Lição 3 - Éfeso, a igreja do amor esquecido
15 de Abril de 2012
TEXTO ÁUREO
“Lembra-te,
pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras;
quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal,
se não te arrependeres” (Ap 2.5). - A ti virei é um tempo presente, referindo-se não à segunda vinda, mas a uma vinda espiritual em bênção ou em julgamento. Tirarei do seu lugar o castiçal: uma congregação pode continuar a existir sem ser a luz na escuridão. Cristo rejeitará toda congregação ou igreja que não se arrepender de sua falta de amor e obediência ao Senhor Jesus, e a removerá do seu reino.
VERDADE PRÁTICA
Se não voltarmos urgentemente ao primeiro amor, jamais viveremos o refrigério de um grande e poderoso avivamento.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Apocalipse 2.1-7.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
· Identificar a singularidade da igreja de Éfeso;
· Compreender seu grave problema; e
· Conscientizar-se que devemos voltar ao primeiro amor.
Palavra Chave
Amor: Intenso afeto por outra pessoa; devoção e dedicação. (latim amor, -oris) Sentimento
que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se
sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra
pessoa (ex.: amor filial, amor materno). = AFETO ≠ = ÓDIO, REPULSA) (http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx).
COMENTÁRIO
(I.Introdução)
Éfeso (Gr. Ἔφεσος; Lat. Ephesus), significa “desejável’’. Cidade greco-romana da Antiguidade situada na costa ocidental da Ásia Menor, província
de Esmirna, atual Turquia. Foi por muitos anos a segunda maior cidade
do Império Romano, com uma população estimada em cerca de 250 000
habitantes já no século I a.C., o que também fazia dela a segunda maior
cidade do mundo na época. A cidade era célebre pelo Templo de Ártemis, a
deusa do meio ambiente conhecida como Diana pelos romanos, a deusa da
fertilidade, erguido em 550 a.C., uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Éfeso, juntamente com Mileto, também na Ásia Menor, foi berço da
filosofia. Arqueólogos encontraram em suas ruínas um templo dedicado à
adoração ao imperador. Ali havia uma estátua de Domiciano, o imperador
que exilou o apóstolo João na ilha de Patmos e perseguiu os cristãos.
Foi encontrado também uma inscrição em pedra (talvez erigida por ordem
do imperador), que premiava Éfeso como a "mais ilustre de todas as
cidades" da Ásia. É a igreja que começou bem, mas havia perdido o que
lhe deu o conceito de desejável - o amor. Uma igreja sem amor é uma
igreja em decadência total (1Co 13). A igreja de Éfeso foi muito bem
estabelecida na doutrina apostólica. Em toda a Ásia Menor, não havia
igreja mais obreira, dinâmica e ortodoxa do que a de Éfeso. O seu
preparo teológico era tão sólido, que o seu pastor capacitara-se,
inclusive, a confrontar os que se diziam apóstolos (Ap 2.2). Éfeso era a
igreja apologética (Parte da Teologia que ensina a defender a religião
contra os seus detratores) por excelência. Ela
destacava-se também por seu testemunho, esforço e extenuante labor pela
expansão do Reino de Deus. Paulo ensinou a Palavra de Deus ali, durante
três anos (At 20.31). Todos os ensinos básicos lhe foram ministrados. “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At
20.27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios,
observa-se que aquela igreja era espiritual. Mais saibamos que o juízo
de Deus irá começar pela própria Casa de Deus (1Pe 4.17). Por isso Éfeso
foi uma das igrejas que foram advertida pelo Senhor. Ela foi a igreja
que João pastoreava quando foi desterrado para a solitária Ilha de
Patmos, segundo a tradição Cristã dos primeiros séculos e de onde,
talvez, tenha sido escrito o Evangelho de João.
