A
TRINDADE - COMO COMPREENDER
O batismo cristão ordenado por Cristo na Grande
Comissão(Mt. 28.19), deve ser efetuado “em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo”. Observe que o texto diz “nome” e não “nomes”. A idéia é que o
nome de Deus é Pai-Filho-Espírito Santo. E verdade que o termo Trindade não se
encontra no texto hebraico nem no grego, na Bíblia; e tampouco aparecem termos
como “soteríologia” — no entanto, existe na teologia sistemática a doutrina da
salvação, também se encontra a da “hamartologia”, a da “transcendência” e
“imanência”, ou a da “preexistência” de Cristo, ou a “cristologia”.
Poucas pessoas que discutem os ensinos bíblicos
levantam uma bandeira vermelha e objetam contra o uso de tais termos, quando
estudam a natureza das graciosas obras de Deus. Tais designações servem como
rótulos convenientes, didáticos, para conceitos ou ensinos complexos a respeito
de assuntos intimamente relacionados. E impossível discutir teologia como
disciplina sistemática, filosófica, sem se usar esses termos técnicos. Nenhum
deles se encontra na Bíblia, disso temos certeza. No entanto, todos eles formam
um complexo grandioso de conceitos coerentes, organizados, que são ensinados
nas Escrituras. Portanto, devemos rejeitar como irrelevante a objeção de que a
palavra precisa, “Trindade”, não se encontra na Bíblia.
No entanto, aventuramo-nos a insistir em que alguns dos
ensinos básicos e fundamentais a respeito de Deus tornam-se praticamente
incompreensíveis, sem que tenhamos uma boa compreensão da doutrina da Trindade.
Em primeiro lugar, vamos definir com clareza o que
significa “Trindade”. Esse termo implica que o Senhor é uma unidade que
subsiste em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo — sendo os três um
só Deus. Que Deus é uno, tanto o Antigo, como o Novo Testamento o asseveram:
Deuteronômio 6.4: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”;
Marcos 12.29: “Respondeu Jesus: o principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso
Deus é o único Senhor!”; Efésios 4:6: “Há um só Deus e Pai de todos, o qual é
sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. Vemos aqui afirmações
claras, inequívocas de monoteísmo:Deus é um só!
Não há outros deuses além Dele. Isaías 45.22 menciona
Deus dizendo: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra;
porque eu sou Deus, e não há outro”. Ou ainda Salmos 96.4,5: “Porque grande é o
Senhor e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses. Porque
todos os deuses dos povos não passam de ídolos [hebr. ‘elilim tem conotação de
‘fraco, sem valor’]; o Senhor, porém, fez os céus”. Isso se torna muito
explícito em l Coríntios 8.5,6: “Porque, ainda que há também alguns que se
chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos
senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as cousas e
para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as
cousas, e nós também, por ele”.
Mas, a Bíblia também ensina que Deus não é uma 1-mônada
estéril, mas existe eternamente em três pessoas.
Isso fica implícito no registro da criação, em Gênesis
1.1-3: “No princípio, criou [bãrã; verbo no singular, não no plural bãre’û]
Deus [’elohim, plural na forma, tendo o final im; esse plural para ‘Deus’
provavelmente é um ‘plural majestático’; entretanto, compare-se Gênesis
1.26,27, que discutimos abaixo] os céus e a terra. A terra, porém, estava sem
forma e vazia… e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas [mostrando o
envolvimento da terceira Pessoa na obra da criação]. Disse Deus [’elóhîm]: Haja
luz; e houve luz”. Temos aqui Deus falando como a Palavra Criativa, o Verbo(Jo
1.3), que é a segunda Pessoa da Trindade.
Ex.: Os três
estados da água: Liquido, sólido e gasoso
O ovo -
composto: Casca, clara e gema
O homem-
triúno: Espírito, alma e corpo
Caneta
esferográfica: Tubo, carregador(tinta) esfera
O dente:
Raiz – parte do dente presa aos ossos da face (maxilas e mandíbulas);Coroa – a
parte branca visível do dente; Colo – a parte localizada entre a raiz e a
coroa.
A Terra é
constituída, basicamente, por três
camadas:
- Crosta Terrestre: Camada superficial sólida que
circunda a Terra.
- Manto: camada logo abaixo da crosta. É formada por
vários tipos de rochas que, devido às altas temperaturas, encontram-se no
estado pastoso e recebem o nome de magma.
- Núcleo: Compreende a parte central do planeta e
acredita-se que seja formado por metais como ferro e níquel em altíssimas
temperaturas.
