Mente vazia é oficina do pastor

O título do artigo chama a atenção, pois popularmente se diz que "mente vazia é oficina do diabo".
Não tenho o propósito de comparar a figura do pastor com o diabo. Por
mais que um líder tenha defeitos, o pastor verdadeiro, que tem
compromisso com Deus, sofre muita perseguição. Quem tem experiência sabe
do que estou falando. Não escrevo isso com intuito de não parecer tão
crítico no texto. Tenho muitos amigos pastores que concordam com o que
escrevo. Agora pergunto ao amado leitor: Será somente o diabo que faz da
mente humana uma "oficina" quando esta se encontra vazia? Porque
se eu atribuo ao diabo as más obras dos homens, então no dia do Juízo
Final será somente o inimigo de nossas almas que prestará contas?!
Ninguém fez nada? Ninguém tem culpa?? O profeta Jeremias não inocenta os
que dispersam as ovelhas do Senhor. "Ai dos pastores que dispersam as minhas ovelhas". (Jeremias 23:1) Em outro artigo deixei claro que a obediência cega é fruto de manipulações humanas, com pouco ensino bíblico, característico
na maioria das seitas diabólicas. O líder é visto como um ser muito
superior, um escolhido especial, e o que ele falar é "Deus falando", independente de estar ou não de acordo com as Escrituras Sagradas.
“Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho
além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:8)
além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:8)
No versículo acima citado, o apóstolo Paulo, em sua carta aos gálatas, adverte que, ainda que ELE MESMO,
ou até um anjo do céu, viesse para pregar um "outro evangelho", que
seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a
ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. O sujeito
pregou, seja quem for (lembre-se: até um anjo do céu) e está fora das
Escrituras, você já não lhe deve nenhuma obediência! O que acontece em
alguns círculos religiosos é que o líder pula, sapateia, fala línguas
estranhas, faz muito barulho, e o povo logo acha que este homem é "Deus
puro" falando, e por isso está acima de qualquer suspeita. O que todo
cristão deveria entender é que, mesmo que um pastor, pregador ou
profeta, entregue mil revelações, e todas elas se cumpram; mesmo que ele
ore e vários mortos ressuscitem na mesma hora, ainda assim ele não
deixará de ser um homem, falho, com defeitos, errante, capaz de
cometer pecados gravíssimos, como qualquer outro ser humano. Mas essa
associação é difícil, principalmente quando o líder é do estilo "fogo
puro". E pregar isso que eu escrevo é praticamente um pecado para
muitos, sob pena de"Deus pesar a mão" por estar cometendo o gravíssimo pecado de "tocar o ungido de Deus",
no caso, o pastor. Quando eu ainda era apenas membro, ficava
repreendendo os maus pensamentos, quando me vinham questionamentos sobre
algumas burocracias da igreja. Chegava a suspeitar que o demônio
controlava a minha mente com perguntas que eu não deveria fazer! Uma
pena, mas é exatamente assim que milhares e milhares de cristãos se
autocondenam, quando suspeitam do líder estar em desacordo com a Palavra
de Deus.
Existem
crentes rebeldes e desobedientes? Com certeza que existem! Percebemos
isso em pessoas complicadas, que não param em lugar nenhum. Ficam 3
meses em uma igreja, e logo acham "problemas", e o pastor já não presta.
Muito diferente de um cristão fiel, que questiona algum posicionamento
da liderança. Todo pastor que se preza sabe que ele nunca conseguirá
100% de unanimidade com todos os membros da congregação. Sempre há
aqueles que discordam de alguma coisa. A Escritura nos mostra um
desacordo entre Paulo e Barnabé, relatado nas próprias palavras
bíblicas, como uma "não pequena discussão" entre os dois. (Atos 15) Foi
um para cada lado, mas nem por isso um deles deixou de ser homem de
Deus! Perguntar, desejar um esclarecimento, discordar, não é pecado,
desde que este não seja acompanhado de um sentimento de inveja, ódio e
desejo de arrumar confusão. Ser um cristão obediente não é sinônimo de
suicídio mental. O senso crítico sempre existirá, mesmo quando estamos
cultuando, sentindo a presença de Deus, consagrando, jejuando, etc.