(II.Desenvolvimento)
I. ÉFESO, UMA IGREJA SINGULAR
1. Paulo em Éfeso.
O Evangelho chegou a Éfeso, a mais notável metrópole da Ásia Menor,
durante a segunda viagem missionária de Paulo (At 18.19). Paulo já havia
estado em Éfeso antes (At 18.21), quando ministrou lá pela primeira vez
no inverno de 55 d.C. Nessa terceira visita às igrejas da Galácia,
permaneceu ministrando em Éfeso por mais de dois anos (At 19.8-10),
criando laços profundos com aquela igreja, fato esse percebido na
mensagem de despedida a eles, uma das passagens mais emocionantes da
Bíblia (At 20.17-38). Durante essa viajem, Paulo escreve 1Corintios em
Éfeso, 2 Coríntios na Macedônia e Romanos em Corinto.
2. A solidez doutrinária de Éfeso.
Paulo afirma que esteve durante três anos (At 20.31) admoestando a cada
crente daquela igreja, ensinando que o objetivo magnífico está na
publicação do compromisso de Jesus de construir uma igreja gloriosa,
madura e de um ministério sem 'mácula, nem ruga' (Ef 5.27). Aqueles
crentes receberam a revelação do 'mistério' da Igreja como nenhuma outra
comunidade da época. Durante esse tempo, Paulo lhe expôs todo o
conselho de Deus (At 20.27). Pode haver um curso bíblico mais completo? E
a epístola que o apóstolo lhes enviou? (Ef 1.1-5). Aqueles cristãos
doutoraram-se na Palavra de Deus.
3. Uma igreja de ministros excelentes. Além
de Paulo, a igreja em Éfeso foi pastoreada, também, por Timóteo e
Tíquico (um dos Setenta Discípulos, companheiro de Paulo em sua terceira
viagem missionária).A função do Pastor é de instruir o povo na Palavra de Deus (I Tm 3; II Tm 2.15; Tt 1.6-9). Essa
igreja, teve o privilegio de possuir obreiros do calibre de Paulo e
Apolo, contou com cristãos ilustres como Priscila e Áquila (At 18.27).
Seus primeiros anos foram caracterizados por milagres e um grande
crescimento (At 19.11-20); ainda contou com Timóteo,
Tíquico e João, o discípulo amado. Os obreiros que por lá passaram eram
de comprovada excelência. Que exemplo de excelência doutrinaria! O
pastor não deve falar ou ensinar suas próprias filosofias, mas sim ser
fiel ao ensinamento da Palavra de Deus. Inferimos dessa liderança
eclesiástica de Éfeso, o que esse mensageiro (pastor ou líder local) tem
uma responsabilidade muito séria diante de Deus. Isso serve de alerta
aos que lideram, mas não se esmeram em aprender a Palavra. Que Deus
possa suprir a Igreja Brasileira com homens fiéis à Palavra como aqueles
que lideraram Éfeso no principio.
SINOPSE DO TÓPICO (I)
A solidez doutrinária denotava a singularidade da igreja de Éfeso.
II. O PROBLEMA DE ÉFESO
1. Um grave problema.
A queixa do Senhor contra essa igreja foi o abandono do primeiro amor. A
vitalidade espiritual que surge do amor pelo Senhor que eles possuíam,
degenerou para uma rotina ortodoxa. Eram poderosos nas Escrituras, mas
atrofiados na prática do amor. Cristo exige de cada igreja devoção total
e rejeita aqueles membros indiferentes e desanimados. A vida cristã
exige comprometimento tanto emocional quanto intelectual com Cristo, o
evitar a indiferença, e a exortação a manter o zelo pelo Senhor. É o que
o próprio Jesus ensina-nos com o homem que edificou a sua casa na rocha
(Mt 7.24), que devemos não apenas ouvir, mas também praticar a sua
palavra. Este é o grande desafio da práxis cristã: ouvir, aprender e
agir segundo as Escrituras. “Ortodoxia sem ortopraxia” é incompatível
com o ensinamento das Escrituras.