Diz a Bíblia que cada pessoa da Trindade tem uma função
especial, tanto na obra da criação como na da redenção.
O Pai é a Fonte de todas as coisas(1 Coríntios 8.6) “…
pelo qual são todas as coisas”). Ele é aquele que planejou e ordenou a
redenção. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”
(João 3.16). A encarnação foi o cumprimento de Seu decreto previamente
anunciado em Salmos 2.7: “Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és
meu Filho, eu, hoje, te gerei”. Ele também deu-nos o Messias como expiação
pelos nossos pecados(Is. 53.6, 10). De maneira semelhante, Ele concedeu o
Espírito Santo a Seu povo(At 2.18; Ef 1.17). Ele derramou a salvação sobre os
redimidos(Ef 2.8,9), pela fé, que também é dom de Deus. E a Seu Filho entregou
a Igreja(Jo 6.37).
Quanto a Deus, o Filho, foi por meio Dele que toda a
obra da criação se realizou(Jo 1.3; lCo 8.6); significa que Ele era também o
Senhor Deus, ao qual se refere o salmo 90, o Criador que fez as montanhas, as
colinas e toda a Terra. Ele é também o Sustentador e Preservador do universo
material que Ele criou(Hb 1.2,3). No entanto, Ele também é o Deus que se tornou
“carne”(Jo 1.18), isto é, um verdadeiro ser humano —sem deixar de ser divino, a
fim de explicar (“exegete”), Deus à humanidade.
'Ele era a Luz que veio ao mundo para salvar os homens
do poder das trevas'(Jo 1.9; 8.12), por meio de Sua perfeita obediência à Lei e
Sua morte expiatória na cruz(Hb 1.3).
Ele é também aquele que venceu o poder da morte, e,
como o Salvador ressurreto, estabeleceu Sua Igreja e comissionou-a como Seu
templo vivo, Seu corpo e Sua noiva.
O Espírito Santo é aquela pessoa da Trindade que
inspirou a redação das Escrituras(lCo 2.13; 2Pe 1.21), e manifesta o Evangelho
aos redimidos de Deus(Jo 16.14). Ele comunica os benefícios do Calvário a todos
quantos verdadeiramente crêem e receberam Cristo como Senhor e Salvador(Jo 1.
12,13); e Ele penetra em suas almas a fim de santificar seus corpos como
templos vivos de Deus(lCo 3.16; 6.19), depois de terem nascido de novo pela Sua
graça transformadora(Jo 3.5,6).
A seguir, Ele ensina aos crentes as palavras de Cristo,
de modo que possam entendê-las e crer nelas(Jo 14.26; lCo 2.10), e dá
testemunho de Jesus tanto por sinais externos como por convicção interna(Jo
15.26; At 2.33,38,43). Ele santifica e congrega os membros de Cristo num
organismo vivo, que é o verdadeiro templo do Espírito Santo(Ef 2.18-22), e
concede a cada membro dons especiais da graça e do poder(charismata), mediante
os quais possam enriquecer e fortalecer a Igreja como um todo(lCo 12.7-11).
O NT afirma reiterada e claramente que Jesus Cristo é
Deus encarnado. Ele veio como o Verbo criador, que também é Deus(Jo 1.1-3). De
fato Ele é “o Deus unigênito”(Jo 1.18; segundo os manuscritos mais antigos, os
melhores, essa era a redação original), em vez de “único Filho gerado”. Em João
20.28, a afirmação de Tomé, que deixara de ser incrédulo, “Senhor meu e Deus
meu", foi aceita por Cristo como Sua verdadeira identidade; assim comentou
o Senhor: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”.
Creram em quê? Acreditaram naquilo que Tomé acabara de reconhecer, que Cristo é
Senhor e Deus!
Nas cartas de Paulo e nas epístolas gerais, encontramos
outras afirmações claras sobre a deidade de Cristo:
1. Falando dos israelitas, assim diz Paulo: “… deles
são os patriarcas, e também deles [ón, o particípio realmente exige essa
tradução; ho ón (‘ele é’) tem de ser uma construção modificadora de ho
Christos, como seu antecedente], descende o Cristo, segundo a carne [i.e., do
ponto de vista físico], o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre.
Amém” (Rm 9.5).
2. Em Tito 2.13, Paulo diz: “aguardando a bendita
esperança e a manifestação [epiphaneia noutras passagens só se refere ao
surgimento de Cristo, nunca de Deus Pai], da glória do nosso grande Deus e
Salvador Cristo Jesus.
