira responsabilidade é para com Deus. O cristão não deve se envolver em revoluções ou violência contra o governo. Deve simplesmente se recusar a obedecer a qualquer ordem contrária à Palavra de Deus.
Portanto, orar por todos os homens, incluindo reis e autoridades, é bom por si só e aceitável diante de Deus, nosso Salvador (1Tm 2:3). A omissão presente na Igreja na atualidade com relação à intercessão pela Pátria, seja em rogos, seja em orações, seja em jejuns, seja em ações e gestos de colaboração com o governo e demais segmentos sociais pelo bem-estar da coletividade, é mais uma demonstração da falta de amor que há no seio dos que cristãos se dizem ser.
Muitos têm preferido, na atualidade, fazer “declarações”,determinações” de que tal cidade é do Senhor Jesus, tal bairro é do Senhor Jesus, inclusive se “especializando” em “batalhas espirituais” contra “demônios territoriais”, como se isto fosse suficiente para transformar uma vila, uma cidade ou um país. Não é através de “palavras mágicas” ou “práticas ocultistas” que se conseguirá demonstrar amor pela Pátria, que se intercederá pela Pátria.
2. Por intermédio dos conselhos divinos. Antes da instauração da monarquia em Israel, os profetas eram os únicos canais humanos e legítimos de comunicação entre Deus e o povo. Alguns deles foram conselheiros de reis, vivendo na corte como Daniel e Isaías, cooperando com eles nos assuntos espirituais e políticos. Outros, como Jeremias, tiveram de enfrentar reis e autoridades incrédulas, buscando o bem-estar do povo.
Os profetas falavam em nome de Jeová, Deus de Israel, e suas profecias vinham diretas do Espírito Santo, que dava a eles o discernimento para interpretar os acontecimentos passados, os acontecimentos contemporâneos e os futuros. Além do mais, os profetas de Israel eram profundos conhecedores de seu povo e do sistema político, social e religioso de sua nação. Eles conheciam assuntos da casa real, das políticas interna e externa. Esses mensageiros do Senhor exerciam uma função social de grande importância: denunciavam as injustiças sociais e os pecados do povo, dos governantes e até dos sacerdotes(Jr 2:1 2,1 3,19; 25.3-7; Ml 1:1-2.17). Encontramos Isaias dando orientação sobre política internacional a Acaz(Is 7:3-7). O mesmo aparece com Jeremias(Jr 37:5-9). Daniel ocupou alto cargo na política da Babilônia (Dn 6:2-3). Oséias reprovou a aliança insensata do Reino do Norte com o Egito (Os 7:11) e denunciou os abusos e a luxúria nas festas da coroação dos reis(Os 7:5).
Clamemos a Deus para que levante homens autênticos para que falem ousadamente a sua Palavra. Sim, homens irrepreensíveis, a fim de aconselharem e confrontarem os pecados da nação (Mc 6:17,18).
3. Por meio dos valores cristãos. Nestes últimos dias, há um verdadeiro ataque aos princípios da “moral cristã”, ainda persistentes, sobretudo, no tratamento jurídico da família. Dissemina-se a prática do divórcio, ataca-se violentamente a instituição do casamento, com a legalização e aumento crescente das uniões sem casamento entre as pessoas, sem se falar na chamada “liberação sexual”, que deu guarida e conivência com todo o tipo de prática sexual condenada pelas Escrituras Sagradas, com especial enfoque no homossexualismo. E por falar em homossexualismo, antes era um assunto que gerava polemica e rejeição. Todavia, a TV e o meio artístico, como formadores de opinião tanto para o bem quanto para o mal, colocaram homossexuais em programas e novelas, que são vistos por milhões de pessoas, difundindo a idéia de que ser homossexual é perfeitamente normal, e não uma inversão de valores. Dessa forma, com o afrouxamento moral e das convicções antes tidas por certas, alarga-se a permissividade social e moral.
Esta permissividade no campo da família atingiu a sociedade como um todo, até porque a formação das gerações futuras ficou completamente comprometida, ante a instabilidade surgida com a multiplicidade de casamentos, com as uniões informais e com o aumento da promiscuidade sexual, que levou, inclusive, à legalização da prática do aborto.
A permissividade social é tanta que algumas igrejas ditas evangélicas estão sendo influenciadas pelo curso deste mundo(Ef 2:2). Entretanto, a Igreja não deve se omitir diante de erros que venham de encontro à Lei moral de Deus. A Igreja existe para anunciar o Evangelho, para proclamar a verdade e, como tal, não pode, em absoluto, se omitir quando medidas, atos e decisões forem tomadas em desacordo com a sã doutrina, que venham desestimular os valores cristãos.
Cada vez mais são intensas as investidas dos inimigos do Evangelho em nosso país. Como exemplos, citamos a apresentação de projetos para criminalizar a “homofobia”, para deformar o conceito de família. Vimos, recentemente, o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da união homossexual no Brasil, atropelando com nitidez o artigo 226 da Constituição Federal. A todas essas medidas diabólicas, dentre muitas que estão tramitando no congresso, quando muito, é apresentada uma tardia manifestação dos órgãos de cúpula das igrejas evangélicas, sem que haja uma mobilização permanente e preventiva em defesa da sã doutrina.
Não é comportamento de um cristão genuíno e verdadeiro o confronto, o uso da violência, o desrespeito e a irreverência, que tanto têm caracterizado o chamado “ativismo político”. Entretanto, dentro da lei e da ordem, dentro dos direitos fundamentais da pessoa humana, pode e deve o cristão apresentar suas reivindicações, proclamar o Evangelho e exigir que os governantes observem a Palavra de Deus. Como João Batista, não podemos nos calar ao vermos as “ilicitudes” dos governantes, chamando-os, de modo pacífico, ordeiro, mas firme e com autoridade do Espírito Santo, à verdade, mesmo que isto custe a nossa cabeça (Mc 6:18). Exemplo de reivindicação bem sucedida e que se pautou pelos parâmetros cristãos temos na luta pela concessão de direitos civis aos negros norte-americanos pelo pastor batista Martin Luther King (1929-1968).