2. O primeiro amor. “Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”
(Rm 12.11). Temos ouvido frases do tipo: “Esse irmão está no fogo do
primeiro amor!” ou “Isso é coisa de quem está no primeiro amor”, e na
maioria das vezes, não entendemos o que é esse primeiro amor. Pelo
exemplo de Éfeso vemos que quem perdeu o primeiro amor, sua vida cristã
está fora dos parâmetros de Deus; “O fogo, pois, sobre o altar arderá nele; não se apagará” (Lv 6.12). O crente deve ser constante em seu zelo pelo Senhor e seu reino. A devoção indiferente 'é desprezível (Ap 3.16). Aquele
fogo do primeiro amor, do primeiro encontro com Deus tem que durar a
vida inteira. O Pr Emílio Conde escreve em seu livro Igrejas sem Brilho: “A
igreja deve ser um caudal de vibração e entusiasmo espiritual manifesto
nas suas atividades evangelizadoras. Na igreja não deve faltar o fato
altamente poderoso que impulsiona para o êxito todos os empreendimentos).
3. Amnésia do amor.
Sendo o primeiro amor tão sublime e inefável, pode alguém vir a
esquecê-lo? Lembremos que a cidade de Éfeso era como que 'o centro
mundial' do paganismo. Ali havia uma das sete maravilhas do velho mundo —
o templo da deusa Ártemis/Diana, local de intensa idolatria, onde
floresciam a prostituição, as bebedeiras e as orgias. No templo,
criminosos achavam asilo. Era um céu para o perverso. Com suas
prostitutas, eunucos, dançarinas e cantores, era o esgoto da iniquidade.
Não é fácil desempenhar uma missão nas portas do inferno. Para esta
igreja, localizada em meio à tamanha idolatria e imoralidade, foi normal
seu envolvimento com a ortodoxia, o zelo pelo conjunto de doutrinas
provindas das Escrituras, e tidas como verdadeiras de conformidade com a
ministração de lideranças comprometidas com a verdade. Também é fato
que o exercício prático não pode ser esquecido, embora o ambiente fosse
desfavorável, não poderiam permanecer atrofiados na prática do amor (intenso afeto por outra pessoa; devoção e dedicação).
A vida cristã exige comprometimento para que o amor não se transforme
em ódio, repulsa, por causa de praticas contrarias ao evangelho, mas o
fervor espiritual deve continuar ardendo ate que todos sejam alcançados
com a pregação da mensagem do Evangelho.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O grave problema de Éfeso era a amnésia do primeiro amor.
III. VOLTANDO AO PRIMEIRO AMOR
“E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.”(Tg 1.22). A
grande luta do Crente deve ser para manter-se firme no Senhor, mantendo
sempre acesa a chama do primeiro amor por Cristo e sua igreja até o
último instante de sua vida aqui na terra. O amor sem o qual os vários
dons do Espírito Santo não atingem sua finalidade. O amor, a essência da
natureza divina. O amor, a perfeição do caráter humano. O amor, a maior
força do universo.
1. Rica em obras, pobre em amor.
Aqueles irmãos tiveram um início glorioso em sua experiência com Deus. A
epístola de Paulo aos Efésios dá a entender que aquela igreja não era
problemática, como a de Corinto, por exemplo. No princípio, os efésios
se destacavam pela elevada espiritualidade. Contudo, o tempo passou e
algo mudou. Aparentemente, tudo estava como antes: as obras continuavam a
todo vapor. Aquela comunidade era muito ativa e trabalhadora.
Entretanto, a essência estava comprometida. Havia muito trabalho e pouco
amor; muita atividade humana e pouca unção do Espírito. As boas obras
são importantes, mas precisamos lembrar que elas não salvam (Ef 2.8-9).