O raciocínio crítico só é intimidado em virtude das ameaças de púlpito, como, por exemplo, o pastor soltar, no meio de suas exortações, um alto e sonoro "E ai de quem se levantar contra esta obra!" Resumindo, em poucas palavras, ele quis dizer"ai de quem se levantar contra as minhas decisões". Ora, quem, sendo cristão, vai se levantar "contra a obra de Deus"?? Quando alguém questiona a liderança eclesiástica, ela se dirige a postura e decisões humanas referentes à igreja no sentido da denominação religiosa, e não no sentido espiritual. O membro que discorda das decisões do pastor, nunca sofre castigo divino, mas sim, retaliações da liderança, sendo boicotado das oportunidades no microfone e outras atividades na igreja. Esta e outras formas de constranger as pessoas quase sempre são pregadas porque ele, o pastor, sabe que no íntimo qualquer ser humano em sã consciência questiona atitudes arbitrárias. Como ele tem um grande receio de que a dúvida de um desperte outros, e aglomere mais irmãos que questionem seus posicionamentos, ele rapidamente saca do bolso estas pérolas de sua retórica manipuladora. O que surpreende é que muitos pastores não vivem esta pseudo-ingenuidade que eles tanto cobram dos membros. Todos as suas decisões, gastos e investimentos são calculados, bem longe das reuniões de orações. Locação ou compra de um imóvel, compra de veículo, etc, ele o faz desconfiando da própria sombra. Se você tentar, por exemplo, vender um carro ou um terreno a um pastor deste, o interrogatório que ele faz é tanto, que você desiste de fazer negócio. Ou seja, ele não tem nenhuma credibilidade no que você diz. De contrapartida, ele apregoa na igreja que você pode e deve confiar no pastor. Acredito até que devemos ter mesmo muito cuidado na hora de fazer negócios. Mas este tipo de líder não aceita que você duvide dele a metade do que ele suspeita de você. Ele é ele, e você é você!
Vou
citar um exemplo, um fato extremo e de raro acontecimento no meio
cristão, o caso do pastor Jim Jones. Em Jonestown, no ano de 1978, Jim
Jones levou 900 pessoas que o seguiam a tomarem veneno, dizendo ser esta
uma "ordem de Deus". E, infelizmente, todos eles obedeceram.
Menos o pastor, claro, que logo depois foi morto. Todos os seus
seguidores acreditaram que, cometendo aquele bárbaro suicídio coletivo,
estariam fazendo a "vontade de Deus". Se você pensa que nunca
iria obedecer a uma ordem como esta, é porque não conhece a forma como
as pessoas são conduzidas a este tipo de atitude. Não foi de um dia para
outro que ele ordenou o suicídio. Não é de uma hora para outra que um
líder solta uma ordem em que ele sabe que irá ser questionado. Antes o
terreno é preparado de forma cautelosa. Imagine que no meio de tantos
adeptos não haviam aqueles que duvidavam das ideias malucas do pastor
Jim Jones. Com certeza que haviam! E muitas pessoas iniciam na religião
duvidando de muita coisa. Mas com o tempo, a falácia nas reuniões,
somadas as ameaças de castigo divino aos "incrédulos", aprisionam a
mente humana de uma forma impressionante. Geralmente esta manipulação
mescla manifestações espirituais, histórias tristes de sofrimento do
líder, e dramaticidade em histórias de "perseguição"."-Estamos sendo perseguidos...querem acabar com a nossa igreja..." Isso
desvia o pensamento da administração material do templo, além incluir
boatos e suspeitas no pacote da "perseguição" da igreja, que pode, na
verdade, nem estar acontecendo. Uma grande sacada de quem bolou! Deixo
claro ao amado leitor, que este exemplo é um dos raros casos de extremo
fanatismo. Suicídios, anúncios de datas de fim de mundo, quando surgem
no meio de uma denominação evangélica, esta já está muito distante dos
ensinos da Palavra de Deus. Resolvi relatar este fato, não com o
objetivo de denegrir a figura pastoral, mas de podermos refletir sobre
como muitas outras coisas, mesmo que não sejam tão graves como esta,
podem estar sendo ensinadas e ordenadas erroneamente no seio de uma
igreja.
