Promotor apresenta provas sobre suposta extorsão em presídio de MT,praticada pela Igreja Universal
Promotor afirma que dízimo era recolhido 4 vezes por semana em presídio.
Representante dos agentes prisionais alega que servidores sabiam do caso.
O promotor Célio Wilson, que investiga um esquema de extorsão no Centro
de Ressocialização de Cuiabá, o presídio Carumbé, apresentou nesta
terça-feira (17) algumas provas que podem comprometer integrantes de uma
igreja. Na última semana, o Ministério Público de Mato Grosso (MPE)
recolheu material para investigar a denúncia de que presos e familiares
da ala evangélica do Carumbé são obrigados a pagar dízimo a detentos
para não sofrer represálias. Integrantes da Igreja Universal são
acusados de receber repasses semanais do dinheiro arrecadado entre 340
detentos. Nesta segunda-feira (16), o pastor Alexandre Muniz, da Igreja
Universal, disse que a a igreja não tinha sido notificada oficialmente
sobre a investigação do Ministério Público e que não iria se pronunciar
sobre o caso.
No material recolhido pelos investigadores estão boletos bancários com o
nome da igreja, dinheiro, além de um extrato bancário em nome de um
preso e o saldo de pouco mais de R$ 43 mil. “Esse dízimo era destinado à
igreja e recolhido quatro vezes por semana pelo pastor. Ou seja, os
presos eram obrigados a contribuir diariamente com o dízimo”, explicou o
promotor.
Célio Wilson revelou ainda que 40% dos mantimentos levados pelos
parentes dos detentos eram repassados para o dirigente da igreja, uma
pessoa da confiança do pastor. Mas depois os mantimentos eram vendidos e
não doados para os presos. “Lideranças evangélicas faziam comércio de
todo tipo de coisa, principalmente gêneros alimentícios e de higiene
pessoal que, segundo investigações do Ministério Público, os indícios
são da participação de um poder paralelo”, pontuou. Dentre os materiais
apreendidos também estão duas barras de madeira e uma de aço que,
segundo o promotor, seriam usadas para castigar os detentos que se
recusavam a participar do esquema.
Além disso, o representante do Sindicato dos Agentes Prisionais de Mato
Grosso, João Batista de Souza, revelou que o esquema de extorsão era
tão poderoso que alguns servidores se viram obrigados a não denunciar
para não serem punidos. “Na maioria das vezes o servidor acaba tendo que
fechar os olhos porque não têm autonomia. O próprio estado não dá
condições para ele fazer isso. Uma unidade que sofre superlotação, falta
de efetivo e que às vezes o servidor que resolve ir contra acaba sendo
até punido e transferido”, relatou João Batista.
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos informou que está apurando a
situação no Centro de Ressocialização de Cuiabá para então tomar
providências. Sobre a afirmação do presidente do Sindicato dos Agentes
Prisionais, João Batista de Souza, a secretaria informou que ainda não
tem como emitir um posicionamento a respeito.
Busca e apreensão
O promotor responsável pela denúncia no Centro de Ressocialização de Cuiabá, Célio Wilson, informou que o advogado da Igreja Universal teve acesso ao pedido de busca e apreensão antes mesmo de ser cumprido. Segundo ele, por pouco a investigação do Ministério Público não foi prejudicada uma vez que, segundo ele, há indícios de que houve vazamento de informações sobre o pedido de mandado de busca e apreensão. “Com certeza houve um vazamento. Isso é muito grave e merece apuração, não só pelo Ministério Público mas também pelo próprio Judiciário”, enfatizou o promotor.
O promotor responsável pela denúncia no Centro de Ressocialização de Cuiabá, Célio Wilson, informou que o advogado da Igreja Universal teve acesso ao pedido de busca e apreensão antes mesmo de ser cumprido. Segundo ele, por pouco a investigação do Ministério Público não foi prejudicada uma vez que, segundo ele, há indícios de que houve vazamento de informações sobre o pedido de mandado de busca e apreensão. “Com certeza houve um vazamento. Isso é muito grave e merece apuração, não só pelo Ministério Público mas também pelo próprio Judiciário”, enfatizou o promotor.
A representação foi feita de forma sigilosa na 2ª Vara Criminal de
Cuiabá na tarde da última quarta-feira (11). Na quinta-feira (12), o
processo já estava com o advogado da igreja. Por outro lado, o juiz
Roberto Seror, titular da 2ª Vara Criminal, explica que não houve por
parte do Ministério Público, pedido de sigilo. Por isso, o advogado teve
acesso ao pedido de busca e apreensão.

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