Entrevista com o promotor do caso Igreja Maranata revela fatos chocantes acerca da máfia do dízimo
Membros da Maranata no ES usam Bíblia para coação, diz promotor
Paulo Panaro informou que, após prisões, ameaças continuaram. Membros são investigados por estelionato, tráfico de influência e outros.
Portal G1
Os
líderes da Igreja Maranata presos nesta terça-feira (12), em Vila
Velha, na Grande Vitória, suspeitos de intimidarem testemunhas e
autoridades, usavam a Bíblia como forma de coação. A afirmação foi dada
pelos promotores de justiça do Ministério Público do Espírito Santo
(MP-ES) Paulo Panaro e Jerson Ramos, em entrevista ao Bom Dia Espírito
Santo, na manhã desta quarta-feira (13). Além disso, Panaro também
informou que, mesmo após as prisões, uma testemunha continuou sendo
coagida e ameaçada.
Os
quatro pastores presos nesta terça-feira, em uma operação conjunta
entre o Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) e Polícia Federal,
são apontados como agentes intelectuais que estariam interferindo no
curso das investigações, ameaçando e intimidando testemunhas a mudarem
seus depoimentos e até membros do Ministério Público e do Judiciário. A
Igreja Cristã Maranata é investigada pelo MP-ES desde março de 2012, por
crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, tráfico de influência,
falsidade ideológica e desvio de erário.
O
MP-ES deu mais detalhes de como aconteciam as coações, que utilizavam
até a Bíblia. "Membros da Igreja Cristã Maranata estavam sendo coagidos
pelos líderes da igreja. É uma instituição hierarquizada. O pastor por
ser o líder tem a dominação de todo o seu rebanho, e o que ele diz deve
ser realizado. Então, essa coação, diferente da normalidade, onde a
coação é direta dizendo o que uma pessoa deve fazer ou deixar de fazer,
ela é feita através do uso de uma interpretação manipulada da Bíblia",
explicou o promotor Paulo Panaro.
Para
o também promotor Jerson Ramos, trechos da escritura sagrada eram
usados de maneira subliminar. "Distorciam a forma da mensagem, trazendo
informações subliminares, que acuavam as pessoas, que ficavam subjugadas
às pessoas que transmitem a mensagem. As pessoas ficaram apavoradas",
esclareceu.
Algumas
expressões utilizadas dentro da própria igreja também eram usadas como
forma de coagir as pessoas. "O que se observa é o seguinte, dentro da
instituição, a expressão 'caído' para eles é muito grave. Você ser um
caído é gravíssimo, ser um excluído é gravíssimo. Eles excluíam as
pessoas dentro da própria instituição, ela é relegada a segundo plano,
como forma de coação, eles se sentiam caídos, excluídos", frisou Panaro.

Intimidações continuam
O
promotor Paulo Panaro também afirmou ter recebido uma denúncia na tarde
desta terça-feira (12) dizendo que uma testemunha recebeu telefonemas
ameaçadores, mesmo após as prisões. "Mesmo a Justiça tendo determinado a
prisão dessas pessoas com a finalidade de fazer cessar essas coações,
parece que a ação da Justiça não as intimidou. Ontem (terça-feira),
cheguei ao meu gabinete e encontrei um documento assinado de uma das
vítimas, falando que tão logo a imprensa veiculou a notícia das prisões,
a pessoa recebeu três telefonemas ameaçadores. Diziam 'Fulano, você viu
o que você fez?' Eu vim de longe para te pegar, vou só esperar a poeira
baixar para você ver o que vai acontecer", revelou o promotor.
Segundo
Panaro, a testemunha coagida nesta terça-feira (11) já vinha sofrendo
ameaças. "Essa é uma testemunha que queriam que ela se retratasse, ela
não se retratou e isso está acontecendo com ela. Vou investigar as
ligações para detectar os proprietários das linhas e tomar as medidas
cabíveis", concluiu.
Outro lado
Por
meio de nota, a Igreja Cristã Maranata disse que jamais coagiu
testemunhas ou ameaçou autoridades. Ainda informou que está processando
judicialmente aqueles que estão acusando a instituição, de acordo com a
lei. A Igreja acredita que todas as acusações e acontecimentos desta
terça-feira, com a prisão dos pastores, foram pautadas no desejo de
retaliação e perseguição.
A
Igreja Maranata foi criada no Espírito Santo há 45 anos e conta com
mais de 5 mil templos em todo o país. No último domingo (10), um evento
realizado pela igreja reuniu mais de 100 mil pessoas em Vitória.

"Bom dia ES"
Veja o vídeo AQUI
Glossário da 'Obra'
1. Obra: jargão
comum e enfadonhamente proferido entre os adeptos da Maranata.
Necessariamente, há uma alusão imediata à Instituição quando se
pronuncia tal palavra. Na prática, tal palavra refere-se à própria
Instituição enquanto conjunto de doutrinas, dogmas, usos, costumes e
práticas. Em suma, é o nome dado ao sistema religioso que perfaz a
Maranata e que obrigatoriamente esteja subordinado ao seu Presbitério. É
bastante comum em suas pregações enfatizarem mais esse termo “Obra” do
que o próprio nome Jesus Cristo, ou Deus, ou Espírito Santo. Dada a
representatividade e relevância de tal termo, percebe-se que em
documentos e livros sob o domínio da Maranata e até mesmo na escrita dos
adeptos (seja no Orkut, MSN, E-mail, etc), sempre se faz questão de
escrever essa palavra com a inicial maiúscula, denotando tratar-se de um
nome próprio. Há um grau de veneração bastante explícito sobre “essa Obra”,
aferido pelo comportamento e discurso dos membros da Maranata. Eis
abaixo alguns desdobramentos, variantes do termo em questão:
1.1. Fazer parte da Obra: estar emembrado efetivamente na Maranata.
1.2. Mentalidade de Obra: acatar as doutrinas e práticas da Maranata.
1.3. Entendimento de Obra: dar-se à submissão às ordenanças da Maranata.
1.4. Falar mal da Obra: criticar as doutrinas da Maranata.
1.5. Sair da Obra: deixar de ser membro da Maranata.
1.6. Padrão da Obra: adoção dos usos, costumes e liturgia, bem como aos maneirismos e dialeto (linguajar) estereotipado da Maranata.
1.7. Descaracterizar a Obra: sobre o fato de alguém não se vestir ou não se portar de acordo com o padrão estabelecido como ideal.
1.8. Imagem da Obra: zelo
descomunal em relação ao nome da Instituição, principalmente exercitado
fora dos domínios da Maranata. É a representatividade da Instituição
através do adepto.
1.9. Expor a Obra: em referência a algo negativo realizado por algum membro que causa ou causou alguma má fama ao nome e à imagem da Maranata.
1.10. Discernimento de Obra: é normalmente uma adjetivação ou elogio aos adeptos que apresentam atitudes satisfatórias ao sistema religioso da Maranata.
1.11. Obra como forma de vida: absorção integral dos ditames, mandamentos e preceitos das doutrinas particulares da Maranata. Alienação
total em relação a tudo o que não for da “Obra” ou que não esteja sob o
controle do Presbitério. Participação e adoção fanatizada a tudo que
pertine e gravita em razão da Maranata. Se a ideologia “Obra” censurar, o
objeto de censura deve ser banido, abandonado, não praticado. Em nada
se assemelha do “novo nascimento”, conforme vemos nas Escrituras, mas
trata-se sim de um comportamento cujo perfil e estereotipo do indivíduo
se torna tal qual o convencionado pela liderança, uma identidade que
seja particular apenas daquela massa específica.
1.12. Doutrina da Obra: em referência as práticas religiosas e costumes particulares da Maranata.
1.13. Obra Dinâmica:
diz-se em referência às mudanças periódicas que ocorrem na instituição
em matéria de doutrinas, procedimentos e mandamentos. Esse “dinamismo”
justifica-se pelas revelações de novas práticas que se diz Deus conceder
à Maranata. Ensina-se que assim como Deus concede novas revelações
doutrinárias, Ele também pode revogar, acrescentar ou alterar as já
existentes. Esse é o dinamismo da “Obra”, mudanças e variações da
vontade de Deus.
1.14. Obra
Revelada – Obra Maravilhosa – Obra Preciosa – Obra Perfeita – Obra
Gloriosa – Obra Redentora – Obra Completa – Obra Única – Grande Obra –
Obra de Davi – Obra de Paulo – Obra de Valentes – Obra Filho Único: jargões
pertencentes ao linguajar que são altamente repetitivos e de
auto-exaltação gratuita ao sistema supramencionado. Tais nomenclaturas
elevam o sistema a um status de divindade, principalmente ao se
valer de prerrogativas e adjetivos exclusivos da Trindade, como
“Maravilhoso”, “Glorioso”, “Redentor”, “Precioso” e, principalmente,
“Filho Único”.