2. Amar é a mais elevada das obras.
Não há obra tão elevada como amar a Deus: “Amarás, pois, o SENHOR, teu
Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu
poder.” (Dt 6.5). O Que é o Primeiro Amor? (1Co 13.1-8). Amor
profundo por Jesus, a Bíblia e a igreja; Desejo profundo de andar em
intimidade com Deus; Desejo ardente de cultuar ao senhor; Amor e
comunhão sincera com os irmãos; e Dedicação sincera a Cristo e à sua
obra, prazer em servir, consagração total.
SINOPSE DO TÓPICO (III)
Embora rica em obras, a igreja de Éfeso se esqueceu de que amar é a mais elevada das obras.
IV. LEMBRANDO SE DO PRIMEIRO AMOR
Se
o amor foi abandonado, perdeu-se aquela que deveria ser a principal
motivação para as boas obras. O que resta é um trabalho frio, mecânico,
automático e sem vida. Parece que os efésios se tornaram negligentes em
relação aos princípios fundamentais do cristianismo. Estavam caminhando,
mas algo se perdeu no meio do caminho: o primeiro amor, o fervor
espiritual, a intimidade com Deus. Pecados foram cometidos e esquecidos
sem serem perdoados. Por isso, o Senhor diz: “Lembra-te de onde caíste e arrepende-te”.
Como voltar ao primeiro amor? A resposta vem do próprio Cristo:
“Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras
obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu
castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2.5).
1. Lembrar-se de onde caiu.
A Bíblia exorta-nos a lembrar-nos de Deus, porque Ele jamais se esquece
de nós (Ec 12.1; Is 44.21; 49.15). O cristão, infelizmente, corre o
risco de esquecer-se daquEle que se esquece somente de nossos pecados
(Hb 8.12). Nas cartas às sete igrejas da Ásia, fica claro que Jesus
examina a sua igreja, mas cada um de nós precisa examinar a si mesmo,
sob a luz da Palavra de Deus, para verificarmos a nossa real condição
espiritual: “Lembra-te de onde caíste”. A igreja não se arrepende se cada membro não se arrepender, pois o resultado coletivo é fruto das iniciativas individuais.
2. Voltar à prática das primeiras obras. O Pr Ciro Sanches Zibordi comentando esta lição, escreve em seu BLOG: “Jesus tem o remédio para a perda do primeiro amor (v.5). a) “Lembra-te de onde caíste” — o filho pródigo também refletiu sobre sua vida e se lembrou da casa do pai (Lc 15.17); b)
“arrepende-te” — arrependimento verdadeiro envolve intelecto,
sentimento e vontade; o arrependimento de Judas foi apenas emocional (Mt
27.3-5); c)
“pratica as primeiras obras” — muitos pensam em estratégias de
crescimento inovadoras, mas o avivamento começa com a reconquista do que
foi perdido (Lm 5.21; 2 Cr 29.25-30; Jr 6.16; Pv 24.21); d)
“quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu
castiçal, se não te arrependeres” — se permanecermos na condição de
desobedientes a Deus, isso resultará na perda da nossa posição em
Cristo”. [http://cirozibordi.blogspot.com.br/2012/03/cartas-as-igrejas-do-apocalipse-parte-1.html].
3. Amar a vinda de Cristo. Cremos que a Segunda vinda de Cristo é a bendita esperança da Igreja, o grande ponto culminante do evangelho. A vinda do Salvador será literal, pessoal, visível e universal. Quando Ele voltar, os justos falecidos serão ressuscitados
e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e
levados para o Céu. Devemos amar a Sua vinda, esperando com fé e
mantendo-nos vigilantes, pois o dia e a hora não se sabe, nem os anjos, e
nem o próprio Senhor Jesus, mas somente o Pai (Mt 24:36). Na carta aos
Efésios 2.19, Paulo diz aos irmãos que agora não somos mais
estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família
de Deus; nossa identidade é celestial, não temos identidade com este
mundo. São muitos os que já não crêem ou não esperam ou não desejam a
segunda vinda, acham que Jesus já fez tudo o que tinha que fazer,
ensinando o evangelho de salvação, mostrando o caminho ao Pai, porém
nós, como o seu corpo místico, almejamos por sua vinda: “Desde agora, a
coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará
naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua
vinda” (2 Tm 4.8). Maranata!
