TEXTO ÁUREO
“Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes,
estabelecemos a lei."(Rm3.31)
VERDADE PRÁTICA
0 Senhor Jesus definiu de maneira clara a relação entre o
Antigo e o Novo Testamento, entre a Lei e o Evangelho
Leitura em classe
Mateus 5.17-20; Romanos 7.7-12
Quando Jesus de Nazaré veio ao mundo terreno, Ele mostrou
que a principal razão da sua vinda era esta: “Eu vim para que tenham vida e a
tenham com abundância” (Jo 10.10). Jesus de Nazaré é a Palavra encarnada. É o
cumprimento de toda a lei: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de
todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o
primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu
próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os
profetas” (Mt 22.34-40). Não podemos fazer com a Lei de Cristo o que os
escribas fizeram com os Dez Mandamentos: Atentar para a dureza da Lei e
esquecer-se do olhar amoroso que ela nos demanda.
Mais importante que obedecer a letra é alcançar o espírito
da Lei, que é Cristo. Assim o apóstolo Paulo ratifica: “Com efeito: Não
adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não
cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume:
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte
que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.9,10). Quer cumprir a Lei de Deus de
todo coração? Ame! Contra o amor não há lei. Por quê? O amor é o cumprimento da
lei. Em vez de decorarmos uma lista de “pode não pode”, devemos fazer tudo
baseado no amor — naturalmente a Bíblia não se refere ao amor romântico das
telas de Hollywood, mas à disposição de se fazer o que tem de ser feito em
favor do outro, segundo o Evangelho —, então cumpriremos a lei de Deus na
íntegra. O nosso Senhor resumiu toda a lei ao dizer que o seu objetivo é levar
os homens à plenitude do amor. Aqui está o seu signifi cado: “E disto demanda a
Lei e os Profetas” (Mt 22.40).
Precisamos relembrar que o Decálogo tem uma divisão natural
que versa sobre o relacionamento do homem com Deus e do homem com o seu
próximo. A nossa relação com a lei de Deus deve se dá nestes termos: vertical,
amando a Deus de todo coração e alma; horizontal, amando o próximo como a si
mesmo. Mais do que quaisquer perspectivas de interpretação, o mais importante é
nos conscientizarmos da importância dos princípios eternos de Deus revelados na
sua Palavra e interpretados pela pessoa bendita de Jesus de Nazaré. Por isso,
toda leitura do Antigo Testamento precisa e deve ser feita tendo Jesus como a
chave hermenêutica da nossa leitura e interpretação.
“Não cuideis que vim destruir a lei
e os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir” - Mateus 5.17.
Os estatutos do Senhor (Salmo 119.33-36). O salmista faz vários pedidos que
expressam o desejo de ser instruído. Ele entendeu que de si mesmo não tinha
condições de aprender os caminhos divinos e usufruir o que está escrito nas
Escrituras Sagradas. Nenhum ser humano tem em si mesmo essa capacidade; no
entanto, quando somos ensinados pelo Mestre, a Bíblia passa a ser um Livro
vivo. Ao falar a respeito do ministério do Espírito Santo, Jesus declarou que,
dentre as várias atribuições que foram dadas a Ele, é a de nos ensinar todas as
coisas e nos fazer lembrar o que Deus tem dito (João 14.26).
O cristão e a Lei. O Novo Testamento diz que nós, que
estamos sob a graça, não estamos subordinados a Lei (Romanos 6.14). Nosso
relacionamento com Deus não depende de observar uma lista extra de leis, mas, em
vez disso, de corresponder aos estímulos do Espírito Santo.
Os Dez Mandamentos foram
especialmente dados a Israel. Mas também foram dados para nós, Igreja de
Cristo, as dez ordenanças do Decálogo revelam Deus como uma Pessoa moral e
amável e somos instruídos a imitá-lo (Efésios 5.1).
Somos Igreja quando estamos reunidos
em nome de Cristo. “Igreja” é uma palavra vertida do grego koiné do termo
Eklesia, significa “assembleia”, “ajuntamento”. A primeira vez que aparece no
Novo Testamento, foi proferida por Cristo. A citação está em Mateus 15.15-17.
Qual o significado de Mateus 5.17? Jesus Cristo é o sujeito, o
alvo, o cumprimento das profecias do Antigo Testamento (Mateus 1.22; 2.6, 15,
17, 18, 23, 3.3; 4.14-15). No Sermão do Monte, Cristo afirmou enfaticamente que
não veio para destruí-la, pois a Lei não pode ser anulada.
O texto de Mateus mostra a expressa
e total obediência de Jesus à Lei, tanto pela sua obediência a ela como pela
sua morte sacrificial. Ele viveu toda a Lei, As Escrituras expõem que toda a
Lei foi cumprida em Jesus, o único que cumpriu-a por inteira (Gálatas 3.11,
24). Além disso, capacitou os que creem e confiam nEle a satisfazer as suas
exigências.
