11 agosto 2011

640 mil crianças correm o risco de morrer  Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 640 mil crianças somalis estão subnutridas e 3,2 milhões de pessoas - de uma população total de 7,5 milhões - precisam de ajuda imediata para sobreviver.


A renda per capita na Somália é de US$ 220,00.
Só para você ter uma idéia, no Brasil gira em torno de US$ 12.000.
Para você ter outra idéia.
Um certo programa de tv evangélico diz que os custos MENSAIS para ficar no ar, gira em torno de R$ 1.500.000,00.
Divida R$ 1.500.000 para 640.000 crianças. Dá R$ 2.300.
Isto é, resolveria o problema rapidamente.
Mas a falta de recursos não é o único obstáculo na hora de ajudar a população. Há dois anos, a milícia al- Shabab, ligada à rede al-Qaeda, proibiu a atuação de agências humanitárias nas áreas que controla — e que, não por coincidência, são hoje as mais afetadas pela fome.
Além disso, o governo provisório de Mogadíscio não tem praticamente nenhuma autoridade no país e, mesmo na capital, controla apenas alguns quarteirões de Mogadíscio.
Afundada numa guerra civil desde 1991, a Somália foi incapaz de reverter os efeitos da seca mais grave a atingir o Chifre da África nos últimos 60 anos. E, como num círculo vicioso, as dezenas de milhares de somalis que fogem das zonas do país mais afetadas pela fome em direção à capital contribuem para tornar a situação ainda mais instável — com episódios de saques e violência como os registrados no acampamento provisório de Badbaado. 
Se tivesse petróleo abundante na Somália, a ONU (diga-se EUA) já teria invadido e acabado com este regime.  

Relato horrivel....


“É chocante”, disse Alexandra Lopoukhine, uma porta-voz da CARE, um grupo de ajuda humanitária que trabalha em Dadaab.
Aqueles que conseguem chegar a um dos poucos hospitais nos campos podem ter uma chance. A ala pediátrica na seção Dagahaley é um purgatório iluminado com lâmpadas fluorescentes. Dezenas de crianças murchas permanecem deitadas sobre cobertores de lã – os enfermeiros dizem que provavelmente menos da metade sobreviverá – com sua pele flácida, seus olhos vítreos, suas cabeças grandes demais para seus corpos. Muitos têm sondas presas a ambos os lados de seus crânios.
“Colapso vascular”, explicou um médico queniano. “Nós não conseguimos encontrar uma veia em nenhum outro lugar.”
Isak Abdi Saney, um agricultor destituído, está à espera da morte. Ele levanta gentilmente a camisa de seu filho de 6 meses. Todas as costelas estão à mostra, sob uma pele tão translúcida quanto papel de arroz. Cada respiração parece como se pudesse ser sua última.
“Nós não sabemos se ele está morto ou vivo, então apenas continuamos observando ele aqui”, diz Isak, fazendo escuta no minúsculo peito de seu filho.
Isak caminhou por 20 dias da Somália até aqui. O que ele encontrou foi o que tantos outros refugiados descreveram: pilhas de animais mortos, aldeias vazias, pessoas morrendo de fome, uma trilha ininterrupta de corpos de sua aldeia até o campo.
“Não resta mais nada lá”, ele disse.
Outro refugiado falou de sua aldeia em termos semelhantes: “Não resta nada vivo”. 

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