SINOPSE DO TÓPICO (IV)
Lembrar-se de onde caiu é o primeiro passo para se voltar ao primeiro amor.
(III. Conclusão)
A
essência da vida cristã está exatamente na experiência do primeiro
amor. Quando este primeiro amor começa a se transformar em rotina
diária, é um sinal de alerta de que a verdadeira experiência cristã está
se esfriando. O segredo é fazer o efeito do primeiro amor permanecer em nossas vidas.
O primeiro amoré o selo identificador de um relacionamento. Ele é o
fruto de uma tomada de decisão, de uma entrega pessoal, de um
envolvimento existencial. Promessa
aos vencedores: “Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que
está no meio do paraíso de Deus” (v.7). A nossa glorificação e o nosso
galardão estão condicionados à perseverança em servir ao Senhor (Mt
24.13; 1 Co 15.1,2; Hb 3.14; Ap 2.10; 3.11; Rm 8.18). “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18).
Subsídio para o Professor
O Evangelho chegou a Éfeso no ano 52,
quando Paulo, ao fim de suasegunda viagem missionária, passou por aquela
cidade e pregou na sinagoga (At18.19,20). Áquila e Priscila, o haviam
acompanhado e ficaram ali, trabalhandoem sua profissão e evangelizando.
Quando o apóstolo iniciou sua terceiraviagem, voltou a Éfeso e achou ali
12 crentes, os quais batizou. Na ocasiãotodos foram também batizados
com o Espírito Santo (At 19.1-6). Com isto Deusestava abrindo a porta
para um enorme despertamento espiritual, proporcionandoum grandioso
crescimento da igreja naquela cidade (At 19.11). Paulo permaneceuali por
dois anos, continuando depois a sua viagem. Em seu regresso aJerusalém,
passou por Mileto, cidade portuária, distante 66km de Efeso, ondeteve
um emocionante encontro com os anciãos da igreja (At 20.17-38).
Passados 39 anos, veio a carta de Jesus
àquela igreja. O assuntoprincipal de que se ocupou a referida carta, “o
primeiro amor”, é de talimportância, que justifica dedicarmos a lição de
hoje a este tema.
Havia em Éfeso uma grandebiblioteca e um
teatro com lugares para 25 mil pessoas assentadas. A cidadepossuía o
principal porto da Ásia, colocando-se, assim, na rota comercial
doImpério. Foi construído naquela cidade um templo para a realização de
cultos aoimperador romano. Hoje, existem apenas ruínas daquele grande
centro urbano,entre as quais se destaca a fachada da antiga biblioteca.
PERMANÊNCIA INTERROMPIDA
A permanência de Paulo em Éfesofoi
interrompida por uma grande perseguição. Através de suas pregações,
muitosse converteram a Cristo. Com isso, o comércio das imagens da deusa
Diana estavase enfraquecendo. Tomados de ira, os fabricantes de ídolos
provocaram grandetumulto, tentando fazer com que Paulo fosse
publicamente condenado por pregar umadoutrina que estaria "prejudicando"
a cidade (At.19.21-40; ICor.15.32). Afinal, o turismo e o comércio
estavam estabelecidos sobre aidolatria. Diante de disso, Paulo se
retira. Depois de algum tempo, mandouchamar os líderes da igreja de
Éfeso para se encontrarem com ele em outracidade, Mileto. Ali, Paulo se
despede deles, dizendo que não mais o veriam(At.20.16-38).
Timóteo, Apolo, Áquila e
Priscilatrabalharam na igreja de Éfeso (At.18.18,19,24; I Tm.1.3; II
Tm.4.19). Deacordo com a tradição, o apóstolo João também exerceu
ministério naquela cidadee ali morreu. A bíblia não confirma isso. O que
temos de concreto é que Joãoescreveu uma carta à igreja de Éfeso assim
como fez a outras seis igrejas daÁsia (Apc.2.1).
