10 fevereiro 2011

Fundo Musical e Pregação: uma mistura nociva para uma espiritualidade sadia


O constante surgimento de modismos, inovações e de aberrações doutrinárias é visível nos arraiais evangélicos de nossa nação. Elencar todos eles aqui seria impossível tendo em vista a inúmera quantidade de práticas reprováveis e contrarias às Escrituras Sagradas. Contudo, há a necessidade de se comentar o aparecimento recente de uma nova prática em especial, que por meio de pregadores tem sutilmente encontrado espaço em vários púlpitos de nossas igrejas. Trata-se do uso indiscriminado e equivocado de fundos musicais durante a pregação da Palavra de Deus.

Inicialmente, alguém poderá pensar ser um exagero tratar sobre uma prática tão comum em diversos locais e eventos, onde há muitos locutores que gostam de se comunicarem acompanhados pela execução de uma agradável canção, cuja intensidade do som produzido seja baixa – ao fundo, e que tem a finalidade apenas de enternecer os ouvintes. Acontece, porém, que essa prática é totalmente nociva para aqueles que buscam oferecer a Deus um culto racional (Rm 12.1) e espiritualmente equilibrado, principalmente quando consideramos o fato de que tal modismo leva o crente a substituir a racionalidade da adoração por uma mera explosão de sentimentos.

Entretanto, concordo que o simples ato de colocar um fundo musical no momento em que se está pregando um sermão não é pecado em si mesmo nem condenado diretamente pela Bíblia. Todavia, é sabido por todos que a musica tem o poder de estimular a imaginação ou provocar diversas reações no emocional das pessoas. Sabedores disso, pretensos pregadores têm procurado combinar musica de fundo e pregação, para que durante suas preleções possam sensibilizar ou comover seus ouvintes – um verdadeiro apelo às emoções, facilitando com isso a inserção de mensagens de auto-ajuda, triunfalistas e carregadas com ideologia/teologia da prosperidade.

Uma das principais desculpas usadas por aqueles que praticam esse modismo é dizer que Deus derrama do seu poder sempre quando pregam com uma linda melodia ao fundo. Mas, o que eles esquecem de dizer ou não querem, é que isso que chamam de “poder” não tem nada haver com manifestações de curas, milagres, sinais ou prodígios ensinados na Bíblia. Na verdade, o que dizem ser derramamento de poder não passa de emoção, gritos e até mesmo histeria. E toda essa puerilidade em um culto torna-se mais evidente quando impulsionado pela utilização da música como um som de fundo durante a pregação. Sobre esta verdade, em um artigo intitulado A Influência da Música, o musico e compositor pastor Ronaldo Bezerra disse: “A influência da música é tão grande, que ela atua constantemente sobre nós - acelerando ou retardando, regulando ou desregulando as batidas do coração, relaxando ou irritando os nervos, influindo na pressão sangüínea e no ritmo da respiração. É comprovado o seu efeito sobre as emoções e desejos do homem”.

Outrossim, aqueles que praticam este ou qualquer outro tipo de modismo acabam revelando a sua verdadeira intenção diante da igreja: o desejo de se autopromover e de obter rápidos resultados, demonstrando assim despreparo e imaturidade espiritual para quererem ministrar à igreja. Pois, é nessa busca desenfreada pelo ibope e pela fama, que muitos desses pregadores têm confundido canções profanas com musica sacra, alguns até sem conhecimento. Só para se ter uma idéia da gravidade, há um fato que já foi denunciado por vários sites e portais da internet, a de que inúmeros pregadores espalhados por este país têm utilizado como fundo musical uma conhecidíssima canção chamada "Adagio In C Minor" escrita pelo musico e compositor Yanni Chrysomallis, um adepto da Nova Era. Essa canção faz parte do “CD Tribute” e foi gravado por Yanni como um tributo às culturas da China e da Índia, que, diga-se de passagem, está última é uma das nações mais idolatra, politeísta e henoteísta que existe. Eu sei que muitos não lembrarão dessa canção pela simples citação do nome, mas como alerta sugiro que pesquise sobre a mesma na internet antes que seja tocada em sua congregação.
Quem é Yanni Chrysomallis:
Yanni, (nascido Yiannis Chrysomallis, grego: Γιάννης Χρυσομάλλης, Kalamata, Grécia, 14 de novembro de 1954) é um músico, tecladista e compositor.

Os pais de Yanni Chrysomallis eram artistas e fãs de música clássica. Filho de uma cantora e de um violonista, Yanni cresceu ouvindo Beethoven, Mozart, Chopin, Stravinsky e outros grandes nomes eruditos. Estas acabaram se tornando as maiores influências de sua carreira como tecladista e compositor de um estilo que ele prefere chamar de instrumental contemporânea.[1]