O
fanatismo, a crença cega na teocracia humana, alcança um nível que, se
você questionar, ou apenas duvidar de um determinado líder, e um dos
adeptos dele for seu amigo, este se transformará em seu pior inimigo! A
mente está dominada de uma forma quase irreversível. Tentar fazer uma
pessoa assim a pensar de forma imparcial e crítica sobre a sua
credibilidade cega no pastor, é complicadíssimo, e gera uma discussão
interminável. A maioria destas pessoas receberam alguma bênção durante o
culto (que veio de Deus, e não do homem) e o pastor, automaticamente,
torna-se um ídolo. Este tipo de crente até prega que a 'glória' deve ser
somente para Deus, mas defende o líder a unhas e dentes. Daí a razão de
dificilmente ele desconfiar do querido pastor que lhe impôs as mãos, e
ele foi curado, liberto, etc. Mesmo que chegue aos seus ouvidos que o
pastor cometeu algum erro, para ele isso não passará de um pequeno
deslize, sem nenhuma gravidade. Até o dia em que este deslize se
confrontar com ele, ou uma "bomba" estourar, revelando adultérios e
outros pecados ocultos do líder. Quando este membro, que tinha o pastor
como o "santo homem de Deus", se decepciona, cai numa profunda
depressão, apostata da fé, e dificilmente irá para alguma outra igreja.
Torna-se um ateu sem assumir publicamente. A sua fé estava mais no homem
do que em Deus.
Quando
falo de "mente vazia", não me refiro a estar de férias, descansar um
fim de semana, viajar, sem estar no ofício de seu trabalho. Há um enorme
equívoco na interpretação desta ociosidade da mente humana. Me refiro
ao crente que não gosta de meditar na Palavra de Deus, lê muito pouco a
bíblia, que vive de 'caixinha de promessa', como se a Escritura fosse um
mero sorteio de mensagens bíblicas. Seus pensamentos sobre o que é ser
cristão variam entre achismos e pregações aleatórias que ele ouve aqui e
ali. Afirma que não gosta de teologia, mas a sua mente é impregnada de
raciocínios humanos sobre o que é santificação, igreja, pecado, o que dá
no mesmo, só que pior: andando na contramão das Sagradas Escrituras. Em
alguns casos nem o pastor tem culpa do que determinados tipos de
membros colocam na cabeça. Alguns criam uma fantasia espiritual, que ele
tem um segredo ultra-secreto com Deus, que ninguém está capacitado a
entender o "mistério" que Deus tem na vida dele. Nem o pastor! É tão
"profundo" que nem ele entende. E nunca vai entender! Este é o típico
desobediente, pois o pastor solicita que ele não falte a Escola Bíblica
Dominical, ou reunião de estudo, e este crente quase nunca aparece.
Equivocado e imaturo, sempre afirma que "a obra que Deus tem na vida dele é diferente",
e conclui que não precisa aprender igual aos outros. Quase sempre faz
isso espelhando-se em outros "meninos da fé", que se sentem estrelas
pentecostais em vigílias e reuniões "de fogo", onde os glórias e aleluiasfuncionam
como aplausos as frases de efeito, versículos isolados, jargões
pentecostais, e outros devaneios explanados aos gritos no microfone.