3. Hebreus 1.8 cita Salmos 45.6,7 como prova da
divindade de Cristo, ensinada no AT: “mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus,
é para todo o sempre” [o hebraico usa ‘elóhim aqui].
4. Hebreus 1.10,11 cita Salmos 102.25,26, declarando:
“Em tempos remotos, Senhor [o salmo todo dirige-se a Iavé, pelo que o autor
insere o vocativo Senhor aqui, partindo de um contexto anterior], lançaste os
fundamentos da terra; e os céus são obras das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu
permaneces”. Aqui Cristo é mencionado como o Deus que sempre existiu, até mesmo
antes da criação, que viverá para sempre, até mesmo depois de os céus terem
cessado de existir.
5. Em l João 5.20, esse apóstolo diz: “… estamos no
verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este [lit., esta pessoa], é o
verdadeiro Deus e a vida eterna”.
No que concerne às passagens do AT, os seguintes fatos
relacionam-se à Trindade:
1. Gênesis 1.26 cita Deus(‘elóhim), que diz: “Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”. Essa primeira pessoa
dificilmente pode ser um plural editorial ou real, referente a uma única
pessoa, a que fala, visto que tal uso não se verifica em parte alguma do
hebraico bíblico. Portanto, precisamos enfrentar a pergunta:
Quem são as pessoas incluídas em “façamos nos” e em
“nossa”. Dificilmente incluiríamos os anjos, que estariam sendo consultados,
pois em parte alguma se diz que o homem foi criado à imagem deles; só de Deus.
O v. 27 afirma: “Criou Deus [’elóhim], pois, o homem à sua imagem, à imagem de
Deus o criou; o homem e a mulher os criou”, O Senhor — o mesmo Deus que falou
de Si mesmo no plural— declara agora que criou o homem à Sua imagem. Em outras
palavras, o plural equivale ao singular. Só podemos entender isto em termos da
natureza trinitária de Deus. O verdadeiro Deus subsiste em três pessoas, as
quais são capazes de discutir entre Si e executar Seus planos, pondo-os em
ação, juntos — sem deixarem de ser um único Deus.
Para nós, que fomos criados à imagem de Deus, essa
doutrina não deveria ser difícil de entender. Existe um sentido muito bem
definido em que temos uma natureza tríplice, ou trinitária. I Tessalonicenses
5.23 indica-o com clareza: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o
vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Com freqüência, encontramo-nos engajados
em debate entre nosso espírito, alma e corpo, quando enfrentamos uma decisão
moral, uma escolha entre a vontade de Deus e o desejo de nossa natureza carnal,
que busca o prazer egoísta.
2. Salmos 33.6 diz: “Os céus por sua palavra se
fizeram, e, pelo sopro [rûah, Espírito], de sua boca, o exército deles”. Aqui
de novo temos o mesmo envolvimento das três pessoas da Trindade na obra da
criação: o Pai decreta, o Filho, sendo o Verbo, executa o decreto do Pai, e o
Espírito concede a dinâmica vital ao processo.
3. Salmos 45.6 já foi citado em conexão com Hebreus
1.8: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do
teu reino”. Mas 45.7 traz uma referência a um Deus que abençoara ao Verbo que é
o perfeito Rei: “Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso Deus, o teu
Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros”. O conceito
de Deus abençoando Deus só pode ser entendido em um sentido trinitário. Um
conceito de Deus unitário torna essa passagem ininteligível.
4. Isaías 48.16 mostra as três pessoas em ação, na obra
da revelação redentora: “Chegai-vos a mim e ouvi isto: não falei em segredo
desde o princípio; desde o tempo em que isso vem acontecendo [i.e., o
livramento do povo de Deus dos grilhões e da escravidão], tenho estado lá.
Agora, o Senhor Deus me enviou a mim e o seu Espírito”. Temos aqui o Deus-homem
Redentor falando(o que se descreveu a Si mesmo no v. 12 dizendo: “sou o
primeiro e também o último”, e no v. 13, assim: “… a minha mão fundou a terra,
e a minha destra estendeu os céus…” Agora Ele diz, no v. 16: “… o Senhor Deus
me enviou a mim e o Seu Espírito(que nesse caso se refere a Deus, o Filho, e a
Deus, o Espírito, a terceira Pessoa da Trindade). E possível que “e o seu
Espírito” possa ligar-se a “me”, como objeto direto de “enviou”, mas no
contexto do original hebraico, a impressão é que “seu Espírito”(rüah, Espírito),
está ligado a ‘adonay YHWH(“Senhor Iavé), como mais um sujeito, em vez de um
objeto. Seja como for, a terceira Pessoa torna-se distinta da primeira e da
segunda, nesses versículos. Além dos exemplos mencionados acima, de versículos
do AT que não fazem sentido a não ser que se admita a natureza trinitária de
Deus, do Senhor triúno, existem múltiplos exemplos da atividade do “Anjo de
Iavé” que se iguala ao próprio Deus.