MOTIVO DO ENVIO DA CARTA
As igrejas cristãs estavam
seestabelecendo em diversas cidades do Império Romano, começando dos
principaiscentros, onde Paulo procurava concentrar suas atividades
evangelísticas. Nessesmesmos centros, encontravam-se colônias judaicas,
já que, por motivos diversos,milhares de judeus estavam espalhados por
vários lugares. Eles se estabeleciamcom mais freqüência nas principais
cidades, como seria natural, uma vez quenesses locais se concentravam as
atividades comerciais, culturais e religiosas,sendo os melhores campos
para o trabalho e o enriquecimento.
Desse modo, em todos os lugaresPaulo
encontrava uma sinagoga e ali pregava para os judeus. Assim, apesar
dosprotestos e perseguições, alguns se convertiam. Logo estava
estabelecida aigreja e sua formação incluía gentios e judeus. Percebe-se
então uma dicotomiaimediata na comunidade. Além disso, como era
natural, a igreja era formada porhomens e mulheres, servos e senhores,
escravos e livres, ricos e pobres. Bemsabemos que esse cenário não era
uma particularidade de Éfeso, mascaracterística comum a diversas
igrejas. Essa diversidade de componentes daigreja, faz com que ela seja
um organismo bastante eclético.
Essa variedade se tornava, muitasvezes,
causa de divisão, partidarismo, dentro das igrejas. Por isso,
Pauloescreve aos efésios, tendo como principal tema a unidade da igreja.
Seu focoestá principalmente sobre a questão entre judeus e gentios. Por
um lado, osjudeus se consideravam como a "nata" religiosa do mundo.
Então, osgentios eram vistos por eles como uma segunda categoria, até
mesmo dentro daigreja. Os gentios, por sua vez, poderiam se sentir
inferiorizados. Contudo,nas cidades fora da Palestina, os gentios eram
os "donos da casa".Então, os judeus poderiam ser vistos como
estrangeiros arrogantes que seachavam superiores aos próprios cidadãos
do lugar.
Tudo isso nos mostra que erafácil que a
igreja se dividisse internamente entre o grupo dos judeus e o grupodos
gentios. Então, Paulo insiste na doutrina da unidade da igreja.
Afinal,Cristo chamou pessoas tão diferentes e as uniu em um corpo para
que aprendessemo amor que supera todas as desigualdades e até mesmo
ajuda a minimizá-las oueliminá-las quando possível.
UNIDADE DA IGREJA
Paulo menciona a localização degentios e
judeus dentro do plano de salvação e da igreja. Seu objetivo
édemonstrar que no corpo de Cristo, esse tipo de diferença é
irrelevante. Eletenta fazer com que seus leitores vejam que, no passado,
todos eles erampecadores (Ef.2.1-3) e que agora todos são salvos. Estes
são os adjetivos queimportam. Não interessa saber quem é judeu e quem é
gentio. Essas verificaçõessó serviam para dividir a igreja. Paulo diz
que agora, após a conversão,ninguém era mais estrangeiro, como se
tivesse um tratamento diferente dentro daigreja.
Somos todos concidadãos(Ef.2.19). Dizer
isso para gentios e judeus era mostrar que não mais importavao lugar
onde nasceram nem a sua origem genealógica. Agora, somos cidadãos
namesma cidade, a Nova Jerusalém. Afinal, nascemos de novo. Agora somos
parte damesma família.
0 AMOR É A ESSÊNCIA DA VIDA CRISTÃ
1. O amor e a vida do crente. O
amor é essencial à vida do crente. A vidaespiritual se manifesta quando
“Cristo vive em mim” (Gl 2.20; Cl 1.27; 3.4; 1Jo 5.11,12). Sendo Jesus a
caridade (1 J0 4.8,16), quando Ele vive no crente,este passa a viver em
amor.