2. Projeto: é a
referência a toda teoria doutrinária costurada pelo Presbitério ao longo
dos anos, bem como, é o andamento do sistema doutrinário da Maranata:
cumprimento de sua rotina. É também a subserviência às novas doutrinas,
obediência às orientações e mandamentos que estão sendo repassados
periodicamente pelo Presbitério. Também, é a adaptação dos textos
descontextualizados do Velho Testamento a favor da fundação da Maranata,
como que a referida Instituição fosse um projeto profetizado por Deus
desde os tempos judaicos.
2.1. Fora do Projeto:
é a condição de uma pessoa que saiu da Maranata e, logo, é
estigmatizada como fora do projeto da salvação. Muito utilizado em
referência a cristãos de outras Denominações por não conhecer e praticar
as doutrinas da Maranata. Comumente também é usado contra aqueles
membros que estão se afastando das ordenanças e atividades da Maranata.
3. Revelação: é outro
clichê de muita repetição e padrão no meio deles. Mormente, é a
referência a quase tudo que é positivo e de boa fama em referência a
algo próprio do sistema da Maranata. Observa-se que tal jargão
substituiu adjetivos positivos no linguajar dos membros, tais como, em
vez de falarem, algo como, ótimo, bom, excelente, falam que foi
“revelado” ou “na revelação”. Também é o nome dado ao método de
alegorização dos versículos das Sagradas Escrituras. Alegam que em toda e
qualquer passagem bíblica há mensagens ocultas de Deus para seu povo,
decifráveis através de recursos como simbologia, numerologia e
tipologias, que pretensamente chamam de “revelação além da letra” ou
“palavra revelada”. O termo também é utilizado para adjetivar a própria
desenvoltura e eloqüência de um pregador na ministração da Palavra.
Também, chamam de “revelação” as decisões e ordens da liderança, dos
pastores, sobre a vida da igreja e dos adeptos. Ou seja, toda ordem,
mandamento, mudança, aconselhamento que incida na vida do adepto, quase
sempre, ganha o status de “revelação”. Sendo assim, segue alguns de seus derivados:
3.1. Sem-revelação: aquele
que não entrega as mensagens lançando mão do recurso das simbologias e
tipologias tão estimadas no sistema. Aquele que não reproduz o que foi
mandado nas apostilas ou reuniões. Aquele que dá mais valor à Teologia e
estudo das Escrituras do que às mensagens repetitivas, enlatadas e
padronizadas do sistema religioso. Aquele membro que possui linguajar,
atitudes, pregações, comportamentos, ainda que sejam nada pecaminosos,
mas que destoam da massa coletiva, é geralmente depreciado com tal
adjetivo.
3.2. Não entendeu a revelação: aquela
pessoa que não adere a qualquer uso ou costume, como certas
indumentárias, corte de cabelo, barba; aquele que descumpre alguma
ordenança do pastor; aquele que não dá o devido valor aos conformes e
interesses do sistema da Maranata.
3.3. Fora da revelação: em
referência ao membro da Maranata que não segue as orientações pastorais
e os dogmas de forma categórica, ainda que esteja a praticar a justiça,
o amor, e a fé. Também em alusão aos crentes de outros grupos cristãos.
3.4. Alcançar a revelação:
se emoldurar ao estereótipo do sistema da Maranata: passar a falar com o
linguajar padronizado, pregar fazendo alegorias e simbologias com as
Sagradas Escrituras, trajar-se conforme o exigido e usar cortes de
cabelo e rosto barbeado de acordo com a tradição do sistema. Também é
referência a uma suposta descoberta de um novo entendimento alegórico de
determinada passagem bíblica.
4. Igreja Fiel:
é mais uma alcunha dita pela liderança e os membros em referência à
Igreja Maranata. Acreditam que a Maranata é a própria expressão
delimitada da Igreja que será arrebatada por Jesus, a Igreja Fiel. Dessa
forma, implicitamente, dirigem-se a todas as igrejas ou denominações
religiosas, que não praticam as doutrinas, dogmas e os costumes
específicos e particulares da Maranata ou da “Igreja Fiel”, como a
Igreja Infiel. Não afirmam, portanto, que a Maranata é a “Igreja Fiel”,
mas de forma sutil e dissimulada, afirmam que a “Igreja Fiel” é aquela
igreja que pratica e vive certas doutrinas e dogmas, referindo-se
claramente aos praticados unicamente pela Igreja Maranata.
5. Corpo de Cristo:
apesar do sentido original da expressão Corpo de Cristo se referir ao
organismo vivo, que é a Igreja Cristã como um todo, formada por todos os
cristãos compromissados espalhados pela Terra, na Maranata, porém, esse
termo é usado num sentido mais exclusivista e restrito possível em
referência ao corpo de membros da Maranata. Segue algumas derivações:
5.1. Viver corpo:
é a referência à condição em que o membro frequentemente deve está se
fazendo presente nas dependências dos patrimônios e está sempre unido
com os membros da Maranata, cumprindo os mandamentos e realizando as
atividades do sistema religioso em questão. Cumprir as “revelações” e
“orientações” dos pastores e da liderança geral.
5.2. Entendimento de Corpo: diz-se o membro que “vive corpo”.
6. Clamor:
diz-se a oração padronizada da doutrina da Maranata. Consiste na
imprescindível recitação da frase “clamamos pelo sangue de Jesus” como
recurso fundamental para que o membro possa fazer jus ao perdão de seus
pecados e se fazer apto para se achegar à presença de Deus. Também
usa-se o “clamor” como instrumento para provocar a atenção de Deus para
conceder proteção e livramento ao adepto. Segue algumas derivações.
6.1. Está no clamor:
é um jargão em referência ao estado em que o crente da Maranata sempre
lança mão de uma oração devidamente acompanhada da recitação da frase a
fim de que possa está constantemente recebendo livramento de Deus no
desempenho de alguma atividade que possa gerar tribulação ou opressão.
6.2. Clamor constante: o mesmo que “está no clamor” sempre que ora.
6.3. Viver o clamor: é a condição do membro quando ora jamais esquece da repetição ou do recite do mantra “clamamos pelo poder do sangue de Jesus”.
7. Orientação: ordenança
amparada pela infalibilidade pastoral cujo cumprimento é obrigatório.
Está, em teoria, abaixo da “revelação”, mas na prática o peso é o mesmo.
Tanto a “orientação” quanto a “revelação” é uma ordem a ser cumprida.
8. Varão: bordão religioso muito comum no meio deles como direcionamento dado a membros e visitantes masculinos.
9. Valente: diz-se o
adepto que se submete fiel e piamente ao ideário “Obra”, divulgando-o,
defendendo-o; aquele que se submete aos serviços de mutirões de limpeza,
atividades administrativas ou de cunho evangelístico. Usa-se essa
palavra para dar o sentido de heroísmo aos adeptos, e assim massagear o
ego e seduzi-los cada vez mais em prol dos interesses e caprichos da
Maranata. Usa-se isoladamente ou como “varão valente” ou “valente da
Obra”.
10. Nobre: em referência
às pessoas que se vinculam à Maranata. Subjetivam aos adeptos que os
mesmos adentraram em uma “casta” superior e são agora partes de uma
nobreza, enquanto se subentende que os crentes de outros grupos não são
“nobres”.
11. Valoroso: diz-se o adepto, normalmente, com função e cargo que é fiel à “Obra como forma de vida”. Adjetivo usado como “varão valoroso” ou “serva valorosa”.
12. Vinha: em referência à própria Instituição Igreja Maranata.
13. Herança: usa-se tal
termo para se referir à Maranata e seu aparato doutrinário como uma
grande herança concedida por Deus através de uma revelação aos
fundadores. Sair da Maranata é “abrir mão da herança”, segundo a
teologia da Maranata.
14. Parentela: alusão ao corpo de membros efetivado e fiel à ideologia “Obra”. Rol de membros.
15. Jovem: é todo aquele
indivíduo que não se casou ainda. Começa a receber esse rótulo desde os
quinze anos até o momento em que contrai matrimônio.
16. Murmurador: aquele que não aceita as arbitrariedades e os abusos autoritários dos mandos, imposições e proibições emanadas da liderança;
17. Desacertado: aquele
que perdeu suas funções ou cargo na congregação; diz-se o membro que é
visto comumente com roupas fora do “padrão da Obra”: bermuda, barba por
fazer (no caso dos homens), calça comprida, camiseta, blusa sem manga.
Aquele que não se submete aos usos e costumes de maneira geral do
sistema.
18. Rebelde: diz-se o
membro que normalmente afronta e desobedece a liderança de forma
intrépida e sem nenhum constrangimento. A esse tipo de pessoa
normalmente é destinado à exclusão da Igreja, ou, quando menos, a
rejeição total por parte dos membros, que são conscientemente orientados
pela liderança a se afastarem do “rebelde”.
19. Questionador: diz-se
aquele que realiza perguntas sagazes e inteligentes sobre as doutrinas e
dogmas da Maranata. Ou aquele que questiona as doutrinas da “Obra” sem
inibição, sendo cauteloso e curioso sobre a procedência e origem bíblica
de cada doutrina.