Yanni Chrysomallis e sua noiva, Linda Evans, estão envolvidos na meditação oriental. Linda é uma seguidora do famoso J.Z. Knight, quem canaliza um espírito que se identifica a si mesmo como um guerreiro de 3500 anos de idade chamado Ramta, do continente perdido Atlantis. A primeira página da seção de negócios do jornal Los Angels Times, do dia 4 de julho de 1995, continha uma lista dos 10 primeiros discos da Nova Era até o dia 3 de julho: #1 Ao vivo desde Acropolis, de Yanni, #2 Ao vivo desde Red Rocks, de John Tesh, #3 Luas de Pastores, de Enya e #4 Ao meu tempo de Yanni.
A caricatura do álbum de Yanni "Chaves da Imaginação", apresenta uma cena do pôr-do-sol e de corpos celestiais dentro de cápsulas de cascas de ovos. Talvez desenharam o simbolismo para projetar a mensagem de que todos estamos a ponto de nascer dentro de uma Nova Era.
Elementos musicais que faltam na música meditativa da Nova Era
A música no mundo ocidental geralmente tem quatro elementos: melodia, harmonia, ritmo e tempo ou compasso. A música meditativa usualmente carece de tempo, melodia e ritmo. Não tem uma melodia que se possa assobiar depois de escutá-la. Essa música tem se tornado tão popular que os prestigiosos prêmios Grammy em 1987 a incluíram numa categoria musical da Nova Era.
Basicamente se compõe de sons harmoniosos, às vezes acompanhados de sons ambientais místicos do espaço exterior, que dão a sensação de estar rodeado de uma presença pavorosa. A música meditativa ocasionalmente emprega também compassos e sons místicos. Às vezes utiliza sons da natureza, como o som da chuva, o murmúrio das folhas no vento, os sons do mar, da correnteza da água, o canto das aves e outros sons da natureza.
É uma pena que Satanás tenha tomado alguns elementos da criação de Deus e os tenha incorporado na sua sutil música meditativa da Nova Era, para fazê-la parecer inocente e inofensiva. Mas não se engane, a música da Nova Era pode ser usada para inspirar um estado de transe que pode ser o primeiro passo num caminho escorregadio para outras formas perigosas de meditação mística da Nova Era e os estados alterados de consciência. Os perigos da meditação oriental mística e as diferenças entre esta e a meditação bíblica serão discutidos com maior amplitude.


Diante de tudo isso, é certo afirmar que obreiros fiéis não dependem de malabarismos humanos para pregar um sermão. Como pregadores do Santo Evangelho, dependemos somente de Cristo, vivendo uma vida piedosa e regada com muita oração e estudo das Sagradas Escrituras. O verdadeiro pregador é moldado pela Palavra de Deus. Ninguém precisa invejar ou copiar os atuais “pregadores e avivalistas” que se promovem à custa de um “evangelho” sincrético, manifestado na utilização de modismos.  Como obreiros e pregadores do Santo Evangelho devemos ser nós mesmos, pois a eficácia na pregação dependerá principalmente do nosso preparo, e nesse sentido a Bíblia orienta que todos os obreiros cultivem uma vida de oração (1 Ts 5.17) e que tenham conhecimento e preparo para manusear corretamente as Escrituras (2 Tm 2.15). Spurgeon, um gigante da pregação do século XIX deixou também um precioso conselho: "Para serem pregadores eficazes devem ser teólogos autênticos". Assim, o sucesso na pregação não depende da utilização de fundos musicais ou de qualquer outro método semelhante, mas da habilidade do obreiro adquirida com muito labor ao longo dos anos.

Infelizmente, algumas pessoas têm tentado fundamentar a prática do fundo musical durante a pregação, interpretando equivocadamente o texto de II Reis 3.15-19, onde narra o episodio em que o profeta Eliseu recebeu uma palavra profética quando um músico tocava sua harpa. Acontece que esse evento além de ser específico e o único dessa natureza no ministério do profeta, nessa passagem não há nenhum incentivo para a prática desse modismo tratado neste artigo. É importante entender também que, apesar do Livro de Crônicas relatar que o rei Davi organizou um ministério de músicos para que profetizassem com instrumentos musicais (Crônicas 25.1), esta prática limitou-se apenas ao período monárquico de Israel, não sendo esta prática ensinada como um principio espiritual em nenhuma outra passagem de ambos os testamentos.

Não há dúvida que o Espírito de Deus continua falando à igreja pela instrumentalidade de um arauto do Evangelho. Todavia, Deus não comunga com pessoas determinadas a controlar o ambiente de um culto por meio de técnicas de psicologia ou de persuasão. Por isso, não há nada mais infeliz para um pregador do que utilizar modismos como um fundo musical para tentar ampliar o resultado final do seu sermão. O apóstolo Paulo quando desejava mais autoridade e convicção para suas ministrações, buscava em Deus através da oração, como se vê nos verso seguinte: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, e por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, Efésios 6.18,19”.

Portanto, os pregadores que estão ligados a este tipo de modismo possuem uma vida espiritual superficial, pois são indivíduos mais preocupados com a forma e o resultado final do que com o conteúdo. E, uma igreja que está constantemente exposta a esses levianos acaba cultivando uma vida espiritual rasa e sem profundidade bíblica.

Comentário de Wáldson Lima: Quero fazer ciente aos amados leitores que a música citada, é conhecidíssima do povo 'pentecostal', no Brasil e no mundo, por causa de sua constante execução por mais de dez anos ininterruptos no Congresso Mundial dos Gideões Missionários da Última Hora, da AD em Camboriú -SC.
Infelizmente nosso povo é levado por várias sutilezas do inmigo e não procura saber as origens de algumas músicas, pregações, revelações e outros 'sinais'.Vivemos numa época de engano crescente e de apostasia.Precisamos pedir a Deus que nos dê o discernimento, para que não sejamos enganados e assim possamos separar o santo do profano.

Abaixo o vídeo com a musica e seu compositor.

"Adagio em C Minor" - (Obs.: Adágio: adv. (mús.) lentamente, sem pressa. Serve para marcar o andamento vagaroso. // -, s.m. o trecho da música que tem andamento vagaroso. // F. ital. Adagio).









Aparentemente, nada mais que uma bela música,não?Mas, cuidemo-nos irmãos,"pois nem tudo que reluz é ouro",diz o provérbio popular.
Grande abraço.
Vivam vençendo!!!
Seu irmão menor.

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