Como o cristão se relaciona com a
Lei nos dias atuais? O
Decálogo nunca teve a função de salvar, mas, de conduzir as pessoas a Cristo. A
Lei de Deus, entregue por Moisés, tinha os seguintes objetivos: veio para para
expor e condenar a malignidade pecado do homem (Romanos 3.20; 7.7); prover um
padrão de justiça; revelar a santidade de Deus; levar o homem à plena
consciência de que é pecador; apontar para aquEle que a viveria integralmente.
Quem ama a Cristo guarda os seus
mandamentos (João 14.23-24). Se
ao guardarmos os mandamentos damos prova de que amamos a Deus, também provamos
o contrário quando não os observamos.
Ninguém pode ser salvo pelas obras
da Lei, apesar disso ela é dada aos crentes. A fé em Jesus é a chave para o
cumprimento da lei.
Jesus cumpriu a Lei e deu a ela um
novo significado, enfatizando o amor a Deus e ao próximo.
A Lei do Espírito de Vida (Romanos
8.2). Ninguém
pode ser justificado pelas obras da lei (Gálatas 2.16). Hoje, vivemos a Lei do
Espírito de vida em Cristo Jesus. O fato de estarmos debaixo da graça não nos
isenta de obedecermos aos mandamentos de Deus (Romanos 6.15). Todavia, é
preciso perceber com clareza que o cumprimento da lei moral não é um mérito
pessoal conquistado pelo esforço próprio, mas uma situação que surge de um
coração regenerado e transformado.
As Escrituras Sagradas é a inerrante
Palavra de Deus revelada ao ser humano. O Criador preservou-a de forma
incontestável a sua mensagem ao longo dos séculos, o que nos traz a garantia de
que podemos confiar em seu conteúdo como regra de fé e conduta, como a lâmpada
para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Salmo 119.115).
A Lei real (Tiago 2.8). As leis do Antigo Testamento
destinadas à nação de Israel , tais como as leis sacrificiais, cerimoniais,
sociais ou cívicas, já não são obrigatórias (Hebreus 10.1-4). A Lei que o
crente deve cumprir se consiste nos princípios éticos e morais do Antigo
Testamento (Romanos 3.31; Gálatas 5.14); bem como nos ensinamentos de Cristo e
dos apóstolos (1 Coríntios 7.19; Gálatas 6.2).
A ética do Reino mencionada por
Jesus no Sermão do Monte não é alcançada pelo esforço humano e, muito menos, é
condição para alcançar a salvação. A única maneira pela qual a humanidade pode
ser redimida é pela fé em Jesus Cristo.
A sombra dos bens futuros (Hebreus
10.1). Pensar
com prudência sobre a lei divina para os dias atuais é uma necessidade que nos
pressiona, pois ela nos fornece valores e princípios eternos, sustenta nossos
passos e dá em momento oportuno a garantia de felicidade perpétua.
O Evangelho isenta-nos da Lei
(Gálatas 4.1-5). Mesmo depois de terem conhecido Cristo, os crentes gálatas
passaram a observar o calendário de festas judaicas como se ainda fossem servos
da Lei. Então, por meio de uma comparação, Paulo explicou que os que creem em
Jesus são filhos de Deus e não precisam fazer coisa alguma para merecer as
dádivas do Senhor, pois elas foram dadas como herança.
Subsídio para o Professor:
Na aula de hoje, a fim de reforçar as orientações
apresentadas, refletiremos a respeito da relação entre lei e graça no contexto
da igreja. Inicialmente meditaremos sobre o significado da lei de Deus para os
israelitas, em seguida, analisaremos a abordagem de Jesus no que tange à lei, e
ao final, compararemos o papel da lei e da graça para a igreja. Concluiremos
mostrando que os Dez Mandamentos se aplicam à igreja, mas que são cumpridos no
amor-agape.
1. A LEI DE DEUS
A revelação da lei de Deus deixou os israelitas atônitos, de
acordo com o registro bíblico, “todo o povo viu os trovões, e os relâmpagos, e
o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e
pôs-se de longe” (Ex. 20.18). Isso aconteceu depois que o Senhor desceu sobre o
monte Sinai, de modo que aquele povo pode testemunhar a glória de Deus (Ex.
19.18). Diante daquela manifestação gloriosa –
shekinah – o povo se distanciou do lugar, permanecendo distante. Isso
tem a ver com a demonstração da grandiosidade divina, e na limitação humana. Os
israelitas interpretaram a lei como instrumento de julgamento, deixando de
atentar para seu lado positivo (Ex. 20.19). Com base nessa tradição, uma ala do
judaísmo preferiu um relacionamento distante de Yahweh.