Consideremos as
seguintes passagens:
1. Gênesis 22.11 descreve o momento dramático da
experiência de Abraão no monte Moriá, quando estava prestes a sacrificar seu
filho Isaque: “Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele
respondeu: Eis-me aqui”. O versículo seguinte prossegue, igualando esse ser
celestial ao próprio Deus: “…agora sei que temes a Deus, porquanto não me
negaste o filho, o teu único filho”. Depois, nos v. 16 e 17,0 anjo declara:
“Jurei, por mim mesmo, diz o Senhor, porquanto fizeste isso e não me negaste o
teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua
descendência…”. Fica bem claro que o anjo de Iavé aqui é o próprio Deus. “Iavé”
é o nome de aliança do Deus Triuno, e o seu anjo também é o próprio Deus. Em
outras palavras, podemos identificar o anjo de Iavé em passagens como essa,
como sendo a pré-encarnação do Redentor, Deus o Filho, já engajado na obra
redentora e mediadora, antes ainda de tornar-se um homem, filho da virgem
Maria.
2. Em Gênesis 31.11,13 observamos o mesmo fenômeno; o
anjo de Deus na verdade é o próprio Deus: “E o Anjo de Deus me disse em sonho:
Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui […] Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma
coluna…”.
3. Êxodo 3:2 declara: “Apareceu-lhe o Anjo do Senhor
numa chama de fogo, no meio duma sarça…”. Depois, no v. 4, lemos: “Vendo o
Senhor que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça…”. A identificação
completa nós a temos no v. 6: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o
Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar
para Deus”. Outra vez verificamos que o Anjo do Senhor não é outro senão Iavé
em pessoa.
4. Juízes 13.20 declara: “Sucedeu, que, subindo para o
céu a chama que saiu do altar, o Anjo do Senhor subiu nela; o que vendo Manoá e
sua mulher, caíram com o rosto em terra”. Os v. 22 e 23 completam a
identificação do anjo como sendo o próprio Senhor: “Disse Manoá a sua mulher:
Certamente, morreremos, porque vimos a Deus”. Mas sua esposa lhe disse: “Se o
Senhor nos quisera matar, não aceitaria de nossas mãos o holocausto e a oferta
de manjares, nem nos teria mostrado tudo isto”.
À face dessa pesquisa das evidências bíblicas,
concluímos que as Escrituras verdadeiramente ensinam a doutrina da Trindade,
ainda que não empregue esse termo. Além disso, devemos observar que o conceito
de Deus como sendo um, em essência, mas três nos centros de consciência —a que
a Igreja grega se referia como três hypostases e a latina como três personae —
e concepção singular, exclusiva, na história do pensamento humano.
Nenhuma outra cultura ou movimento filosófico jamais
apareceu com uma idéia semelhante a essa a respeito de Deus —pensamento que
continua difícil à nossa mente finita, para que o entendamos. No entanto, a
inabilidade nossa para compreender completamente a riqueza e a plenitude da
natureza de Deus, como Trindade Santa, não deve constituir motivo para o
ceticismo. Se só tivermos de aceitar aquilo que podemos entender totalmente, e
nisso acreditar, estaremos, nesse caso, desesperançosamente além da redenção.
Por quê? Pois jamais entenderemos plenamente como poderia Deus amar-nos de tal
maneira que enviasse seu Filho Unigênito à terra para morrer por nós, pelos
nossos pecados, e tornar-se nosso Salvador. Se não aceitarmos uma idéia que não
podemos entender, como creríamos em João 3:16? Como receberíamos a certeza do
evangelho e salvar-nos?
1-Monoda: Conceito-chave na filosofia de Leibniz. No
sistema filosófico deste autor, significa substância simples, algo
"único", "simples". Como tal, faz parte dos compostos,
sendo ela própria sem partes e portanto, indissolúvel e indestrutível.
Cada mônada é, no entanto, distinguível das outras,
possuindo qualidades que variam unicamente por princípio interno, visto que,
enquanto substância pura, nenhuma causa exterior pode influir no seu interior.