20. Leproso: diz-se o
membro que se encontram em pecado ou que está demonstrando
explicitamente desgosto com o sistema religioso da Maranata. Membros
estigmatizados com esse termo, geralmente, está fadado ao isolamento e o
abandono afetivo e social por parte dos membros da Maranata.
21. Desobediente: simplesmente em referência àquele que não acata o famigerado alfabeto do “OBDC”.
22. OBDC: jargão
enfadonhamente repetitivo visando o recrutamento à obediência restrita e
cega às “orientações” e “revelações” da liderança. É comum usarem tal
criptografia no chavão religioso: “Na escola aprendemos o ABC, na Obra, o
OBDC.”
23. Enfermo: em alusão
àqueles membros que possuem características (sinais e sintomas) que são
expostos nas famigeradas aulas Síndrome da Queda e Enfermidade no Corpo.
Na verdade, diz-se aqueles que não estão submissos ao sistema religioso
como um todo, de modo que, no mínimo sinal de distinção, são
“diagnosticados” como tal. O membro “enfermo” deve ser observado e
rejeitado para não “infectar” os demais. O “enfermo” é uma variação dos
estados acima relatados que está profundamente incomodando a liderança
e, por isso, dele, todos devem se afastar.
24. Laranja-podre: diz-se
o membro de cargo episcopal que tinha grande potencial na “Obra”, mas a
largou por algum motivo, principalmente porque negou as suas doutrinas.
A “laranja-podre” deve ser excluída porque pode “contaminar” as demais.
A maioria, portanto, que atinge esse nível classificatório é excluído.
25. Tumor: membro que
compromete a “imagem da Obra”, normalmente pelo seu infeliz passado
pecaminoso. Ou aquele que compromete o pretenso elitismo espiritual da
Maranata. É usado como “tumor no corpo”. Um tumor subentende-se que deve ser extirpado.
26. Caído: em
referência, simplesmente, a todo e qualquer dissidente da Maranata,
ainda que continue firme na presença de Deus em outra Denominação. Em
referência a todo ex-membro da Maranata. Usa-se esse termo comumente
como “caído da Obra” ou “caído da graça salvadora”.
27. Cabritos ou Bodes: geralmente em referência aos cristãos
de outros grupos evangélicos, significando que eles não serão salvos,
pois não são ovelhas de Jesus. O termo também é muito usado para se
dirigir aos antigos adeptos da Maranata. Utiliza-se esses termos sediciosos baseando-se na passagem de Mateus 25.
28. Defunto: membro que
outrora possuía grande influência na Maranata, normalmente pastor
benquisto e popular, mas que acabou sendo excomungado ou saiu por conta
própria da Instituição. Também se atribui esse termo àqueles membros
versados nas Escrituras que confrontaram e tentaram argumentar com
muitos membros sobre as doutrinas contraditórias e causou incisivas
subversões no meio da Maranata. É utilizado para estimular a ruptura
social e fraternal dos membros com o dissidente, tendo em vista que
ninguém pode manter contato com o “defunto” para não se contaminar, em
alusão à tradição judaica da Lei de Moisés.
29. Primo: em vez de se
dirigirem como irmãos em Cristo, atribuem esse adjetivo em tom
pejorativo aos cristãos de outras congregações. Subtendendo-se como se
eles não fossem filhos de Deus, mas de outro ser. É uma ilustração
indireta de que os membros da Maranata seriam como os judeus,
descendentes da promessa (Jacó) e os demais cristãos que estão fora da
Maranata, da herança (Esaú) seriam os amalequitas, primos dos judeus.
30. Amalequita: uma
generalização maldosa aos cristãos de outros grupos evangélicos; uma
sediciosa alusão aos filhos da geração de Esaú, o desobediente a Deus.
31. Filhos de Baal: em
referência a pastores e ex-membros que questionam e não se prostram as
doutrinas do Presbitério. É comum recorrer esse termo para referir-se
àqueles membros que discorrem sobre a Maranata na internet.
32. Apóstata: líder ou
membro que não ensina aos demais membros da Maranata aquilo que o
Presbitério necessariamente deseja ou que estabelece como verdade. Bem
como, é uma acusação àqueles que questionam, conforme as Escrituras, as
doutrinas da Maranata. É também dirigido aos expositores das
contradições da Maranata na internet.
33. Heresia: é tudo
aquilo que é contrário à “doutrina da Obra” ou diferente daquilo que o
Presbitério estabelece como “revelação” e doutrina, mesmo que,
independentemente, seja acordado com as Sagradas Escrituras. Portanto,
tudo que não estiver de acordo com as doutrinas e dogmas confeccionados
pelo Presbitério é, inquestionavelmente, heresia.
34. Evangelho Social: um
termo pejorativo em referência às obras sociais, caridosas e fraternais
de outras agremiações evangélicas, a saber, visitar presídios,
hospitais, favelas, asilos ou quaisquer doações beneficentes. Apregoa-se
que tais ações são coisas de crentes que se preocupam com as coisas do
mundo e não com a Eternidade.
35. Religião: qualquer
organização ou grupo que se diga cristão que não esteja debaixo do
governo e liderança do Presbitério da Maranata ou que não tenha uma
placa da Maranata na porta da Igreja. Nisto, portanto, se inclui,
evidentemente, todas as outras Denominações evangélicas.
36. Tradição: grupo de
evangélicos mais conservadores em relação ao batismo com Espírito Santo e
dons espirituais. Batista, Presbiteriana, Metodista, Luterana, enfim,
Denominações tradicionais são rebaixadas por esse termo.
37. Movimento: termo esnobe em referência as demais igrejas pentecostais do meio evangélico.
38. Mescla: generalização
desdenhosa em relação às práticas dos grupos neopentecostais ou de
outras igrejas que se envolvem com assuntos mundanos. Bem como, em
estrita alusão a uma potencial associação espiritual de um adepto da
Maranata com cristão de outra Denominação.
39. Opressut: trocadilho
infantil dado ao site de relacionamento social Orkut para subverter os
adeptos que lá só há opressão. Um mecanismo de autodefesa para inibir o
acesso de membros ao site, a fim de não se depararem com a comunidade Já
Fui Um Maranata, onde há debates sobre os problemas doutrinários e
administrativos que a Maranata vive.
40. Cospel: trocadilho
indecente que fazem com as palavras “cuspe” e “gospel” em referência a
música gospel (assim classificada no meio evangélico).
41. Ex-jesus-vem: alusão
sarcástica e desdenhosa aos egressos da Maranata, independente de eles
estejam fiéis aos propósitos cristãos. O fato de a Maranata ter esse
nome, associam que a dissidência de tal Instituição seria a mesma coisa
que perder a Salvação ou ignorar a volta de Jesus.
42. “Banco”: jargão
religioso sarcástico dado àqueles que perderam suas funções e cargos
temporária ou permanentemente, e ficam necessariamente sentados nos
últimos bancos do templo, coibidos de orarem e participarem de certas ou
todas as atividades eclesiásticas, numa exposição ridícula e
inferiorizada da pessoa.
43. Cajadada: diz-se a repreensão severa dada por um pastor da Maranata.
44. Escarnecedor: para
os mais radicais, todo aquele que não é da “Obra” ou aqueles que não
conhecem verdadeiramente o Senhor Jesus. Os opositores e contestadores
das doutrinas da Maranata são enquadrados muitas vezes nessa categoria.
45. Ímpio: em relação a todo aquele que não é associado à Maranata, mais precisamente os sem vínculo com alguma instituição religiosa.
46. Cobreiro: trocadilho
sarcástico com a doença de mesmo nome em referência ao obreiro que não é
útil aos interesses e caprichos do sistema religioso da Maranata – que
não possui “mentalidade” ou “entendimento de Obra”.
47. APDSJ: sigla do
cumprimento “A Paz do Senhor Jesus” para ninguém descobrir que você é
crente, ou marca registrada que você é membro da Maranata. Criptografia
bastante usada e facilmente observada nos fóruns de discussão e
bate-papos pelos membros da Maranata quando iniciam, findam e se
despedem das conversações.
48. “É uma benção”: frase irônica em relação alguma criança desobediente, hiperativa.
49. Rebeca: bordão em referência a namorada de algum obreiro da Maranata.
50. “Razão”: jargão em
referência àquele visitante ou neófito que naturalmente apresenta uma
verve cultural ou teológica apurada e que, naturalmente, deixa os
membros e o pastor inseguro com seu nível de conhecimento, e que pode
ameaçar o status quo dos costumes e dogmas medievais e
contraditórios da Maranata. Quando uma pessoa desse nível dialoga com os
adeptos sem conteúdo da Maranata, normalmente, é por detrás acusado de
“está na razão” ou “razão pura”. Usa-se esse jargão, também, àqueles que
são simples curiosos e perguntadores das doutrinas e práticas do
sistema e que até o momento não compreendeu a coerência bíblica dos
ensinos da Maranata. Também é em referência a qualquer membro que se
defende de algum abuso ou agressão de pastor.