Ele chegaram a pedir a Moisés
que intercedesse por eles, não queriam ouvir a revelação diretamente de Deus
(Ex. 20.19). Foi nesse contexto que Moisés se colocou como mediador entre Deus
e os homes, assumindo a condição de profeta. Esse testemunho é dado em Dt. 5.5
“naquele tempo, eu estava em pé entre o Senhor e vós, para vos notificar a
palavra do Senhor, porque temestes o fogo e não subistes ao monte”. O povo teve
dificuldade de compreender o espírito da lei, ao invés de vê-la como uma
dádiva, para evitar que eles pecassem, e fossem destruídos, assumiram apenas o
lado negativo (Ex. 20.20). Nos tempos de Jesus muitos religiosos interpretaram
erroneamente a Lei, tornando-a um fardo para as pessoas. O legalismo presente
em algumas igrejas evangélicas é um reflexo desse equívoco.
2. JESUS E O CUMPRIMENTO DA LEI
A própria Lei tem seus limites, ninguém é capaz de guarda-la,
estamos fadados ao fracasso, pela condição pecaminosa. É justamente por esse
motivo que Paulo explica que nenhuma carne será justificada diante de Deus
pelas obras da Lei. O próprio Apóstolo deixa claro que o papel da Lei e apenas
revelar o pecado (Rm. 3.20). Tiago reforça esse argumento ao declarar que
qualquer que tropeçar em um só ponto da lei torna-se culpado de todos (Tg.
2.10).
A lei pode apenas condenar, ela não tem poder para salvar, identifica a
doença, mas não provê o remédio. Por isso temos a necessidade de um melhor
Mediador, providenciado pelo próprio Deus. A providência divina é atestada por
Paulo, afirmando que há apenas um Mediador entre Deus e os homens (I Tm.
2.5,6). Por meio de Cristo Deus providenciou o que a lei não pode fazer (Rm.
8.3), dando-nos um Mediador superior a Moisés (Hb. 3.3; 8.6; 9.15; 12.22-24).
Isso significa que não estamos sem Lei para Deus, estamos agora debaixo da Lei
de Cristo (I Co. 9.21). A obra redentora de Cristo cumpriu a Lei, Ele mesmo
declarou que não veio para destruir a lei, mas para cumpri-la (Mt. 5.17,18). Na
sua morte Jesus cumpriu a lei cerimonial (Mc. 27.50,51;Lc. 24.46), bem como as
instituições festivas e sacrificiais (Hb. 5.4,5; I Co. 5.7). Em consequência
disso não nos cabe mais ficar presos às cerimônias do culto judaico, como
apregoam algumas igrejas judaizantes (Cl. 2.17).
3. LEI E GRAÇA
A lei é boa e santa, serve para mostrar o pecado (Gl.
3.11,24,25), mas não pode libertar o homem do pecado (Rm. 7.12). Após a
regeneração o cristão se coloca na dependência do Espírito Santo, e passa a
produzir Seu fruto (Gl. 5.22). A produção do fruto do Espírito resulta no
processo de santificação (Rm. 8.1-7). Por meio dEle nos tornamos cumpridores de
toda a lei, na medida em que demonstramos amor a Deus e ao próximo (Mc.
12.28-33), nisso se resume a lei e os profetas (Mt. 22.40). A igreja segue a
Lei de Cristo, que se concretiza no amor, não mais na lei mosaica (Rm. 6.14; 13.9,10;
Gl. 5.18). De modo que, como dizia Agostinho, “ame a Deus e faça o que quiser”.
Essa declaração reflete a prática do cristão debaixo da graça, que é o favor
imerecido de Deus, tudo que fazermos deve ser motivado pelo ágape. Foi
justamente isso que Jesus disse ao declarar que a justiça dos Seus seguidores
deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20). Os religiosos do tempo de
Jesus se firmavam na observância a preceitos externos, mas os seguidores de
Cristo obedecem por amor (Jo. 14.21). Estamos libertos da lei mosaica, mas não
estamos livres da Lei de Cristo (Rm. 3.28), mas por causa do amor que temos por
Ele, e em reconhecimento da graça de Deus que nos alcançou, a obediência não
nos é um fardo, pois sabemos que o jugo de Jesus é leve e suave (Mt. 11.28).
Porque Ele nos amou primeiro, e provou entregando Sua vida por nós obedecemos
com alegria (Jo. 3.16; Rm. 5.8; I Jo. 4.19).
CONCLUSÃO
Os dez mandamentos têm o seu valor para a igreja atual,
principalmente se atentarmos para seus princípios imutáveis. Interpretá-los, à
luz do evangelho de Cristo, considerando-O como Mediador superior a Moisés,
possibilita aplicações que conduzem a uma vida santa. Mas todos esses
mandamentos podem ser reduzidos ao agape, a expressão do amor divino dirige-nos
para a obediência, com satisfação de estar no centro da vontade de Deus (Rm.
12.1,2).
Abraços, caros irmãos.
Bom proveito.
Viva vencendo todas 'mistruras'!!!
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