Uma
das coisas que me deixa indignado são pregações patéticas que tem, em
seu conteúdo, terceiras intenções, no que diz respeito a "segurar"
pessoas na igreja. Quando um determinado tipo de pastor percebe que não
está sendo "obedecido" por um certo número de membros, sermões
flamejantes (com uma suposta "revelação" adequada ao problema) são
disparados do púlpito, do tipo: "A árvore vai balançar e os frutos podres vão cair...fiquem ligados, irmãos..." Traduzindo:
quem saiu, inconformado com as diretrizes do pastor, é porque era fruto
podre, não prestava. Mas quem ficou, passivo aos caprichos do
'coronel', mesmo que discordando as escondidas, é fruto bom, porque
permaneceu na igreja. Um sermão muito conveniente para quem gosta de
controlar o povão. Me impressiona como alguns pastores chegam a dizer,
em conversas particulares, que o povo precisa ser tratado com "dureza",
ou do contrário não se submetem as ordens pastorais. Discordo
completamente, como ainda tenho comigo o conselho do salmista, quando
diz: "Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm
entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não
se sujeitarão". (Salmos 32:9) Muito ao contrário dos valores
de alguns líderes contemporâneos, a Bíblia Sagrada nos ensina uma
independência e liberdade em Cristo, para fazermos a obra de Deus sem
estarmos debaixo do jugo do homem. Isso nos é claramente mostrado quando
Jesus não se agregou a mercenários, denunciando os vendilhões do
templo, cujo os únicos motivos de estarem ali era pelo dinheiro. Quando
desmascarou os escribas fariseus hipócritas, que pensavam servir a Deus
com suas vestes talares, e Jesus os chamou de sepulcros caiados. Se
somos convidados pelo apóstolo Paulo a sermos "imitadores" de Cristo (1º Coríntios 11:1),
então a nossa indignação contra aquilo que está errado não pode ser
comparada ao pecado de rebeldia ou desobediência. Se pregamos contra o
pecado para aqueles que são do mundo e não conhecem a verdade, muito
mais para aqueles que a conhecem, não?!
Numa
ocasião, quando eu ainda era missionário, fui convidado a pregar em uma
igreja. Lá eu via muitas pessoas chegando, e o pastor observava a cada
uma, sentado do púlpito. Num dado momento, chegou um visitante e
estacionou o carro do outro lado da rua. Ele desceu do púlpito e foi
correndo abraça-lo. Pensei se tratar de alguém que ele esperava, um
parente. Mas não. Sequer o conhecia! Quando voltou, percebendo que
fiquei olhando, ele falou ao pé do meu ouvido: "-Visitantes assim a gente tem que recepcionar bem...para voltarem sempre!" Mas
e os outros? - pensei comigo. Aqueles inúmeros irmãos, que chegam a pé,
não tem tanto valor quanto o irmão que chega balançando a chave do
carro?! Nesta igreja onde fui, qualquer irmão de maior poder aquisitivo
rapidamente era consagrado ao diaconato e presbitério, quando outros,
mais humildes, esperavam a anos um dia poder ser do ministério. Ao
encerrar o culto, este pastor, na maior cara-de-pau, me convida a sair
do meu ministério, e mudar para o dele. Respondi que até então eu me
sentia muito bem onde eu estava. Querendo admitir ou não, a grande
maioria dos evangélicos sabe que esta é uma realidade em várias igrejas.
Infelizmente vivemos numa época em que muitas igrejas precisam ser evangelizadas! Vê-se
muito corporativismo religioso, porém pouco amor ao próximo. Pessoas
são valorizadas, não por aquilo que elas são, mas por aquilo que elas
tem. Onde está o amor ágape, que está acima de todas estas coisas?! Qual
o sentido de ser cristão, "diferente do mundo", se as nossas atitudes não nos identificar como noiva de Cristo?! Se agimos, em termos de valores sociais, igual ao mundo,
qual a diferença da igreja com aqueles que não servem a Deus?! Se
confessamos a Cristo como nosso Salvador, se anunciamos o evangelho da
salvação que transforma o ser humano em uma "nova criatura", se nos
vestimos como crentes, se falamos e usamos vocabulário de crente, onde
está a identidade de Servo e imitador do Mestre, quando destratamos um
irmão por ele não ter um carro do ano, não morar na zona sul, e não dar
um dízimo alto?! Será que este comportamento irá passar desapercebido
aos olhos do Senhor pelo fato de estarmos dentro da igreja todos os
dias, presente em todos os cultos?? A Palavra de Deus, a Espada do
Espírito, nos dá excelentes respostas!
expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente:
Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade". (Mateus 7:22)
"Porque,
se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com
traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido, e
atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te
aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te
abaixo do escabelo dos meus pés, não fazeis, porventura, distinção entre
vós mesmos e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos? Mas se
fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores". (Tiago 2:2-4,9)
"Apascentai
o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas
espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas
de boa vontade. Nem como dominadores sobre os que vos foram confiados,
mas servindo de exemplo ao rebanho". (1º Pedro 5:2,3)
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