51. Letrista: diz-se a
pessoa que valoriza as Escrituras e também transmite o conteúdo das
passagens bíblicas de forma primária, pura e simples, sem lançar mão dos
arranjos das interpretações mirabolantes e alegóricas. É também uma
forma de se referirem aos cristãos da “tradição”.
52. Adversário/Inimigo: é a única maneira como se referem ao Diabo (do grego, caluniador) ou Satanás (do hebraico, Inimigo e acusador).
Há uma proibição em relação ao pronunciamento desses nomes gregos e
hebraicos, pois acreditam numa espiritualização maligna dessas palavras
estrangeiras, de modo que só se referem ao Maligno por palavras do
português. Tal moda uma vez apregoada entre eles, é transmitida de
pregador para pregador. Mesmo se numa leitura de determinado trecho das
Escrituras aparecer essa citação, substituem o nome registrado na Bíblia
pelas palavras “adversário” ou “inimigo”.
53. O sangue de Jesus tem poder: bordão
religioso pronunciado em toda e qualquer circunstância que promova
escândalo ao adepto. É dito espontaneamente, porém, sem o mínimo de
reflexão. Assemelha-se ao uso da expressão “nossa senhora!” dita por católicos (praticantes ou não).
54. Maranata: expressão
originária do aramaico e registrada nas Escrituras na carta de Paulo aos
Coríntios. O significado dessa palavra é “Vem Senhor”, porém ao ser
utilizada em documentos e escrita dos membros da “Obra” soa mais como um
marketing denominacional, uma propaganda proselitista em razão da
altivez religiosa, do que a forma original e sincera utilizada por
Paulo.
55. Profético: expressão
bastante usada para dar um ar de autoridade espiritual aos estudos dos
seminários; principalmente, enfatiza-se tal termo quando tentam
relacionar passagens do Antigo Testamento com a fundação e doutrinas da
Maranata.
56. Idolatria: diz-se a atitude do adepto em não obedecer subservientemente às ordens dos pastores e do Presbitério.
57. Feitiçaria: Participar
de cultos e reuniões espirituais com cristãos de outras denominações
cristãs; assim como se levantar contra as doutrinas da Maranata.
58. Opressão: em
referência a tudo aquilo que não esteja de acordo com a moralidade
ascética e formal do sistema da Maranata. Músicas seculares (mesmo que
saudáveis), músicas cristãs (que não seja da Maranata), filmes, jogos de
mesa, cinema, teatro são comumente referidos com esse jargão. Também,
esse bordão é usado para rotular os adeptos que se encontram com doenças
depressivas que em vez de serem acolhidos e assistidos, são
estigmatizados como “oprimidos” e devem ser isolados para não
contaminarem os outros, pois estão sendo usados e deixaram se sucumbir
pelo “Adversário”. Bem como, usa-se tal termo em alusão as pessoas que
se apresentam nos cultos embriagados, a mendigos ou vestidos
inadequadamente.
59. Tristemunho:
trocadilho sarcástico com as palavras “triste” e “testemunho”, para se
referirem à vida prática cristã de crentes de outras Denominações,
subtendendo que eles não apresentam uma vida cristã suficientemente
digna.
60. Amigo da Obra: diz-se
a pessoa de envergadura social, geralmente políticos, celebridades e
empresários simpatizantes da Maranata, que de alguma forma “ajuda” a
Instituição, porém ainda não membro.
61. Mobral:
tendo em vista acreditar-se na superioridade e nobreza dos membros da
Maranata, referencia-se os crentes de outras denominações como
“mobrais”, pois não cursaram e não tiveram um bom preparo espiritual de
“nível superior”, como os da Maranata.
62. Mundo: em referência a tudo aquilo que não esteja inserido na Maranata.
63. Ecumenismo: Distorcem
o real sentido desse termo, para um sentido exclusivista. Consideram
que seja ecumênico qualquer associação a pessoas de outra Denominação
(ainda que sérias). Para justificar o afastamento e isolamento dos
demais grupos, ensinam que é ecumênico qualquer contato com outros
grupos. Assistir cultos em outras Denominações, participar de eventos
evangélicos, ouvir pregações pela TV ou rádio, pode ser uma prática
ecumênica, segundo esse entendimento. Ecumenismo, na verdade, trata-se
da busca pela unificação do Catolicismo, Ortodoxismo e Protestantismo,
ou das demais religiões pagãs, como que todos fossem um caminho que
levassem a Deus, e não esse ensinamento equivocado, egocêntrico,
separatista, e fragmentador do Corpo de Cristo que a Maranata faz
questão de proferir, apenas para inserir os demais grupos evangélicos
nesse conceito.
“Todo cristão
que aceita cegamente as opiniões da maioria e segue, por medo ou
timidez, o caminho da conveniência ou da aprovação social, torna-se
mental e espiritualmente num escravo.” Martin Luther King. Jr
Organização
1. Totalitarismo
O Totalitarismo
é um sistema de governo adotado por Instituições (estados, igrejas,
tribos, grupos, seitas) em que todos os poderes ou órgãos
administrativos ficam concentrados nas mãos de um governante, família,
facção ou classe. O governo não reconhece limites à sua autoridade e se
esforça para regulamentar todos os aspectos da vida pública e privada,
sempre que possível. Os indivíduos submetidos a um movimento totalitário
não têm participação na tomada de decisão, senão são submissos aos
valores promulgados por meio do líder para controlar não só a maioria,
mas também todos os aspectos da vida pessoal. Os movimentos totalitários
mantêm o poder político através de uma propaganda abrangente,
divulgada através dos meios de comunicação controlados pelo Governo, em
que cada unidade (casa, igreja, departamento etc.) é acessada para
informar e reforçar as diretrizes.
O Governo, através da propaganda, tende a endeusar a Instituição e o líder(es), no que é marcado pelo “Culto de personalidade”,
que é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das
virtudes – reais e/ou supostas – do governante a da Instituição, bem
como da divulgação positivista de sua figura, com o fim de adquirir
apoio total dos subordinados às decisões de seu “grande” e “inestimável”
líder. Cultos de personalidade são freqüentemente encontrados em
ditaduras, embora também existam em democracias. Um culto da
personalidade é semelhante à apoteose, ocorrido geralmente em seitas
religiosas de cunho radical, que consiste em elevar o líder ao estatuto
de divindade, de anjo, ou seja, endeusar ou deificar uma pessoa devido a
alguma circunstância excepcional. Os cultos incluem cartazes
gigantescos com a imagem do líder ou com frases enaltecendo a
Instituição, constante bajulação dos mesmos por parte de meios de
comunicação e muitas vezes perseguição aos dissidentes. Também o regime
totalitário tem o total o controle sobre a economia, a regulação e
restrição da liberdade de expressão, a vigilância em massa e o
disseminado uso do terrorismo de Estado, que consiste na utilização por
parte do governo de métodos ilegítimos para introduzir o medo na
população para alcançar seus objetivos sociais e políticos. Não só com o
controle total das informações, a propaganda totalitária e o culto ao
líder, o governo visa também alienar a população, fornecendo-lhe
ocupações, diversões, que as distraiam das preocupações e pensamentos.
Na Igreja Maranata o totalitarismo
religioso é bastante intenso, pois o sistema procura controlar a vida
privada de seus adeptos a ponto de torná-los, compulsoriamente,
“reeducados” a fim de passarem o resto de suas vidas sob a dependência
moral, psicológica e espiritual da Igreja Maranata. Os ensinos da
Maranata tendem a endeusar a Instituição e seu arcabouço de dogmas e
patrimônios, implantando uma palpitante idolatria, açulando nos membros
uma paixão exclusivista, um sentimento elitista e narcisista religioso.
De tal sorte que, manipulados e entusiasmados, passam a confundir a
Instituição Maranata como uma projeção perfeita e mais evoluída da
Igreja de Jesus e a personificação exata da “Obra do Espírito Santo”, em
si mesma. Nesse regime totalitário religioso, toda a iniciativa pessoal
dos adeptos deve ser canalizada, a priori, para a satisfação
dos caprichos da Instituição Igreja Maranata, a qual não reconhece a
seriedade cristã de nenhuma outra Igreja, a não ser a de si mesma.
O governo da Maranata arregimenta seus
membros através da autopropaganda feroz e saturada divulgada nos
seminários e através de meios de comunicação (vídeo-conferência –
satélite), marcadas pela exaustividade do culto à “Obra Maravilhosa”
(sistema religioso próprio) e, indiretamente, às sumidades eclesiásticas
do Presbitério, principalmente o Presidente. A figura do presidente é
indireta e sutilmente reverenciada como um indivíduo especial e único.
Experiências apoteóticas, sobrenaturais sobre ele sempre são
apresentadas a fim de sacralizar suas decisões e liderança. Sua história
e ocupação são sempre atribuídas como vontade divina, mas também é
endossado por um jogo de vitimismo demagógico para comover os adeptos.