Fonte:
Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas – Ed. Vida

A
TRINDADE - COMO COMPREENDER
O batismo cristão ordenado por Cristo na Grande
Comissão(Mt. 28.19), deve ser efetuado “em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo”. Observe que o texto diz “nome” e não “nomes”. A idéia é que o
nome de Deus é Pai-Filho-Espírito Santo. E verdade que o termo Trindade não se
encontra no texto hebraico nem no grego, na Bíblia; e tampouco aparecem termos
como “soteríologia” — no entanto, existe na teologia sistemática a doutrina da
salvação, também se encontra a da “hamartologia”, a da “transcendência” e
“imanência”, ou a da “preexistência” de Cristo, ou a “cristologia”.
Poucas pessoas que discutem os ensinos bíblicos
levantam uma bandeira vermelha e objetam contra o uso de tais termos, quando
estudam a natureza das graciosas obras de Deus. Tais designações servem como
rótulos convenientes, didáticos, para conceitos ou ensinos complexos a respeito
de assuntos intimamente relacionados. E impossível discutir teologia como
disciplina sistemática, filosófica, sem se usar esses termos técnicos. Nenhum
deles se encontra na Bíblia, disso temos certeza. No entanto, todos eles formam
um complexo grandioso de conceitos coerentes, organizados, que são ensinados
nas Escrituras. Portanto, devemos rejeitar como irrelevante a objeção de que a
palavra precisa, “Trindade”, não se encontra na Bíblia.
No entanto, aventuramo-nos a insistir em que alguns dos
ensinos básicos e fundamentais a respeito de Deus tornam-se praticamente
incompreensíveis, sem que tenhamos uma boa compreensão da doutrina da Trindade.
Em primeiro lugar, vamos definir com clareza o que
significa “Trindade”. Esse termo implica que o Senhor é uma unidade que
subsiste em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo — sendo os três um
só Deus. Que Deus é uno, tanto o Antigo, como o Novo Testamento o asseveram:
Deuteronômio 6.4: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”;
Marcos 12.29: “Respondeu Jesus: o principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso
Deus é o único Senhor!”; Efésios 4:6: “Há um só Deus e Pai de todos, o qual é
sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. Vemos aqui afirmações
claras, inequívocas de monoteísmo:Deus é um só!
Não há outros deuses além Dele. Isaías 45.22 menciona
Deus dizendo: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra;
porque eu sou Deus, e não há outro”. Ou ainda Salmos 96.4,5: “Porque grande é o
Senhor e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses. Porque
todos os deuses dos povos não passam de ídolos [hebr. ‘elilim tem conotação de
‘fraco, sem valor’]; o Senhor, porém, fez os céus”. Isso se torna muito
explícito em l Coríntios 8.5,6: “Porque, ainda que há também alguns que se
chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos
senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as cousas e
para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as
cousas, e nós também, por ele”.
Mas, a Bíblia também ensina que Deus não é uma 1-mônada
estéril, mas existe eternamente em três pessoas.
Isso fica implícito no registro da criação, em Gênesis
1.1-3: “No princípio, criou [bãrã; verbo no singular, não no plural bãre’û]
Deus [’elohim, plural na forma, tendo o final im; esse plural para ‘Deus’
provavelmente é um ‘plural majestático’; entretanto, compare-se Gênesis
1.26,27, que discutimos abaixo] os céus e a terra. A terra, porém, estava sem
forma e vazia… e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas [mostrando o
envolvimento da terceira Pessoa na obra da criação]. Disse Deus [’elóhîm]: Haja
luz; e houve luz”. Temos aqui Deus falando como a Palavra Criativa, o Verbo(Jo
1.3), que é a segunda Pessoa da Trindade.
Ex.: Os três
estados da água: Liquido, sólido e gasoso
O ovo -
composto: Casca, clara e gema
O homem-
triúno: Espírito, alma e corpo
Caneta
esferográfica: Tubo, carregador(tinta) esfera
O dente:
Raiz – parte do dente presa aos ossos da face (maxilas e mandíbulas);Coroa – a
parte branca visível do dente; Colo – a parte localizada entre a raiz e a
coroa.
A Terra é
constituída, basicamente, por três
camadas:
- Crosta Terrestre: Camada superficial sólida que
circunda a Terra.
- Manto: camada logo abaixo da crosta. É formada por
vários tipos de rochas que, devido às altas temperaturas, encontram-se no
estado pastoso e recebem o nome de magma.
- Núcleo: Compreende a parte central do planeta e
acredita-se que seja formado por metais como ferro e níquel em altíssimas
temperaturas.
