Conheça os líderes universitários que estão tentando redefinir a pedofilia como “intimidade intergeracional”
Anne Hendershott
A indignação e nojo que a maioria de nós sentiu quando ficamos
sabendo das alegações de abuso sexual de meninos nas escolas de esporte
da Universidade Estadual Penn e da Universidade de Syracuse indicam que
nossas normas culturais sobre o abuso sexual de menores estão intactas.
Contudo, apenas uma década atrás um movimento paralelo começou em
algumas universidades a redefinir a pedofilia como a mais inócua
“intimidade sexual intergeracional”.
A publicação do livro “Harmful to Minors: The Perils of Protecting Children from Sex”
(Prejudicial para Menores: Os Perigos de se Proteger Crianças do Sexo)
prometeu aos leitores uma “reavaliação radical, atual e há muito
esperada de como pensamos e agimos com relação à sexualidade de crianças
e adolescentes”. O livro foi publicado pela editora da Universidade de
Minnesota em 2003 (com prefácio de Joycelyn Elders, que havia sido
ministra da Saúde do governo de Bill Clinton). Depois da publicação, a
autora Judith Levine postou uma entrevista no site da universidade
condenando abertamente o fato de que “há pessoas que estão promovendo
uma agenda cristã conservadora que impedirá crianças menores de idade de
terem acesso à expressão sexual”, e acrescentando que “realmente temos
de proteger as crianças de perigos reais… mas isso não significa
protegê-las de algumas fantasias de sua inocência sexual”.

Essa
redefinição da inocência da infância como “fantasia” é a chave para
enfraquecer a definição da perversão da pedofilia, que satura as
universidades e outros lugares. Valendo-se da linguagem da teoria
pós-moderna, aqueles que estão trabalhando para redefinir a pedofilia
estão primeiramente redefinindo a infância, afirmando que a “infância”
não é uma certeza biológica. Em vez disso, a infância é uma invenção que
a sociedade construiu — um objeto produzido pela sociedade durante a
história. Tal desconstrução da infância é produto dos esforços de um
movimento de poderosos defensores da pedofilia apoiados por
especialistas das universidades e por um grande número de escritores,
pesquisadores e editores que estavam dispostos a questionar o que a
maioria de nós vê como conduta tabu.
Os
teóricos pós-modernos estão interessados principalmente em trabalhos
escritos que evocam a natureza fragmentária da experiência e a
complexidade da linguagem. Uma das fontes mais citadas para isso é o
livro “Male Intergenerational Intimacy: Historical, Socio-Psychological
and Legal Perspectives” (Intimidade Intergeracional Masculina:
Perspectivas Históricas, Socio-Psicológicas e Legais-Foto abaixo). Essa coleção de
artigos de especialistas acadêmicos — na maior parte europeus, mas
alguns ligados a universidades dos EUA — fornece um argumento muito
forte a favor do que eles chamam de “intimidade intergeracional”. Ken
Plummer, um dos que contribuíram, escreve que “não mais podemos presumir
que a infância é uma época de inocência simplesmente por causa da idade
cronológica da criança”. Aliás, “uma criança de sete anos pode ter
construído uma conjunto elaborado de compreensões e códigos sexuais que
deixaria muitos adultos de boca aberta”.
Afirmando
se apoiar no trabalho teórico dos historiadores sociais, das feministas
socialistas, dos Foucauldianos e dos sociólogos construcionistas,
Plummer prometeu construir uma “nova e fecunda maneira de ver a
sexualidade e as crianças”. Dentro dessa perspectiva, há a suposição do
desenvolvimento sexual linear e nenhuma infância real, apenas uma
definição imposta a partir de forças externas.
Condenando
abertamente as “perspectivas essencialistas da sexualidade”, esses
escritores tentam remover as barreiras essencialistas da infância,
abrindo a porta para os pedófilos pós-modernos verem tal conduta como
parte da política da transgressão. Eles não mais são pervertidos; eles
são simplesmente “cruzadores de barreiras” pós-modernos.
Em
1990, a Revista de Homossexualidade publicou uma edição dupla dedicada
ao sexo entre adultos e crianças intitulada “Intimidade
Intergeracional”(veja imagens abaixo). David Thorstad, ex-presidente da Aliança de Ativistas
Gays de Nova Iorque e membro fundador da Associação Norte Americana de
Amor entre Homens e Meninos (conhecida pela sigla em inglês NAMBLA:
North American Man/Boy Love Association), escreve que “o amor por
meninos ocorre em todas as vizinhanças hoje”. O movimento [de amor entre
homens e meninos] continua, mas tornou-se clandestino desde que a
NAMBLA se achou envolvida numa encrenca de 200 milhões de dólares devido
a uma ação legal de direitos civis por causa de uma morte por
negligência. A ação foi iniciada no Tribunal Regional Federal de Boston e
afirma que os artigos no site da NAMBLA fizeram com que Charles Jaynes,
membro da NAMBLA, torturasse, estuprasse e matasse um menino de 10 anos
da cidade de Boston.
Não
muito tempo atrás, os pedófilos pós-modernos receberam ajuda, para
enfraquecer a definição de suas perversões, do Conselho Federal de
Psicologia dos Estados Unidos (American Psychological Association). Em
1998, o CFP publicou um artigo em seu Boletim Psicológico que concluía
que o abuso sexual contra crianças não provoca danos. Os autores
recomendaram que a pedofilia deveria em vez disso ser tratada com um
termo neutro como “sexo entre adultos e crianças”. A NAMBLA rapidamente
postou a “boa notícia” em seu site, declarando que “a atual guerra
contra os amantes de meninos não tem base na ciência”.
Parece
que muitos pedófilos pós-modernos aceitaram a recomendação com muita
seriedade. Por algum tempo, vivemos numa cultura em que o sexo entre
homens e meninos era não só tolerado, mas também celebrado. E embora a
revolta pública contra as alegações de estupros de meninos da
Universidade Estadual Penn e da Universidade de Syracuse revele que a
pedofilia masculina permanece um terreno questionado para a maioria, o
sexo entre mulheres e meninas mal é registrado na tela do radar
cultural, por causa do poder do movimento feminista.
O
espetáculo teatral “Os Monólogos da Vagina”, por exemplo, é ainda um
repertório dramático padrão nas produções estudantis nas universidades —
inclusive na Universidade Estadual Penn e na Universidade de Syracuse. A
peça original explora a história de uma menina alcançando sua
“maturidade”, começando com uma menina de 13 anos gozando um caso sexual
com uma mulher de 24 anos. Versões da peça publicadas posteriormente
mudaram a idade da menina de 13 para 16 anos, e a peça continua a ser
encenada. A produção de fevereiro do ano passado na Universidade de
Syracuse foi inovada quando convidaram um elenco composto por membros da
universidade para encenar a peça na universidade.
Embora
a indignação com as recentes alegações de abuso sexual indicasse que o
rótulo de pervertido permanecerá para a prática da pedofilia, a
realidade está aí de que poderosos defensores da pedofilia, com acesso
às editoras universitárias, continuarão sua campanha semântica e
ideológica para enfraquecer a definição dessa forma de perversão.
Anne Hendershott é célebre professora da Universidade do Rei em Nova Iorque, EUA. Ela é autora de “The Politics of Deviance” (As Políticas da Perversão). Este artigo apareceu originalmente no Public Discourse e foi publicado com permissão.
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