Igreja evangélica mantém tradição do século XX e possui templos diferentes para negros e brancos
A cidade rural de Canguçu, no Rio Grande do Sul, possui uma
peculiaridade na Igreja Luterana local: uma congregação para negros e
outra para descendentes de alemães.
A divisão teve origem no início do século XX, numa proibição aos
negros de frequentarem os cultos junto com os descendentes dos
imigrantes europeus. Na época, havia resistência dos membros da
denominação para a permissão de que os negros entrassem nos templos,
embora a denominação desenvolvesse trabalhos missionários em comunidades
quilombolas.
Atualmente, a proibição não existe mais, embora o costume de cultuar
em templos diferentes permaneça. A cidade, que possui 53 mil habitantes e
fica a 300 km de Porto Alegre, abriga a congregação Redentora, formada
por descendentes de europeus, e a congregação Manoel do Rego, fundada em
1927 e formada por afrodescendentes.
O pastor Edgar Quandt é o líder das duas congregações, e diz que já
houve tentativas fracassadas de tornar as igrejas em uma só. Segundo o
presidente da associação quilombola da cidade, Marco Antônio Matos, os
membros de ambas as congregações decidiram que o melhor seria manter
como está.
Esse caso é único em todo o país, e de acordo com o jornal Folha de
S. Paulo, as duas linhas da denominação – Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil e Igreja Evangélica Luterana do Brasil – não possuem
relato de algo semelhante.
O coral da congregação Redentora conta com membros das duas
congregações, e outras atividades eclesiásticas, como festas por
exemplo, são realizadas em conjunto. “Não há discriminação, como às
vezes parece de fora. Eles gostam de ter [cada um] a sua congregação. Há
uma integração muito boa em toda a nossa igreja”, diz o pastor Quandt.
Folha de S. Paulo
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