Diz a Bíblia que cada pessoa da Trindade tem uma função
especial, tanto na obra da criação como na da redenção.
O Pai é a Fonte de todas as coisas(1 Coríntios 8.6) “…
pelo qual são todas as coisas”). Ele é aquele que planejou e ordenou a
redenção. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”
(João 3.16). A encarnação foi o cumprimento de Seu decreto previamente
anunciado em Salmos 2.7: “Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és
meu Filho, eu, hoje, te gerei”. Ele também deu-nos o Messias como expiação
pelos nossos pecados(Is. 53.6, 10). De maneira semelhante, Ele concedeu o
Espírito Santo a Seu povo(At 2.18; Ef 1.17). Ele derramou a salvação sobre os
redimidos(Ef 2.8,9), pela fé, que também é dom de Deus. E a Seu Filho entregou
a Igreja(Jo 6.37).
Quanto a Deus, o Filho, foi por meio Dele que toda a
obra da criação se realizou(Jo 1.3; lCo 8.6); significa que Ele era também o
Senhor Deus, ao qual se refere o salmo 90, o Criador que fez as montanhas, as
colinas e toda a Terra. Ele é também o Sustentador e Preservador do universo
material que Ele criou(Hb 1.2,3). No entanto, Ele também é o Deus que se tornou
“carne”(Jo 1.18), isto é, um verdadeiro ser humano —sem deixar de ser divino, a
fim de explicar (“exegete”), Deus à humanidade.
'Ele era a Luz que veio ao mundo para salvar os homens
do poder das trevas'(Jo 1.9; 8.12), por meio de Sua perfeita obediência à Lei e
Sua morte expiatória na cruz(Hb 1.3).
Ele é também aquele que venceu o poder da morte, e,
como o Salvador ressurreto, estabeleceu Sua Igreja e comissionou-a como Seu
templo vivo, Seu corpo e Sua noiva.
O Espírito Santo é aquela pessoa da Trindade que
inspirou a redação das Escrituras(lCo 2.13; 2Pe 1.21), e manifesta o Evangelho
aos redimidos de Deus(Jo 16.14). Ele comunica os benefícios do Calvário a todos
quantos verdadeiramente crêem e receberam Cristo como Senhor e Salvador(Jo 1.
12,13); e Ele penetra em suas almas a fim de santificar seus corpos como
templos vivos de Deus(lCo 3.16; 6.19), depois de terem nascido de novo pela Sua
graça transformadora(Jo 3.5,6).
A seguir, Ele ensina aos crentes as palavras de Cristo,
de modo que possam entendê-las e crer nelas(Jo 14.26; lCo 2.10), e dá
testemunho de Jesus tanto por sinais externos como por convicção interna(Jo
15.26; At 2.33,38,43). Ele santifica e congrega os membros de Cristo num
organismo vivo, que é o verdadeiro templo do Espírito Santo(Ef 2.18-22), e
concede a cada membro dons especiais da graça e do poder(charismata), mediante
os quais possam enriquecer e fortalecer a Igreja como um todo(lCo 12.7-11).
O NT afirma reiterada e claramente que Jesus Cristo é
Deus encarnado. Ele veio como o Verbo criador, que também é Deus(Jo 1.1-3). De
fato Ele é “o Deus unigênito”(Jo 1.18; segundo os manuscritos mais antigos, os
melhores, essa era a redação original), em vez de “único Filho gerado”. Em João
20.28, a afirmação de Tomé, que deixara de ser incrédulo, “Senhor meu e Deus
meu", foi aceita por Cristo como Sua verdadeira identidade; assim comentou
o Senhor: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”.
Creram em quê? Acreditaram naquilo que Tomé acabara de reconhecer, que Cristo é
Senhor e Deus!
Nas cartas de Paulo e nas epístolas gerais, encontramos
outras afirmações claras sobre a deidade de Cristo:
1. Falando dos israelitas, assim diz Paulo: “… deles
são os patriarcas, e também deles [ón, o particípio realmente exige essa
tradução; ho ón (‘ele é’) tem de ser uma construção modificadora de ho
Christos, como seu antecedente], descende o Cristo, segundo a carne [i.e., do
ponto de vista físico], o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre.
Amém” (Rm 9.5).
2. Em Tito 2.13, Paulo diz: “aguardando a bendita
esperança e a manifestação [epiphaneia noutras passagens só se refere ao
surgimento de Cristo, nunca de Deus Pai], da glória do nosso grande Deus e
Salvador Cristo Jesus.