2. O amor une a Igreja a Cristo. O
amor é essencial à comunhão da Igreja com Jesus.Através do amor a
Igreja está vinculada a Jesus como uma noiva ao seu noivo.Pela salvação
nasceu em nós “o primeiro amor” (Ap 2.4; 1 Jo 4.19). Então ocrente se
compromete a amar a Jesus e ser-lhe fiel (2 Co 11.2,3) até o fim
(Ap2.10), quando, pela morte ou pelo arrebatamento, passar a estar
sempre com oSenhor (Fp 1.23; 1
Ts 4.17).
3. O amor e a vida de fé. O amor é
essencial à demonstração duma vida de fé. Averdadeira vida de fé opera e
se manifesta através da caridade (Gl 5.6).Portanto, o crente em cuja
vida o primeiro amor já se esgotou, tem tudo paraser uma pessoa vazia e
estéril em si mesma.
O AMOR - UM SEGREDO DA VIDA CRISTÃ
O amor é um segredo no funcionamento da
vida cristã. O verdadeiro amorse expressa, não através de “palavras nem
de línguas, mas por obras e emverdade” (1 Jo 3.18). São estas obras que
resplandecem, como luz, diante doshomens (Mt 5.16).
1. O amor e a comunhão com Deus. O
amor é o segredo da nossa comunhão com Deus. Nós Oamamos porque Ele nos
amou primeiro (1 Jo 4.11,19). Este amor nos alegra (1 Pe1.8) e
impulsiona a estarmos a sós com o Senhor em oração (Cl 1.4)
e a obedecermos à Sua Palavra (Jo 14.15,21,23).
2. O amor como vinculo de união. O
amor é o vínculo que une os crentes. No amor deCristo somos feitos UM
(Cl 3.16; At 4.32; Jo 17.21). O amor é a evidência deque o crente está
na luz (1 J0 2.20) e de que é nascido de novo (1 Jo 5.1).
3. O amor e o trabalho do Senhor.
O amor impulsiona o crente para o trabalho (2 Co5.14,15). Os crentes
hebreus mostraram seu amor ao Senhor servindo aos santos(Hb 6.10).
4. O amor e a vinda de Jesus. O
amor conserva o crente preparado para a vinda deJesus. Somente os que
amam a Sua vinda poderão receber a coroa da justiça (2 Tm4.8). A Bíblia
diz: “Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema” (1 Co 16.22).
O ABANDONO DO PRIMEIRO AMOR
O que leva o crente â trágica situação de abandonar a sua primeiracaridade?
1. Descuido. Quando alguém, por
descuido, perde a intimidade comJesus, seu amor começa a esfriar. No
momento em que Pedro começou a ficar “paratrás” (Hb 4.1) e a seguir a
Jesus de “longe” (Lc 22.54), já estava a um passoda queda. Devemos
acompanhar a Jesus “de perto” (Si 63.8; Gn 32.26; 2 Cr31.21;Is 26.9),
como Enoque (Gn 5.24) e Noé (Gn 6.9), que andaram com Deus (Am 3.3).
2. Amor dividido. Quando alguém
divide o seu amor entre Jesus e outrascoisas, indica que está
abandonando a “sua primeira caridade”. A conseqüênciado amor ao
dinheiro, por exemplo, é o desvio da fé (1 Tm 6.10; Gl 5.6). Aqueleque
ama o mundo e tudo quanto no mundo há (1 Jo2.15) ou se mantém preso a
um“jugo desigual” (2 Co 6.14), está trocando o seu primeiro amor por
“inimizadescontra Deus”, pois a Bíblia diz que “qualquer que quiser ser
amigo do mundo,constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).
