"Entregue à igreja ou abandone os estudos", é o que teria afirmado pastor Amarildo ao pastor Tertuliano
Em pleno século XXI, enquanto
as pessoas estão cada vez mais preparando-se nos estudos, veremos um
pedido que não convém na atual globalização. Em carta enviada ao Jornal
da Missão pelo ex-pastor da AD Madureira pastor Sebastião Tertualino e
atual presidente no Tocantins da AD Esperança, ele explica os motivos
pelos quais teria deixado o ministério de Madureira.
Na carta ele afirma, que o
presidente da Assembleia de Deus Madureira apstor Amarildo Martins(foto),
teria sugerido que o pastor Tertualino deveria entregar à igreja da Arse
12, ou abandonar os estudos. Tertuliano é recém formado em Direito e
está matriculado em curso de pós graduação na UFT – Universidade Federal
do Tocantins, às aulas são ministradas uma vez ao mês nos finais de
semana.
Veja na integra a carta encaminhada ao Jornal da Missão
A Paz do Senhor Jesus,
queridos irmãos, em razão de não ter tido a oportunidade de me despedir
de vocês e ao mesmo tempo não poder comunicar a igreja da Arse 12, os
motivos que me motivaram a devolver a direção da igreja e devido às
constantes insinuações injuriosas e até criminosas resolvi tornar
público a carta que entreguei ao mui digno pastor Amarildo Martins da
Silva,
Eis a carta!
AO MUI DIGNO PRESIDENTE DA
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTÉRIO DE MADUREIRA CAMPO ARSE
61, PASTOR AMARILDO MARTINS DA SILVA.
Brioso Presidente,
Em razão
da conversa que tivemos informalmente no último ajuntamento
ministerial, percebi incômoda preocupação ao comunicar-lhe que havia me
matriculado no curso de Pós-Graduação na UFT (Universidade Federal do
Tocantins). Naquele momento, o senhor disse que eu deveria entregar a
igreja da Arse 12, ou abandonar os estudos e colocar o coração na obra
de Deus, caso contrário o senhor me transferiria para uma congregação
menor.
Pastor Amarildo, tenho 40 anos
de idade, e metade deste tempo como pastor de Igrejas. Confesso-lhe que
aquelas palavras me causaram tristeza diante da minha luta.
Honestamente, pastor, nunca imaginava ouvir isso, principalmente do meu
líder! Senti-me humilhado. Naquele momento percebi que não estava mais
diante de um pai ministerial, mas de um patrão. Sinceramente, conclui
que aquelas palavras eram a prova de que o senhor não estava mais
satisfeito com meu trabalho, e que realmente eu já lhe era descartável.
Suas palavras me convenceram de que há outras razões o motivando a
retirar-me do trabalho na Arse 12.
Não quero julgar seu coração,
Pr. Amarildo, mas percebo que não tenho sido mais bem vindo em seu
rebanho. Suas atitudes têm falado por suas palavras. Não quero gerar
inimizade tampouco fazer guerra contra o senhor. Longe de mim tocar no
ungido do Senhor. É por isso que decidi escrever-lhe. Acho que o senhor
me compreenderia melhor dessa forma.
Desde
aquela conversa, tenho orado sobre a chamada de Deus em minha vida e
cheguei à conclusão que a jornada de um pastor NÃO TERMINA, ela é para
sempre. Somente a morte é capaz de interromper o ministério pastoral. Já
a minha vida profissional, não! Esta é breve, não sei até quando terei
forças para trabalhar!
Tenho
aprendido que ser pastor de ovelha não é profissão, é vocação. Foi Deus
quem me chamou e colocou sob os meus cuidados, o rebanho de Deus. As
ovelhas pertencem a Ele, e Ele confiou-me o santo ministério. Não
poderei jamais decepcionar aquEle que me alistou. Entendo que cada
pastor prestará contas a Deus, pela guarda do seu rebanho.
O apóstolo Pedro
adverte contra o assenhorear-se do rebanho (1 Pe 5.2). É significativo
que o apóstolo Paulo sempre trabalhou secularmente mesmo sendo ele “O
APÓSTOLO PAULO”. A Bíblia nos fala de seu ofício de fazedor de tendas.
Ilustre
pastor Amarildo, Machado de Assis disse que “a ingratidão é um direito
do qual não se deve fazer uso”. Portanto, não quero ser ingrato. Em
respeito à sua pessoa e pelo fato de vê-lo discordar de meus ideais,
resolvi juntamente com a minha família, obedecer seu conselho. Hoje,
estou pronto para devolver-lhe a Igreja que no dia 16 de dezembro de
2010, o senhor entregou sobre aos meus cuidados.
Reconheço a
autoridade de Deus sobre sua vida e quero manter-me submisso. Tenho
certeza que de sua boca não sairá maldição ao meu respeito. Quero como
irmão em Cristo e ovelha do seu pastoreio despedir-me e estender minhas
mãos para que o senhor me abençoe.
Pr.Sebastião e esposa
Sou grato pela a
consideração que o senhor sempre demonstrou a mim e à minha família
durante estes 11 (onze) anos que caminhamos juntos. Jamais esquecerei
que foi o senhor quem me apresentou para ser consagrado a pastor em
2004. Foi uma honra ter sido vice-pastor na sede em 2002 e ter
pastoreado as igrejas de Lajeado, Arno 41, Aureny I, Arse 112 e Arse 12,
muito obrigado por tudo!
Hoje, infelizmente meu
coração desapegou-se de continuar ao seu lado, contudo não quero ser
desleal. Se não concordo com alguns aspectos de sua administração,
prefiro retirar-me a opor-me ao seu trabalho. Não posso permanecer
desmotivado, inseguro e descontente. Reconheço sua história e como seu
trabalho edificou o Reino de Deus no Estado do Tocantins. Certamente,
chegou o tempo de nos separarmos.
Desse
modo, reitero meus sentimentos de estima e consideração. Por meio dessa
missiva, DEVOLVO-LHE à direção da Igreja da Arse 12, entendendo que
isso é o melhor para o momento. Pretendo continuar no pastoreio. Jamais
fugirei do meu chamado. Sei que o rebanho da Arse 12 e da Arse 61 está
em suas mãos.
Quanto a mim, vou
aguardar a direção de Deus para minha vida. Conto com sua oração e
compreensão. Espero ser compreendido e gostaria de ter paz contigo e com
seu ministério.
No Amor de Cristo. Palmas 28/03/2012.
Seu servo Pr. Sebastião Tertuliano Filho
Jornaldamissao.net
