No Sudão, quem se declara cristão, é considerado criminoso

Um ano e alguns meses após a
decisão de divisão do território em dois países distintos, as notícias sobre a
região não são nada animadoras. Ainda acontecem muitos ataques mútuos e
cristãos do Sudão do Sul têm sofrido forte perseguição. Cristãos de todo o
mundo são convidados a continuar orando pelo Sudão do Sul e o Sudão
Tudo começou com um
telefonema ao final do dia. Uma voz desconhecida do outro lado da linha deu
instruções para Felipe: como prioridade das tarefas da manhã seguinte, ele
deveria informar o escritório da Comissão de Ajuda Humanitária (HAC) sobre sua
situação. A próxima coisa que ele soube é que estaria dividindo uma cela na
prisão, com banheiros intoleráveis e algumas pragas infestadas nos cobertores utilizados
por vários outros homens.
O terrível crime de Felipe:
ele é cristão, de origem sudanesa do sul, e trabalha para trazer esperança aos
sudaneses localizados ao norte, através de um ministério de prestação de
serviços na área da saúde. A cidade de Cartum, no Sudão, é o único lugar do
mundo o qual ele já conheceu, mesmo assim, por ser cidadão do Sudão do Sul, o
governo do Norte considerou-o um estrangeiro e, portanto, indesejável ao país.
As hostilidades e tensões
contra os cristãos no Sudão têm aumentado significativa e rapidamente. Em 2011,
a nação vigorava na 35ª posição da Classificação de países por perseguição da
Portas Abertas. Em 2012, passou a ocupar o 16º lugar. Quando um país “sobe” na
lista, isso representa um aumento na perseguição aos cristãos. Em janeiro de
2013, o Sudão subiu ainda mais, preenchendo, atualmente, a 12ª posição.
Desde a separação do país em
dois Estados: Sudão e Sudão do Sul, em 2011, o Sudão tornou clara a sua
intenção de transformar a legislação nacional, baseando-a totalmente na Sharia
(lei islâmica). Para tal, decidiu “tirar do caminho” qualquer um que possa
atrasá-los a alcançar seu objetivo (como os cristãos, que são contrários ao
estabelecimento de uma nação islâmica no Sudão, por exemplo).
Em 24 de dezembro de 2012, o
jornal pró-governo Akhir Lahza anunciou uma operação contra organizações não
governamentais que teriam recebido fundos dos EUA. Estes eventos destacam a
intenção política do governo, que se utiliza, em grande de número, de
publicidade da mídia para fazer valer a sua opinião favorável ao islamismo.
Sob tais circuntâncias, o
sofrimento vivido diariamente e de maneira silenciosa, fica por conta da
Igreja. A Portas Abertas soube que diversas congregações foram demolidas e
muitos ministérios cristãos foram fechadas como parte dessa ação do governo de
instaurar um Estado islâmico.
Sudão e Sudão do Sul: a
perseguição religiosa acontece em ambos os países
Em julho de 2011, o Sudão do
Sul tornou-se o mais novo país do mundo, ao oficializar sua independência do
restante do Sudão. Segundo reportagem da BBC, "o Sudão do Sul nasceu como
um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, a
maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega em
84% entre as mulheres. Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que
a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões", ou seja, "nasceu
sendo um dos maiores [países] do continente [africano], superando as áreas de
Quênia, Uganda e Ruanda somadas."
Economicamente, o Sul do
país, de maioria cristã, é mais rico em reserva de petróleo e recursos naturais
que o Norte, por isso, nos conflitos de independência, exigia mais autonomia
política. Já o Norte, de maioria muçulmana, lutava pela dominação do território
sudanês, defendendo a implantação da Sharia (lei islâmica) em todo o país. A
soma total de mortos no conflito - encerrado em janeiro de 2005, com um acordo
de paz entre o Norte e o Sul do país - é de aproximadamente dois milhões de
sudaneses.
Um ano e alguns meses após a
decisão de separação do território em dois países distintos, as notícias sobre
a região não são nada animadoras. Ainda acontecem muitos ataques mútuos e
cristãos do Sudão do Sul têm sofrido com forte perseguição. Há uma semana, a
Portas Abertas Brasil soube do caso de um casal de missionários brasileiros que
teve de sair do país às pressas e procurar abrigo no Egito para não sofrer
retaliações por pregar a Palavra de Deus.
Cristãos pedem oração pelo
Sudão do Sul e o Sudão
Cristãos de todo o mundo são
convidados a continuar orando pelo Sudão do Sul e o Sudão após a assinatura de
um acordo sobre a produção de petróleo. Por meio do documento, decidiu-se que o
Sudão do Sul vai retomar a produção de petróleo pela primeira vez, em mais de
um ano, conforme relatou notícia da BBC.
A produção de petróleo foi
interrompida em janeiro do ano passado, depois de o Sudão e o Sudão do Sul
discutirem por uma partilha mais proporcional das receitas do petróleo. Em uma
visita à Igreja Mission Society, o líder religioso Anthony Poggo disse que
"a disputa entre os dois países já está afetando as pessoas comuns porque
os preços têm subido significativamente".
"A construção de boas
relações entre o Sudão e o Sudão do Sul é crucial para ambos os países",
ele comentou. "Como pessoas que antes formavam um único país, temos de
ser, no mínimo, bons vizinhos."
Poggo também levantou
preocupações sobre conflitos em Kordofan do Sul, as regiões do Nilo Azul e
Darfur, dizendo que a paz nessas regiões é essencial para a paz em todo o Sudão
e as relações com o Sul.
Os conflitos em curso têm
provocado crises humanitárias que afetam milhares de cristãos. Poggo acredita
que a comunidade internacional deve manter a pressão sobre ambos os países para
que as soluções para os conflitos sejam encontradas o mais breve possível.
Apesar dos desafios, ele
disse que a maioria das pessoas ainda tem esperança de um futuro melhor.
"As pessoas estão
contentes por ter um novo país; sentem que são cidadãos de primeira classe em
seu próprio país", compartilhou ele. "O importante é que todos estão
dispostos a perseverar. Como fizeram no passado, querem permanecer firmes um
pouco mais." Ore pelos cristãos nesses dois países!
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