3. Hebreus 1.8 cita Salmos 45.6,7 como prova da
divindade de Cristo, ensinada no AT: “mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus,
é para todo o sempre” [o hebraico usa ‘elóhim aqui].
4. Hebreus 1.10,11 cita Salmos 102.25,26, declarando:
“Em tempos remotos, Senhor [o salmo todo dirige-se a Iavé, pelo que o autor
insere o vocativo Senhor aqui, partindo de um contexto anterior], lançaste os
fundamentos da terra; e os céus são obras das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu
permaneces”. Aqui Cristo é mencionado como o Deus que sempre existiu, até mesmo
antes da criação, que viverá para sempre, até mesmo depois de os céus terem
cessado de existir.
5. Em l João 5.20, esse apóstolo diz: “… estamos no
verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este [lit., esta pessoa], é o
verdadeiro Deus e a vida eterna”.
No que concerne às passagens do AT, os seguintes fatos
relacionam-se à Trindade:
1. Gênesis 1.26 cita Deus(‘elóhim), que diz: “Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”. Essa primeira pessoa
dificilmente pode ser um plural editorial ou real, referente a uma única
pessoa, a que fala, visto que tal uso não se verifica em parte alguma do
hebraico bíblico. Portanto, precisamos enfrentar a pergunta:
Quem são as pessoas incluídas em “façamos nos” e em
“nossa”. Dificilmente incluiríamos os anjos, que estariam sendo consultados,
pois em parte alguma se diz que o homem foi criado à imagem deles; só de Deus.
O v. 27 afirma: “Criou Deus [’elóhim], pois, o homem à sua imagem, à imagem de
Deus o criou; o homem e a mulher os criou”, O Senhor — o mesmo Deus que falou
de Si mesmo no plural— declara agora que criou o homem à Sua imagem. Em outras
palavras, o plural equivale ao singular. Só podemos entender isto em termos da
natureza trinitária de Deus. O verdadeiro Deus subsiste em três pessoas, as
quais são capazes de discutir entre Si e executar Seus planos, pondo-os em
ação, juntos — sem deixarem de ser um único Deus.
Para nós, que fomos criados à imagem de Deus, essa
doutrina não deveria ser difícil de entender. Existe um sentido muito bem
definido em que temos uma natureza tríplice, ou trinitária. I Tessalonicenses
5.23 indica-o com clareza: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o
vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Com freqüência, encontramo-nos engajados
em debate entre nosso espírito, alma e corpo, quando enfrentamos uma decisão
moral, uma escolha entre a vontade de Deus e o desejo de nossa natureza carnal,
que busca o prazer egoísta.
2. Salmos 33.6 diz: “Os céus por sua palavra se
fizeram, e, pelo sopro [rûah, Espírito], de sua boca, o exército deles”. Aqui
de novo temos o mesmo envolvimento das três pessoas da Trindade na obra da
criação: o Pai decreta, o Filho, sendo o Verbo, executa o decreto do Pai, e o
Espírito concede a dinâmica vital ao processo.
3. Salmos 45.6 já foi citado em conexão com Hebreus
1.8: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do
teu reino”. Mas 45.7 traz uma referência a um Deus que abençoara ao Verbo que é
o perfeito Rei: “Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso Deus, o teu
Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros”. O conceito
de Deus abençoando Deus só pode ser entendido em um sentido trinitário. Um
conceito de Deus unitário torna essa passagem ininteligível.
4. Isaías 48.16 mostra as três pessoas em ação, na obra
da revelação redentora: “Chegai-vos a mim e ouvi isto: não falei em segredo
desde o princípio; desde o tempo em que isso vem acontecendo [i.e., o
livramento do povo de Deus dos grilhões e da escravidão], tenho estado lá.
Agora, o Senhor Deus me enviou a mim e o seu Espírito”. Temos aqui o Deus-homem
Redentor falando(o que se descreveu a Si mesmo no v. 12 dizendo: “sou o
primeiro e também o último”, e no v. 13, assim: “… a minha mão fundou a terra,
e a minha destra estendeu os céus…” Agora Ele diz, no v. 16: “… o Senhor Deus
me enviou a mim e o Seu Espírito(que nesse caso se refere a Deus, o Filho, e a
Deus, o Espírito, a terceira Pessoa da Trindade). E possível que “e o seu
Espírito” possa ligar-se a “me”, como objeto direto de “enviou”, mas no
contexto do original hebraico, a impressão é que “seu Espírito”(rüah, Espírito),
está ligado a ‘adonay YHWH(“Senhor Iavé), como mais um sujeito, em vez de um
objeto. Seja como for, a terceira Pessoa torna-se distinta da primeira e da
segunda, nesses versículos. Além dos exemplos mencionados acima, de versículos
do AT que não fazem sentido a não ser que se admita a natureza trinitária de
Deus, do Senhor triúno, existem múltiplos exemplos da atividade do “Anjo de
Iavé” que se iguala ao próprio Deus.