3. Indisposição de perdoar. Isto
tem prejudicado a muitos crentes a ponto defazê-los perder a primeira
caridade. Em lugar de perdoar os ofensores, permitemque uma raiz de
amargura tome conta de seu sentimento (Hb 12.15). Jesus nosperdoou uma
dívida muito maior e, por isto, devemos também, perdoar os
nossosdevedores (Mt 6.12; 18.23- 35). Um coração fechado faz murchar a
oração (Mc11.24-26) e o amor então esfria.
A PERDA DO PRIMEIRO AMOR SIGNIFICA UMA QUEDA
Jesus disse: “Lembra-te, pois, de onde caíste” (Ap 2.5). Por que a perdado primeiro amor se constitui uma queda?
1. Comunhão só através do amor. A
extinção do primeiro amor na vida do crente implicatambém na perda de
comunhão com Jesus. Tudo na vida espiritual se baseia noamor (1 Co
16.14). Se o amor entre os cônjuges se acabar, que restará, então,do
matrimônio? Semelhante- mente, se a noiva de Jesus perder seu amor para
como Noivo, não estará em perigo a sua felicidade eterna? Cada um deve
examinar asi (1 Co 11.28).
2. Sem amor não há serviço para Deus.
A perda do amor implica na perda do valor do nossoserviço para Deus.
“Se falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivessecaridade,
seria como o metal que soa ou como o sino que tine” (1 Co 13.1-3),Nem
trabalho, nem sacrifício, nem oferta, nem uso dos dons, nem outra
coisaqualquer poderá jamais substituir o amor. Até a finalidade da
Igreja de ser luzdo mundo, estará em perigo se faltar o amor, como está
escrito: “quando não,brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu
castiçal” (Ap 2.5).
3. Não há paz sem o amor. A perda
do primeiro amor abre a porta às vãscontendas (1 Tm 1.5,6). Dá lugar
também à manifestação das obras da carne (Gl5.19-21) dentre as quais se
destacam o ódio, a ira e a inveja. Faltando o amor,corremos o risco de
destruir alguém pelo qual Cristo morreu (Rm 14.15).
A perda do amor é uma queda porque a
coroa da justiça será dada somenteaos que amarem a vinda de Jesus (2 Tm
4.8). Perdendo a coroa, uma conseqüênciada perda do amor, que daria o
homem em resgate da sua alma?” (Mc 8.36,37). QueDeus nos guarde de
perder o amor.
A CARIDADE PERDIDA PODE SER RECUPERADA
Jesus escreveu à igreja em Efeso, não
semente sobre o que lhe faltava,mas também a respeito da receita para
sua recuperação espiritual.
1. “Lembra-te, pois donde caíste” (Ap2.5).
A recordação do gozo e dafelicidade proporcionados pela íntima comunhão
com Jesus no passado, constituium despertamento para a grande
necessidade de deixar os atuais caminhos evoltar para Deus (Si 119.59;
Lm 3.40; Lc 15.17- 20).
2. “Arrepende-te” (Ap 2.5). Esta
receita é infalível. Arrependimento significaque o faltoso reconhece
diante de Deus o seu erro e resolve deixá-lo, confiandono poder do
sangue de Jesus para perdoá-lo (1 Jo 1.7; Tg 4.9; 2 Tm 2.26; Pv28.13).
Esta receita, porém, deve ser aplicada “durante o tempo que se
chamahoje” (Hb 3.13). O Senhor espera! Arrepende-te, pois, confiando nos
méritos deJesus.
3. “Pratica as primeiras obras” (Ap2.5).
Depois de ter recebido perdãode tudo, o amor e a comunhão com Jesus
voltam de novo a ter as mesmasexpressões como “nos dias antigos” (Ml
3.4). Este sentimento se manifestaentão, não só pela boca, mas em todas
as suas evidências (Lm 5.21; Os 2.14,15;Jr 2.2,3). “As coisas velhas já
passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co5.17).
BIBLIOGRAFIA
Lições bíblicas CPAD 1989
ComentárioBíblico Mathew Henry - Novo TestamentoEdição Completa
Nenhum comentário:
Postar um comentário