Também é disseminado o terrorismo e a
chantagem psicológica, que se tornaram fontes de convencimento e
adestramento tão eficazes quanto à propaganda totalitária. Também
controlam as informações de seus adeptos via meios de comunicação, em
que cada igreja tem instalado um equipamento de satélite, sintonizado
diretamente com o Presbitério e o Presidente para que possam
freqüentemente estar ministrando diretrizes e doutrinas ao povo da
Igreja Maranata. Então, introduzindo a paranóia do medo e o sentimento
de culpa, a liderança exerce o controle da vida dos membros visando-lhes
a dedicação obstinada e severa ao sistema, com o fim de regular e
restringir a liberdade de expressão, o senso crítico e de vigiar e
desencorajar os membros contra a subversão e dissidência do sistema
religioso.
1.1. Chauvinismo
O Chauvinismo ou Propaganda totalitária:
é o termo dado à técnica de recorrer à propaganda de opinião
exacerbada, tendenciosa, ou agressiva em favor de um país, grupo ou
idéia com fins de persuasão e doutrinamento. Associados ao chauvinismo,
frequentemente identificam-se com expressões de rejeição radical a seus
contrários, desprezo às minorias, narcisismo, mitomania. É praticado
pela Maranata a uma intensidade descomunal, em cultos, escolas
dominicais ou mesmo, na atuação individual dos membros, em conversas
despretensiosas e no evangelismo da Instituição. Entretanto, é,
sobretudo, quando os adeptos são arregimentados pela liderança a se
fazerem presentes em congressos de massa (que se chama de “Seminários da
Obra”) que os doutrinadores, em especial o Primaz, propagandeiam
emotiva e agressivamente a favor do sistema religioso da Instituição e
denigrem a esmo as demais Denominações, na tentativa de introjetar na
mente dos ouvintes a imaginação de que a Maranata se encontra numa
posição melhor do que as demais Igrejas.
A liderança da
Maranata, exaustivamente, apela para discursos triunfalistas que
provocam a euforia coletiva, invariavelmente, nascendo e moldado a
personalidade dos membros à xenofobia e narcisismo religioso, assim
como, o sentimento eugênico e “ultranacionalista” em seu caráter.
Experiências e testemunhos apoteóticos de pessoas proeminentes do
sistema, necessariamente engendrados com factóides sobrenaturais, são
usados em demasia como eficazes instrumentos de persuasão e
recrutamento, a fim de cultivar, no imaginário dos membros, a aura de
mito sobre liderança e sobre própria origem da Instituição e suas
doutrinas – ou seja, revestindo de uma reverência sacra e intocável os
pastores e o sistema, no psicológico da congregação, no reforço à adesão
e conformação com o autoritarismo e submissão absoluta aos líderes.
O Ufanismo
é demasiadamente impressionante, sempre a base de sensacionalismos, em
vangloria de supostos méritos extraordinários, com o qual se enaltece as
“riquezas” e “potências” da Maranata: seus atributos, suas vantagens,
suas doutrinas, seus louvores, seus pastores, seus patrimônios, seu
satélite, seus membros, seu evangelismo no exterior, sua organização,
enfim, absolutamente tudo que é vinculado e que provém da Maranata é
enaltecido com o adjetivo de “revelado”, na pretensão de assegurar e
confortar os membros de que a Maranata é a mais evoluída espiritualmente
e perfeita em organização de todas as opções de igrejas do mercado. A
liderança aproveita, de forma oportunista, dos fatos positivos que
ocorrem no meio da Maranata para glorificarem o seu sistema religioso,
assim como, fatos negativos ocorridos nas demais igrejas, noticiados na
mídia, são convenientemente aproveitados para desfazer e menosprezar a
espiritualidade alheia; ao passo que a liderança se esforça
desmedidamente em acobertar os episódios e escândalos próprios,
preservando a realidade fictícia e idealizada construída meticulosamente
no imaginário dos membros.
As pregações e aulas da
Maranata, em sua maioria, resumem-se em apenas vangloriar a “placa” e o
sistema religioso próprio, de modo que, é uma agressão à mente dos
adeptos tão avassaladora, que, dada a repetição saturada das propagandas
chauvinistas, eles, à medida do tempo, perdem a lógica da realidade, de
sorte a dificilmente conseguirem perceber o mundo idealizado e
romântico criado, em suas mentes, pela liderança. “Lobotomizados” nesse
mundo poético, perdem a capacidade de enxergar as notórias incoerências
dos atos de seus líderes e da doutrina da Maranata, aprovando ou
desaprovando atitudes que seriam tanto para as Escrituras quanto para a
lógica humana, no mínimo, terminantemente contrárias. A liderança
extrapola na mitomania e na vangloria das “riquezas” da Maranata, a
ponto dos adeptos, já totalmente inebriados, tornarem-se pessoas
crédulas e infantilizadas, acreditando em justificativas simplistas,
espiritualizadas, míticas; muitas vezes expondo a si mesmos a uma
situação que é interpretada por terceiros como infantilismo, embotamento
e fanatismo, como também, pedantismo, empáfia e soberba religiosa.
1.2. Centralização do Poder
A Centralização do Poder é
aplicada a todas as “unidades locais” – assim denominadas as igrejas em
si pelo Estatuto da Instituição Igreja Maranata – espalhadas por todo o
país e mundo, e estão plenamente subservientes aos quereres e ordens da
cúpula central da Instituição. Não há individualidade e liberdade para o
ministério local trabalhar as particularidades da igreja, conforme a
inspiração do Espírito Santo, tampouco há respeito e consideração às
individuais necessidades da igreja local. Todas as igrejas estão sob o
domínio totalitário do Presidente, as quais devem seguir pragmaticamente
o modelo, as determinações e as ordens “reveladas por Deus”
exclusivamente a ele e ao Presbitério. Mensalmente todas as “unidades
locais”, dos Estados ou cidades do país, com seus respectivos pastores e
membros, deslocam-se, em caravana, com o fim de se reunirem em conjunto
nas chácaras da Maranata, em um absoluto estado de isolamento da
civilização (visando a facilitação do recrutamento) submetendo-se a um
intenso doutrinamento na ideologia “Obra como forma de vida”,
ministrada exclusivamente pelos pastores do Presbitério e, sobretudo,
pelo Presidente – através de transmissão via satélite/vídeo-conferência
(em telões) diretamente de Vitória-ES.
Após a aquisição de um
satélite em 2010, o Presbitério passou a centralizar quase que
exclusivamente a responsabilidade dos ensinos doutrinários em si mesmo,
retirando praticamente a pedagogia religiosa dos diáconos e pastores das
igrejas, de tal modo que durante três ou mais dias da semana o
Presbitério obrigatoriamente entra em sinal com todas as igrejas do
Brasil e exterior para transmitir as ditas novas (e reforçar as antigas)
“orientações” e “revelações do Senhor” à “Igreja Fiel”. Até a
ministração da Palavra nos cultos, por vezes, é realizada através de
via-satélite, para todas as igrejas se voltarem para a pregação do
Presidente ou de seus correligionários. Todas as igrejas devem acatar a
transmissão e pregações por vídeo-conferência, sob pena do pastor local
ou o contestador sofrer severas sanções.
Em reforço ao governo totalitário, em 2011, o Presbitério implantou o Sistema de Gestão de Igrejas (SGI),
que consiste num programa de informática, no site da Maranata, de
acesso exclusivo e fechado aos pastores das igrejas e seus respectivos
ajudantes (diáconos, obreiros capitães de Grupo de Assistência ou
secretárias), no qual devem relatar semanal e mensalmente dados e
números referentes aos membros da igreja local. Desde as presenças
individuais de cada membro aos cultos, aos mutirões, aos ensaios, às
reuniões, a quantidade de faltas às madrugadas, às vezes das inscrições
em seminários, à fidelidade ao dízimo, até a nível de igreja, como o
número de batizados por temporada, o censo da Igreja Local, as
quantidade de reuniões semanais, enfim, tudo dever ser devidamente
reportado ao SGI com dados e relatórios, em caráter permanente,
obrigatório e constante, para que o Presbitério possa controlar e ter
ciência dos mínimos detalhes que ocorrem nas igrejas da Maranata.
2. Patrulhamento Ideológico
O Patrulhamento ideológico
é uma atividade política adotada por instituições, grupos, seitas,
países e sistema, normalmente, de regimes isolacionistas e autoritários,
que consiste em doutrinar cada um de seus adeptos para que exerçam
constantemente a vigilância militante dos valores, princípios, dogmas e
normas que perfazem o sistema ao qual estão submetidos, no intuito de
preservá-lo e protegê-lo de qualquer ato contraditório. Os adeptos são
doutrinados a entender que a oposição de suas ideias é uma grande
transgressão ao destino e saúde de sua instituição, aos seus
particulares valores, de modo que é necessário que, de pronto, devam
agir radicalmente contra um eventual movimento subversivo, blindando o
sistema. Cada adepto, uma vez inundado do êxtase para com a instituição,
particularmente, absorve a responsabilidade de espionar e desencorajar
quaisquer iniciativas que possam levar a questionamentos, discordâncias
ou diálogos sobre a natureza dos princípios, dogmas e fatos da
Instituição, com os quais podem levá-la ao descrédito. Na Maranata, a
liderança arregimenta seus membros a executar fielmente a patrulha de
seu sistema, de sorte a lhes insular um sentimento de militância e
policiamento obstinado, no que provoca muitos a encarnar um personagem
que traduz em uma valentia quixotesca, na pretensão de exibirem o seu
“zelo” pela “Obra”.