Consideremos as
seguintes passagens:
1. Gênesis 22.11 descreve o momento dramático da
experiência de Abraão no monte Moriá, quando estava prestes a sacrificar seu
filho Isaque: “Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele
respondeu: Eis-me aqui”. O versículo seguinte prossegue, igualando esse ser
celestial ao próprio Deus: “…agora sei que temes a Deus, porquanto não me
negaste o filho, o teu único filho”. Depois, nos v. 16 e 17,0 anjo declara:
“Jurei, por mim mesmo, diz o Senhor, porquanto fizeste isso e não me negaste o
teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua
descendência…”. Fica bem claro que o anjo de Iavé aqui é o próprio Deus. “Iavé”
é o nome de aliança do Deus Triuno, e o seu anjo também é o próprio Deus. Em
outras palavras, podemos identificar o anjo de Iavé em passagens como essa,
como sendo a pré-encarnação do Redentor, Deus o Filho, já engajado na obra
redentora e mediadora, antes ainda de tornar-se um homem, filho da virgem
Maria.
2. Em Gênesis 31.11,13 observamos o mesmo fenômeno; o
anjo de Deus na verdade é o próprio Deus: “E o Anjo de Deus me disse em sonho:
Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui […] Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma
coluna…”.
3. Êxodo 3:2 declara: “Apareceu-lhe o Anjo do Senhor
numa chama de fogo, no meio duma sarça…”. Depois, no v. 4, lemos: “Vendo o
Senhor que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça…”. A identificação
completa nós a temos no v. 6: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o
Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar
para Deus”. Outra vez verificamos que o Anjo do Senhor não é outro senão Iavé
em pessoa.
4. Juízes 13.20 declara: “Sucedeu, que, subindo para o
céu a chama que saiu do altar, o Anjo do Senhor subiu nela; o que vendo Manoá e
sua mulher, caíram com o rosto em terra”. Os v. 22 e 23 completam a
identificação do anjo como sendo o próprio Senhor: “Disse Manoá a sua mulher:
Certamente, morreremos, porque vimos a Deus”. Mas sua esposa lhe disse: “Se o
Senhor nos quisera matar, não aceitaria de nossas mãos o holocausto e a oferta
de manjares, nem nos teria mostrado tudo isto”.
À face dessa pesquisa das evidências bíblicas,
concluímos que as Escrituras verdadeiramente ensinam a doutrina da Trindade,
ainda que não empregue esse termo. Além disso, devemos observar que o conceito
de Deus como sendo um, em essência, mas três nos centros de consciência —a que
a Igreja grega se referia como três hypostases e a latina como três personae —
e concepção singular, exclusiva, na história do pensamento humano.
Nenhuma outra cultura ou movimento filosófico jamais
apareceu com uma idéia semelhante a essa a respeito de Deus —pensamento que
continua difícil à nossa mente finita, para que o entendamos. No entanto, a
inabilidade nossa para compreender completamente a riqueza e a plenitude da
natureza de Deus, como Trindade Santa, não deve constituir motivo para o
ceticismo. Se só tivermos de aceitar aquilo que podemos entender totalmente, e
nisso acreditar, estaremos, nesse caso, desesperançosamente além da redenção.
Por quê? Pois jamais entenderemos plenamente como poderia Deus amar-nos de tal
maneira que enviasse seu Filho Unigênito à terra para morrer por nós, pelos
nossos pecados, e tornar-se nosso Salvador. Se não aceitarmos uma idéia que não
podemos entender, como creríamos em João 3:16? Como receberíamos a certeza do
evangelho e salvar-nos?
1-Monoda: Conceito-chave na filosofia de Leibniz. No
sistema filosófico deste autor, significa substância simples, algo
"único", "simples". Como tal, faz parte dos compostos,
sendo ela própria sem partes e portanto, indissolúvel e indestrutível.
Cada mônada é, no entanto, distinguível das outras,
possuindo qualidades que variam unicamente por princípio interno, visto que,
enquanto substância pura, nenhuma causa exterior pode influir no seu interior.
Fonte:
Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas – Ed. Vida
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