Quais pastores têm se levantado contra as ilicitudes dos governantes, de forma clara e contundente? Não tenho visto nenhum, exceto o pr. Malafaia, que tem sido o homem que mais tem combatido os projetos políticos nefastos que tendem denegrir os valores morais cristãos, os padrões morais da Igreja do Senhor e da família, dentre outras cousas. Carecemos desesperadamente de homens destemidos, que não olhem para o seu umbigo, que venham a defender, através dos meios de comunicação, os valores cristãos e os princípios estabelecidos por Deus nas Escrituras Sagradas.
III. A IGREJA E A ASSISTÊNCIA À SOCIEDADE
1. A evangelização. “[…] Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho”(PACTO DE LAUSAME - CAP.6).
A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, seja a pior pessoa que exista sobre a face da Terra. Não cabe à Igreja julgar os homens e dizer a quem deve, ou não, ser pregada a Palavra. O Senhor foi enfático em dizer que toda criatura deve ouvir a mensagem do Evangelho, seja esta pessoa quem for. É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus, Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo, e nós, o que estamos a fazer?
2. A ação social. Somos cônscios que a evangelização é a missão máxima da igreja. Ela deve pregar o Evangelho em tempo e fora de tempo(2Tm 4:2), em quaisquer circunstancias, a todos os povos e etnias, anunciar que Jesus veio salvar o homem, perdoar os nossos pecados e restabelecer a comunhão entre Deus e a humanidade. Todavia, a missão integral da igreja, também, envolve o aspecto social, no qual a Igreja deve ser paradigma para todos os segmentos religiosos.
A Igreja deve estar ciente de que a evangelização e a ação social não são mutuamente exclusivas. Não somente deve manter interesse pela assistência social, mas, também, deve partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão.
A igreja que não está preocupada com os problemas das pessoas e procura somente o bem espiritual de seus membros, negligenciando a necessidade daqueles que estão à sua volta, não tem manifestado o Reino de Deus; não tem sido sal para a Terra, nem luz para o mundo.
3. Restaurando a sociedade. Ao longo da história humana Deus implementou diversas maneiras de tratar com o ser humano sempre no afã de restaurar a sua identidade perdida. Neste período da Graça de Deus está sendo apresentada ao ser humano a mensagem do Evangelho. A mensagem de que “o tempo está cumprido e que o reino de Deus chegou”, ou seja, que Jesus salva o homem e o liberta do pecado, pondo-o, novamente, em comunhão com Deus, restaurando-lhe, assim, a dignidade originalmente concedida na criação, bem como lhe assegurando a vida eterna.
Ao aceitar a mensagem do Evangelho o ser humano passa a se comportar de maneira condizente com a vontade de Deus; passa refletir a respeito dos princípios e valores, que se encontram na Palavra de Deus, em todos os níveis de nossas relações: na família, na igreja, na escola, no trabalho e nas amizades. Isto equivale dizer que o Evangelho de Cristo não visa apenas salvar o homem do pecado e do inferno, mas também levá-lo a agir como instrumento transformador da sociedade na qual acha-se inserido.
CONCLUSÃO
Para que a igreja seja uma verdadeira agente do reino, primeiramente ela precisa refletir sobre a sua relação com Deus, fazer disso a sua prioridade máxima, identificar-se com os seus propósitos, associar-se a ele em sua obra de restauração da criação. A igreja precisa ser teocêntrica, a começar do seu culto. Quando o culto e a vida da igreja são voltados em primeiro lugar para a satisfação de necessidades humanas, e não para a glória e o louvor de Deus, a igreja deixa de ser teocêntrica, e em assim fazendo, não pode ser agente do reino de Deus no mundo.
Além disso, a Igreja jamais deve ignorar a missão que lhe foi dada por Deus. Se isso acontecer, a Igreja negará a sua razão de ser e está sujeita ao juízo de Deus, como aconteceu com Israel. A missão primordial da igreja no que diz respeito ao mundo é a proclamação do “evangelho do reino”, assim como fizeram Jesus e os seus discípulos. Corretamente entendido, esse evangelho inclui muitas coisas importantes. Em primeiro lugar, esse evangelho é um convite a indivíduos, famílias e comunidades para se reconciliarem com Deus mediante o arrependimento e a fé em Cristo. Todavia, o evangelho são as boas novas de Deus para todos os aspectos da vida, pessoal e coletiva. Assim sendo, a legítima proclamação do evangelho não vai se limitar ao aspecto religioso e à dimensão individual (experiência de conversão pessoal), mas vai mostrar o senhorio de Cristo sobre todos os aspectos da existência. Além disso, essa proclamação não ficará restrita ao aspecto verbal, mas incluirá ações concretas que expressem amor de Deus pelas pessoas (Tg 2:14-17; 1João 3:16-18). Aí podem ser incluídas muitas iniciativas, que vão desde o socorro a necessidades imediatas até a luta por mudanças estruturais que irão produzir maior justiça na sociedade. Exemplos: auxílio financeiro a pessoas e instituições, trabalho voluntário, mobilização para a criação de leis justas, luta pela ética na vida pública, participação em projetos comuns com outras igrejas e instituições, etc. Portanto, influenciemos e transformemos a sociedade, para que o nome de Cristo seja glorificado entre os homens. Amém!
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Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular(Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão - nº 47.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.

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