Esses indivíduos de tão enlevados e
necessitados de amostrarem a sua fidelidade pela “Obra”, aos olhos de
terceiros, pode se interpretar como uma exposição ridícula e fanfarrona.
A expressão máxima do Patrulhamento ideológico na Maranata é o
famigerado “Grupo de Intercessão”, o qual, apesar do nome, exerce a
função de uma verdadeira polícia interna de espionagem de membros e
tribunal de sumários julgamentos da vida alheia, sem direito a defesa e
contraditório, sentenciado tudo arbitrariamente sob a justificativa de
“revelação do Senhor”. O policiamento do “Grupo de Intercessão” consiste
em espionar, dentro da igreja, “rebeldes”, “questionadores”, “desviados”, “desacertados” ou mesmo supostos “desobedientes” ou membros que “não entenderam a Obra”,
esperando o momento exato de agir contrariamente, ocorrendo assim
verdadeiros linchamentos morais e emocionais daqueles já considerados no
grau de “inimigos da Obra” – ora punindo-os, ora excluindo-os da Instituição.
Também, destaca-se que no afã de proteger
o nome da Maranata de subversões e descrédito, cria-se internamente um
ambiente de medo e insegurança, onde todos passam a ter desconfiança do
seu próximo – inevitavelmente, gerando no psicológico dos adeptos a
paranóia e a culpa. Apesar do sistema tentar transmitir uma mensagem
piedosa e saudável do seu ambiente, a verdade é que, em razão desse
patrulhamento, há dentro da Maranata um clima de guerra entre os
próprios membros, onde, entre si, praticam o policiamento e espionagem,
muitas vezes, uns denunciando os outros aos seus superiores
hierárquicos. Exceção feita à piedade das liturgias dos cultos e
louvores, assim como, as pregações com apelos espirituais afetados e
exagerados, a Maranata possui, na realidade, uma atmosfera que, para
muitos, em sua intimidade, é extremamente carregada, pesada, difícil,
artificial, para alguns até desagradável e inconveniente, devido ao
clima de conflitos internos, mexericos, delações, olhadelas,
observações, julgamento da vida alheia, tendo como base de aferição de
atos dos mais fúteis e mesquinhos possíveis. É sabido que há sentimentos
de hostilidades e aversões dirigidos a pessoas e coisas que possam vir a
ser considerados opositores as idéias da Instituição.
3. Ostracismo
O Ostracismo
é uma radical forma de punição política ou religiosa empregada por
diversas instituições (igrejas, países, facções etc.) contra indivíduos
que apresentam características que não se enquadram com os restritos
atributos asseverados pela liderança, cuja finalidade é manter o poder e
zelar o status quo do sistema, impedindo qualquer manifestação
contrária às conveniências do Governo. Na Maranata, a liderança recruta
a igreja a ostracizar os membros que, aos seus olhos, não são
satisfatórios à “Obra Maravilhosa”. Promove-se a indiferença e rejeição
afetiva contra aqueles que desobedecem ao pastor, que questionam os
motivos doutrinários, que estão a faltar às atividades ou mesmo por
recomendação injustificável da liderança.
Se essa política xenófoba já é causadora
de inúmeros problemas emocionais e psicológicos, agrava-se ainda mais
quando um adepto deseja deixar ou de fato abandona a organização, ou
quando ele é expulso da Igreja. Os pastores promovem o Ódio Religioso
contra aqueles que deixaram o grupo, demonizando e denegrindo a imagem
dos egressos, de forma a adestrar as ovelhas para o rompimento afetivo e
completo abandono social àqueles que “negaram o projeto”, “perderam a bênção” ou “saíram da Obra”.
A ruptura familiar, naturalmente, é estimulada de modo indireto, quando
o sentimento de elitismo religioso reforça o ego dos membros e a
política do ostracismo é reiteradas vezes ministradas em Seminários e
reuniões às portas fechadas.
Essa sedição contra os “desertores” não
ocorre em cultos públicos ou em reuniões às portas abertas, senão em
encontros nos maanains destinados a algumas categorias da Igreja
(membros com função e cargos, normalmente), a fim de impedir
constrangimentos jurídicos, reprovação pública ou escândalos a neófitos
que ainda não se definiram efetivamente na Maranata. Nessas reuniões
fechadas, ministradas pelos pastores, os dissidentes são demonizados
como “apóstatas”, “hereges”, “caídos”, “vadios”, “libertinos”, “serpentes”, “porcos”, “doidos”, “ladrões de dízimos”,
sempre nesse viés extremista e negativo de alto apelo emocional,
suscitando o ódio religioso e provocando euforia e entusiasmo negativo
contra os dissidentes. “Desliguem os telefones na cara!”, “Batam a porta na cara!”, “Atravessem a rua para não cruzar com o caído!”, “Que até a minha família me abandone, caso eu saia dessa Obra!”, “Não falem com defuntos, para não se contaminarem!” são exemplos práticos sempre expostos do como proceder contra “aqueles que saíram de nós, mas não era um dos nossos”.
Muitos dissidentes hoje da Maranata estão
devastados emocionalmente, com profundas feridas na alma em razão dessa
política nervosa e iracunda provocada pela liderança, que doutrinou
familiares e amigos de muitos a romperem com os seus. E estão separados
de antigos amigos e da família biológica, em função das práticas
extremistas e fundamentalistas do fanatismo religioso emulado pela
Maranata; porque para a teologia da Maranata não há modo honroso de
deixar a organização.
4. Repressão Religiosa
A Repressão religiosa
é usualmente utilizada pela liderança Maranata como mecanismo de
chantagem para conter e calar manifestações de oposição, subversão e
dissidência ao regime estabelecido. A repressão religiosa é recorrida
por Igrejas de regimes de força: com uma liderança autoritária,
centralizadora e totalitária. A Inquisição promovida pela Igreja
Católica entre os séculos XV e XVIII foi uma forma organizada e ampla de
repressão política e religiosa. Não obstante a Igreja Maranata não
possuir, por motivos óbvios, uma “inquisição” aos moldes da Romana, isto
é, por inflicção física, a seu turno, utiliza a violência moral e
psicológica para inibir qualquer manifestação contrária às opiniões e
caprichos estabelecidos pelo Presbitério, como chantagens, ameaças em
nome de Deus ou mesmo detrações públicas.
As punições aos adeptos variam conforme o
grau de incidência do ato desabonador do “desobediente” sobre imagem da
Instituição. Ou seja, a repressão do adepto “rebelde” está diretamente
dependente ao dano que ele supostamente causa à Maranata, segundo a
aferição da liderança, naquilo que ela é exposta interna ou socialmente,
ou mesmo por desobediência direta do membro aos fundamentos, costumes e
dogmas do sistema religioso. Os pastores são os únicos que podem
aplicar as punições, podendo, porém, delegá-las aos “ungidos” e
diáconos. Elas são bastante rigorosas e vexatórias, promovendo, por
vezes, a exposição ridícula das pessoas, no que implica muitas vezes em
depressões e conflitos emocionais gravíssimos aos apenados. Os tipos de
punições na Maranata são:
a) Advertência
– são repressões em razão de pequenos deslizes, como descumprimento de
horários, infidelidade no dízimo e faltas esporádicas; as quais muitas
das vezes são realizadas nos púlpitos das igrejas, à frente de todos,
dirigindo-se, indiretamente, ao devedor do sistema, ora com piadinhas
sarcásticas e esnobes, ora com insolência e grosserias;
b) Cassação das funções e cargos –
é a punição decorrente de comportamentos reputados como erráticos pelo
sistema, a saber, questionamentos, desobediência a doutrinas,
contestações a ordenanças de pastores, faltas freqüentes ou mesmo ter
supostamente cometido algum pecado público; tal punição é
sarcasticamente definida como “banco”
– em razão de o adepto punido ficar numa exposição ridícula e
humilhante, sob a “orientação” de assentar-se nos últimos bancos do
templo, apartado e sem contato afetivo com os demais membros, sem
exercer as funções eclesiásticas – numa ostentação mesquinha, por parte
da liderança, de um troféu, como de um exemplo a não ser seguido – com a
finalidade de intensificar no apenado o sentimento de culpa e o
complexo de inferioridade, de tal modo que seja estimulado a voltar a
ser “fiel à Obra” (leia-se: enquadrar-se aos estereótipos do sistema religioso), e;
c) Excomunhão ou Exclusão Sumária – se após de ter ido “para banco”
e reiterar na desobediência aos conformes do sistema, ou mesmo que
cometa um pecado escandaloso que espante os membros da igreja, o membro
oficialmente não fará mais parte dos quadros de membros da Instituição,
e, ainda que ele insista em continuar a frequentar a Igreja, os demais
são terminantemente proibidos de comunicarem ou manter contato com o
excluído.
5. Obscurantismo
O Obscurantismo
é um método de governar que oculta fatos e argumentos que, em função de
sua natureza dúbia, podem causar denuncias ou contradições nos atos,
nas decisões e nas afirmações de certos grupos que se arvoram donos da
verdade. É um recurso político e religioso que se opõe a difusão do
conhecimento à massa, aos subalternos do sistema. É um estado de
espírito oposto à razão, ao pensamento crítico e ao progresso
intelectual; de um intento por parte da liderança de não permitir a
instrução e o acesso ao conhecimento do povo, engenhosamente objetivando
um estado de completa ignorância (desinformação e alienação) aos
subordinados, assim como, depreciando a sua capacidade de pensar e
refletir criticamente.
Seja conhecimento a nível social,
político, religioso e cultural, o povo é submetido a um feroz
doutrinamento que desencoraja a sua capacidade de reflexão e senso
crítico, incutindo a culpa no povo a respeito da sua capacidade humana
de raciocinar, embora não lhes admitindo, mas visando a liderança um
estado de infantilismo e pobreza de conteúdo nos seus súditos, a fim de
impedir, num futuro, em razão de um potencial esclarecimento, que se
levantem contra o sistema. É uma tática de governo que nega a instrução e
o conhecimento à massa de subalternos, para preservar o estado de
ignorância, de modo a facilitar o poder de controle das Instituições.
Todo o governo que recorre do obscurantismo acredita que quanto mais
desinformado o povo for a respeito de política, religião, teologia,
Bíblia, ciência, seja o que for o teor da Instituição, mas fácil é de
controlá-los e submetê-los às suas verdades apregoadas.
As religiões sectárias lançam mão desse
estratagema a fim de demonizar a racionalidade humana, associando a
capacidade de pensar e refletir por si próprio, do ser humano, como uma
arma carnal, não-espiritual e do diabo; de maneira a incutir a infantil
compreensão de que a obediência servil e alienada as verdades dos
líderes é a exata expressão de fidelidade e seriedade espiritual.
Qualquer manifestação intelectual, racional, bíblica e lógica, mesmo que
coerente, mas que possa confrontar com as “verdades absolutas” da
liderança, tende a ser proibida e demonizada. É assim na Maranata, pois
seu governo censura seus subordinados a não acessarem conhecimentos
teológicos, estudos, livros e tratados cristãos, a não ser aqueles de
autoria da própria Maranata, preservando o mérito e autoridade
pernóstica da liderança e assegurando a credibilidade das doutrinas
exclusivas da Instituição.
5.1. Secretismo Religioso
O Secretismo Religioso
é um artifício fundamentalmente recorrido à organização da Maranata. O
caráter secreto é um inerente atributo das reuniões e encontros do
sistema religioso cujo objetivo é torná-lo fechado, isolado, a fim de
não expor as suas “verdades”, as intimidades dos conteúdos teológicos,
as deliberações administrativas e as decisões tomadas sobre a vida das
pessoas enquanto membros da Maranata. Há uma variedade de reuniões com
caráter secreto, para as quais, rigorosamente, só determinadas castas
“superiores” ou ditas “edificadas” da igreja podem participar. Os
componentes dessas reuniões ou encontros seguem a cartilha de que jamais
podem revelar o conteúdo ou assunto tratado, para que se mantenha
oculto, em mistério, as matérias expostas aos não participantes.
Além da parte prática,
que é ocultar informações e decisões de visitantes e membros, o
secretismo religioso tem o poder de suscitar, naturalmente, nos adeptos
das reuniões às portas fechadas a sensação de mistério e privilégio
espiritual em relação ao restante dos membros não participantes,
comumente reputados pelo sistema como “não-edificados” suficientemente
para receberem tal “conhecimento”. As práticas secretas estimulam uma
vaidade elitista, orgulho religioso e ostentação espiritual ao
participante. Reuniões de pastores, “culto-proféticos”, seminário de 7º
período, “grupo de intercessão”, algumas reuniões de jovens, reunião de
obreiros, são exemplos de reuniões que são revestidas da capa do
obscurantismo religioso.
5.2. “Segredos da Obra”
De acordo com a teologia da Maranata, Deus revelou a liderança “Segredos da Obra”.
Se há secretismo religioso entre os internos, por conseguinte, em
relação aos de fora, é mais acentuado. Muito embora as palavras de Jesus
asseverem que tudo que se falar às escondidas deve ser anunciado sobre
os telhados e nada há oculto para que seja revelado, na Maranata, porém,
é ensinado que Deus houvera revelado “segredos da Obra” especialmente a
seus fundadores, de tal sorte que é terminantemente proibido se falar
dos detalhes e minúcias do sistema da Maranata a pessoas não-membros.
Tais “segredos” seriam
as doutrinas originais e particulares da teologia da Maranata, assim
como os conteúdos expostos em seminários, reuniões, encontros e
distribuídos em apostilas. Ao curioso deve ser explicado tudo de forma
evasiva e superficial – “não podemos revelar os segredos dessa Obra”.
Seminários, cultos e reuniões, por exemplo, são proibidos expressamente
de serem gravados, seja até mesmo em áudio. Já se chegara até a proibir
meras filmagens e fotografias descompromissadas (de recordação) dentro
dos “maanains”, a fim de preservar a sensação de mistério, a pretensão
espiritual e a aura de mítica do local, e, sobretudo, para impedir que
os absurdos e sentimentos dúbios que são ministrados pelo Presbitério,
sejam publicados e divulgados na sociedade.
5.3. Falta de Prestação de Contas
A Falta de Prestação de Contas ou Intransparência Orçamentária
é diretriz basilar do governo da Maranata. Os valores arrecadados dos
dízimos e ofertas são omitidos dos adeptos, ficando tão-somente sob a
ciência do Presbitério (em matéria geral) e do pastor e tesoureiro (a
guisa local). Não há prestação de contas ou exposição do memorial
descritivo de custos e arrecadações mensais aos membros, tampouco dos
negócios firmados pelo Presbitério na aquisição e alienação de bens. O Estatuto da Instituição Religiosa, também, é omitido dos membros
que não podem reclamar o seu acesso e ciência – ainda que seja devido
por lei e público nos cartórios – sob pena de sofrerem retaliações e
sanções muito severas os membros que insistirem no acesso. A fim de
amedrontar e desencorajar os curiosos sobre a prestação de contas e a
ciência do Estatuto, lança-se mão de chantagens e ameaças processuais,
imputando crime de calúnia e difamação, induzindo-lhe ao erro o membro
desinformado como que fosse algo contrário a lei essa nobre atitude de
um membro da Maranata. Não obstante ensinarem que “o maanaim é dos membros”, não se justifica o motivo pelo qual levou a alienação de algum deles.
Tudo é muito oculto e
nada pode ser revelado em matéria que envolva administração de finanças,
as quais estão totalmente a mercê da consciência do Presbitério. Na
verdade, há um desgosto ou mesmo um medo muito acentuado da liderança
central, assim como nos pastores locais quando se defrontam com algum
diligente e cauteloso membro desejando saber o caráter dessas questões
omitidas da Instituição e o destino de seus dízimos e contribuições
voluntárias. E, quando as chantagens não fazem efeito, apela-se quase
sempre para ameaças de punições, castigos divinos, assim como
discriminando e estimulando a igreja a ostracizar o “questionador”, até
ele ser recomendando a se retirar da Maranata.
5.4. Censura
A Censura
é usada pela Maranata no sentido de controlar e suprimir informações,
opiniões e até formas de expressão que possivelmente possam promover o
senso crítico e racional e que, por ventura, possa, no futuro, se
levantar contrárias ao sistema religioso da Instituição. O propósito da
censura está na manutenção do status quo, evitando a discussões
de idéias que se estabeleçam ameaçadoras à alteração do sistema. É um
mecanismo utilizado para manutenção do poder e proteger a credibilidade
das doutrinas da Maranata. É também realizada a supressão de certos
pontos de vista e opiniões divergentes ao do Presbitério, do pastor da
igreja local e do sistema como todo, através das ameaças divinas e
rogação de maldições, assim como pela desconstrução da pessoa do
contestador e da promoção da ruptura sócio-afetiva (fraternal e até
familiar) para com ele.
Censura-se o contato
com dissidentes e até mesmo com membros que estão a contestar o sistema
da Maranata, a fim de que eles não conheçam os motivos reais e as
justificativas dos dissidentes, e, assim, o sistema mantém o corpo de
membros no estado de ignorância, totalmente alienado da verdade. A
censura se aplica também contra sites e redes sociais que
suscitam o senso crítico e reflexivo nos adeptos sobre a real natureza
da Instituição Maranata, expondo e discutindo suas incoerências
bíblicas, valores cultivados e contra-sensos e escândalos da
administração.
Este método de coibição
de informação (censura) tende a influenciar, emoldurar e manipular a
opinião dos adeptos de forma a evitar apoio e crédito a outras idéias
que não sejam as defendidas pelo Presbitério. Aliás, é pressuposto
basilar do obscurantismo que quanto mais desinformados e ignorantes os
adeptos se tornarem, mais fácil é de manejá-los, controlá-los para a
satisfação do sistema, num perfeito comportamento de manada. No entanto,
não utilizam esse nome “censura” para justificar as suas decisões
inibitórias, mas a chamam, como de praxe, de “orientação do Senhor”,
pela qual a censura se justifica em termos de “proteção espiritual”;
mas, na verdade, esconde uma posição mesquinha de submeter os adeptos
aos caprichos e opiniões unilaterais do poder do Presbitério.
O objetivo é
infantilizar e inferiorizar os adeptos em relação à liderança,
permanecendo-os em eterna ignorância e submissão, a fim de eles se
considerarem a si mesmos como incapazes de pensar por si próprios, de
maneira tal que tudo que eles, por ventura, pensem e meditem seja, de
modo automático, associado pejorativamente como “razão”; por
conseqüência, só devem eles confiar e acreditar na “revelação” – que, em
suma, seria tudo aquilo que está, fundamentalmente, enquadrado nos
caprichos e “verdades” estipuladas pelo Presidente e o Presbitério da
Maranata.
5.5. Proibição de Teologia e Musica Gospel
A censura é usada para proibir o contato com a Teologia e a Bíblia,
literatura, estudos, pregações (áudio e vídeo) e músicas de autoria de
outros cristãos não membros da Maranata. As músicas evangélicas são
generalizadamente adjetivadas como “Cospel”, “sem-obra” e “sem-revelação”. A literatura cristã,
de autores não membros da Maranata, também é rebaixada como “letra”,
“teologia”, “razão”, “filosofia”, “sem-revelação”, etc. A censura
religiosa se configura claramente quando se coíbe e repreende a busca
até mesmo de estudos bíblicos sistemáticos, como a Teologia Cristã
que é altamente ridicularizada e abominada pela liderança. Outra
expressão de censura, é que a própria Bíblia é desacatada ou têm sua
autoridade inferiorizada, sendo julgada como um “livro comum”, de sorte
que é reputado como “letra” qualquer entendimento bíblico que confronte
com as contradições doutrinárias da Maranata.
Assim, a autoridade
espiritual do ensino, não é calcada nos preceitos bíblicos, senão
naquilo que a liderança ou o sistema diz entender da Bíblia – a que se
chama de “revelação”. Em poucas palavras, tudo que está na Bíblia que
contradiz o sistema da Maranata é reputado como “letra, pois a letra mata”, “é teologia” e “razão do homem”; ao passo que tudo que a liderança diz entender da Bíblia é considerado como “revelação além da letra” ou “palavra-revelada”.
Desencorajam e depreciam toda forma de aquisição de conhecimento
espiritual e bíblico, através da promoção da alienação e desinformação, a
fim de exercer o controle religioso de forma irrefutável e autoritária.
Portanto, apostilas,
vídeos, áudios de pregações de exclusividade dos homens do Presbitério
são distribuídas somente a pastores e alguns diáconos e obreiros que, em
tese, seriam os mais compromissados com o sistema. Álbuns musicais de
membros da Maranata e literatura de escritores ligados ao Presbitério,
por outro lado, são comercializados e promovidos no seio institucional.
Todos esses produtos ligados à Maranata são espiritualizados como “revelados direto da Eternidade”; ao passo que os produtos literários, musicais, didáticos das demais expressões cristãs são reputados como “letra”, “religião”, “razão”, “teologia”, “filosofia”, “tudologia”, “sem-obra” etc.
5.6. Proibição do Orkut
O Orkut
é a rede social que causa maior pavor ao Presbitério, pastores e
membros da Maranata, porque nela se encontra a comunidade de ex-adeptos
(pastores, ungidos, diáconos, obreiros, senhoras etc.) – Já Fui Um Maranata
– cujo conteúdo contém debates, testemunhos, desabafos, exposições de
verdades doutrinárias e administrativas da Instituição. Por isso,
temendo que tal comunidade ganhasse popularidade e conhecimento entre os
adeptos, a liderança recorreu do estratagema de que Deus havia revelado
ao Presbitério que “o Orkut é uma arma do Inimigo para enganar os servos da Obra”,
por isso decretou que os membros estariam proibidos de acessarem essa
“perigosa” rede social, assim como aqueles que fossem seus usuários,
estavam sob a “orientação” de imediatamente apagarem seus
perfis, uma vez que o Presbitério e a liderança local estariam
fiscalizando e punindo aqueles que não os obedecessem a “revelação do Senhor”.
Para reforçar a demonização dessa rede social, afirma-se que a
etimologia da palavra Orkut viria supostamente do gaulês antigo que
significaria: Ork: Potro e Ut: Inimigo – “Potro do Inimigo”.
“Maravilho-me
de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo
para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos
inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gálatas 1:6-8
Cavaleiro veloz
Já fui um Maranata

DECLARAÇÃO PÚBLICA DE DIREITOS
ResponderExcluirA Igreja Cristã Maranata é composta por um povo ordeiro, pacífico e de boa índole. Cidadãos legítimos e contribuintes deste País. Não somos melhores ou piores! Somos o que somos, fruto de uma experiência congregacional que acumula uma trajetória de 45 anos de existência no contexto social e religioso, contribuindo para o desenvolvimento desse país e sua gente. Não adotamos uma postura exclusivista e nem nos segregamos da sociedade, como alguns insistem em afirmar. Os nossos pastores, em sua grande maioria, são trabalhadores, atuando nos mais diversos segmentos do mercado de trabalho e não percebem remuneração da Igreja. São voluntários e voluntariosos, bem como todos os que oferecem sua contribuição espontânea, seja no serviço ou no custeio das operações da instituição. Não realizamos qualquer tipo de coleta nos cultos, que são públicos e a contribuição ou doação (conhecida biblicamente como dízimo) é espontânea, não sendo, portanto, ninguém, absolutamente, constrangido ou coagido a contribuir com a causa.
Como qualquer instituição que opera no ambiente em que está inserida, possuímos uma administração composta por homens, são os líderes da Igreja. Razão pela qual – lógico - temos necessidades administrativas, operacionais e financeiras para suportar as atividades de manutenção e operação da Igreja. Fica claro uma coisa: sendo uma instituição gerida por homens, estamos sujeitos às vicissitudes que cercam a vida humana, como erros, falhas, acertos, conquistas, alegrias e tristezas. Estamos sujeitos a errarmos e a responder na medida do erro e da cominação estipulada em lei. Esta é uma premissa básica para qualquer cidadão ou instituição que está submetida à ordem jurídica de um Estado, como o brasileiro. Sendo assim, gostaria de pontuar algumas premissas e valores que norteiam os membros desta nobre instituição:
1) Temos os mesmos deveres e DIREITOS que todos neste país;
2) Não abrimos mão dos nossos direitos na mesma medida em que seremos responsabilizados pelos DEVERES;
3) A Igreja está constituída juridicamente, portanto é legal na ordem jurídica do país e possui em seus quadros liderança competente e responsável para gerir os seus assuntos e necessidades internas e externas;
4) A Igreja - sua liderança e membros-, em última análise e instância não abre mão de ser administrada por uma diretoria por ela escolhida (ELEITA), conforme lhe garante a ordem jurídica a que está submetida;
5) Não aprovamos ou aceitamos ingerência ou administradores estranhos ao quadro da instituição;
6) Não está em discussão em nenhum momento o corpo doutrinário, os costumes e modos/ferramentas/símbolos de culto da Igreja, que não ferem em nada a ordem jurídica deste estado;
7) Somos livres para servir o nosso Deus e da forma como temos entendido em sua palavra (fé) que é a mais aceitável;
8) Queremos continuar a nossa missão de anunciar as boas novas do evangelho com tranqüilidade amor e respeito;
9) Queremos continuar a nossa missão de anunciar as boas novas do evangelho com tranqüilidade amor e respeito;
10) Não coadunamos com ilícitos, práticas reprováveis ou ilegais e nem com a desobediência à ordem jurídica em vigor;
11) Queremos ver restaurada, imediatamente, estes direitos em nossa Igreja, conforme prevê a ordem jurídica;
12) Que seja convocada, imediatamente a eleição da nova diretoria e quem irá presidi-la.
Postas estas premissas, declaramos que a intervenção ora prolatada pela justiça do Espírito Santo a pedido do Ministério público do Espírito Santo seja imediatamente, após a eleição do novo corpo diretor, segundo o Estatuto da instituição, suspensa.
Nós como membros e pastores da Igreja Cristã Maranata exigimos o respeito e para com os nossos direitos estatutários e legais, emanados da constituição e normas infralegais para continuar edificando esta nobre instituição, como temos feito!
Respeitosa e cordialmente,
Pr. Carlos Alberto Dias de Oliveira
GOVERNADOR VALADARES - MG